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A febre da raspadinha é um fenômeno em Portugal

11/06/2015

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A febre da raspadinha é um fenômeno que tem cada vez mais adeptos. Desde 2011, o número de apostas neste tipo de jogo Em Portugal cresceu seis vezes, e, só no ano passado, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa faturou 700 milhões de euros com a chamada loteria instantânea.

Há mais de 20 tipos diferentes de raspadinhas e os preços vão de um a dez euros. A probabilidade de sair prêmio é maior do que, por exemplo, no Euromilhões, mas não deixa de ser reduzida.

A baixa probabilidade, contudo, não demove os jogadores. A atração de poder receber um prêmio na hora é apelativa, diz Gabriel Silva, responsável do balcão da Casa da Sorte no Rossio, em Lisboa. “É o dinheiro rápido. Com o Euromilhões tem de esperar. Com o Totobola e Totoloto a mesma coisa. As loterias têm aquele ‘timing’ que temos de esperar. Com a raspadinha não, é instantâneo", relata.

Nesta casa bem no centro da capital Lisboa, entram pessoas de todas as idades, mas a maioria que se vê são clientes com mais de 50 anos. De moeda na mão, pronta a descobrir se tem prêmio, Rosa, de 62 anos, explica que joga descomprometidamente e que, se perder, também não se aflige, porque “sempre ajuda os miúdos” da Santa Casa.

Aquilo que a atrai é a “sensação” de estar raspando e o suspense de sair prêmio. Admite que é uma “ilusão” e que algumas pessoas estão mais vulneráveis que outras. “Vive mais na ilusão quem não pode do que as pessoas a quem não faz falta aqueles cinco ou 10 euros.” Conta que já viu casos de quem gasta o que tem e o que não tem em apostas: “Muitas gastam quase o ordenado que recebem com a ilusão de ganhar mais”.

É o caso de Luís, de 54 anos, que confessa “estar um bocado agarrado” à raspadinha, que “é viciante, como qualquer tipo de jogo”. Já ganhou mil euros numa aposta, mas diz que não compensa para o número de vezes que já jogou. Quando compra, gasta 20 ou 30 euros de uma vez. O que o atrai é o facto de ser “pago logo na hora" e "depois é querer investir determinado dinheiro e ganhar o dobro ou o triplo”. E nem é a ideia do prêmio em si que o agarra, é mesmo o prazer de jogar. Luís chega a gastar 300 euros por mês em raspadinhas.

No site Poupar Melhor, o engenheiro António Sousa faz um cálculo das probabilidades para a raspadinha que promete o maior prêmio, o Super Pé-de-Meia. Saem 4,004 milhões de raspadinhas e cada uma delas custa cinco euros. Destas, há três raspadinhas que dão dois mil euros por mês durante 12 anos.

“Imagine o Estádio da Luz, que cheio leva 65.647 pessoas. Imagine que ele vai estar cheio durante 61 jogos consecutivos e que, durante esses 61 jogos, três das raspadinhas com o prémio grande vão ser entregues a afortunados espectadores. Imagine que vai a apenas um desses jogos: veja assim qual é a probabilidade de receber o prémio com os cinco euros que joga”, exemplifica o Poupar Melhor.

Na Casa da Sorte, António José, de 54 anos, vem acompanhar a esposa que vai à raspadinha. E não tem dúvidas que há aliciantes maiores até que nas outras loterias. “No Euromilhões jogava-se e esperava-se uma semana ou quatro dias à espera de sair o sorteio, ora este é um vício. É como o café, como o tabaco”, diz. Para António José, “é um jogo de atrofiar a sociedade”. (Rádio Renascença – Matilde Torres Pereira)