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A favor dos cassinos no Rio de Janeiro

18/12/2018

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Quintino Gomes Freire*

Todo carioca já ouviu a história do Cassino da Urca, e de como aquele período foi o de ouro da nossa cidade. Mas de uma hora para outra veio um presidente (Eurico Gaspar Dutra) casado com uma carola (Carmela Dutra, mais conhecida como Dona Santinha). Em abril de 1946, Dutra, influenciado por sua esposa, proibiu os jogos de azar no Brasil. E assim, após um último jogo de roleta no Copacabana Palace, 70 cassinos foram fechados e 40.000 brasileiros ficaram desempregados.
E, em ironia drástica do destino, logo um bispo prefeito e um presidente eleito com a força dos evangélicos, podem trazer de volta os cassinos para o Rio de Janeiro. O prefeito Marcelo Crivella (PRB) tem se mostrado um entusiasta da volta do jogo de azar no Brasil, inclusive esperando a ajuda do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL), de quem espera uma superlicença para um cassino no Porto Maravilha.  E, apesar de Crivella ser bispo licenciado da Universal, disse de uma forma bem pragmática:
“Eu sou contra o vício, mas eu sou contra a miséria, sou contra o desemprego, sou contra a estagnação da nossa economia. Vendo a nossa juventude terminando o curso escolar eu não encontrando lugar para trabalhar. O Congresso vai decidir e se houver uma licença. Não é abrir o jogo em toda esquina, não estamos falando de máquinas caça-níqueis, não estamos falando de bingo em todo lugar. Nós estamos falando de um cassino, um só na cidade do Rio de Janeiro, que tenha a capacidade de atrair milhões de turistas. E é exatamente por isso que somos a favor de que se legalize o jogo no Brasil, e que o Rio de Janeiro tenha permissão para ter cassinos – inclusive mais de um”
Crivella disse isso em entrevista que concedeu ao Valor na última quinta-feira (13/12). Crivella diz ter recebido a visita de Sheldon Adelson (presidente da empresa Las Vegas Sand) e que ele estaria interessadíssimo em construir um resort-cassino no Rio, hotéis, centro de convenção, centro de exposição, um grande shopping e com 5% do empreendimento sendo um cassino. O total de investimento seria de US$ 10 bilhões, e geraria 50 mil empregos.
De acordo com o prefeito do Rio, após investimento similar de Adelson em Singapura, o turismo na Cidade-Estado pulou de 6 milhões de turistas para 20 milhões! E Adelson teria dito que não vê como o turismo na cidade não dobrar após a abertura do cassino. E se isso realmente acontecer geraria uma roda de riquezas para a cidade, que somada a sua incrível beleza natural e eventos esporádicos (em especial Ano Novo e Carnaval) poderia finalmente virar um dos principais centros turísticos do mundo.
Claro que há os problemas gerados por jogos de azar, no entanto, podem ser criados meios de controle, especialmente entre os cidadãos locais. Crivella citou alguns casos como proibir quem estiver com nome no Serasa ou se a pessoa for denunciada pelo cônjuge por gastar o dinheiro de casa, também não poderá jogar. E, vale lembrar, hoje quem quer jogar tem cavalos, Sena, Loto, Raspadinha e até o Jogo do Bicho, não é como se o carioca estivesse livre dos jogos de azar.
O retorno dos cassinos, ou no caso, do cassino, vai ser um momento de virada da nossa cidade e nunca se foi tão necessário. Se o atual prefeito conseguir esse investimento, acho que todos os cariocas esquecerão outros mal feitos de Crivella.
(*) Quintino Gomes Freire – Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro e veiculou o artigo acima no Diário do Rio de Janeiro.