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A importânca do jogo responsável.

03/11/2003

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O BNL sabe que o comportamento patológico não é privilégio do jogo, podendo ser observado em várias outras atividades. Sempre que temos oportunidade, destacamos a necessidade dos empresários pensarem em ações para minimizar a compulsão pelo jogo. Nos últimos 10 anos, com o crescimento da instalação dos bingos e das máquinas de caça-níqueis, houve também um aumento considerável de jogadores compulsivos nessas duas modalidades.
O BNL conversou com o presidente dos Jogadores Anônimos do Rio de Janeiro, que está em entendimento para uma parceira inédita no país com a Associação dos Bingos do Estado do Rio de Janeiro.
"Existem três níveis de jogadores. O lúdico é aquele jogador que vai ao bingo socialmente e com espírito esportivo. É responsável e separa uma pequena quantia para se divertir. No segundo estágio existe o impulsivo/compulsivo que é aquele jogador que larga o que está fazendo para jogar e só sai do jogo depois que está zerado. No terceiro estágio encontra-se o patológico, que é uma pessoa doente. Ela não faz outra coisa na vida a não ser pensar em jogo."
Outro detalhe curioso foi revelado pelo presidente. Quando os bingos ficam fechados durante um período, como foi o caso do Rio de Janeiro, cria-se um hiato e quando as casas reabrem, os jogadores compulsivos e patológicos voltam a freqüentar os bingos com maior voracidade, "para recuperar os dias que eles não puderam jogar", comentou.
O Rio de Janeiro, já deu um passo nesse sentido, quando a Loterj e a Associação dos Bingos do Estado afixaram em todos os bingos do Rio de Janeiro um cartaz que informa:  "JOGO DEVE SER ENTRETENIMENTO E NÃO MEIO DE VIDA. JOGO EM EXAGERO É DOENÇA. JOGUE COM MODERAÇÃO." Esse é um primeiro passo para que os apostadores tenham uma relação responsável com o jogo.O BNL acredita e torce que as entidades de classe que representam os bingos e os fabricantes de máquinas, encontrem um caminho para estabelecer parcerias com as instituições que tratam dessa patologia, nos moldes das parcerias do mercado de jogo norte-americano.

Jogos de azar e a dependência.
Geocites.com
Os jogos de azar têm se tornado muito popular no Brasil e em outros países do mundo, e são considerados muitas vezes uma atividade de risco. As casas de jogos, as máquinas eletrônicas e bingos crescem dia a dia e isto está relacionado à rapidez com que se ganha o dinheiro. Estas atividades não são controladas e as pessoas que fazem uso delas se viciam.
Ante o estímulo de jogar não há prevenção, pesquisas ou não há tratamentos no Brasil.
O jogo patológico apresenta certas fases:
O jogo começa com pequenas apostas, que se iniciam na adolescência e tornam- se mais freqüente nos adultos.
O intervalo entre o começar a jogar e perder o controle sobre o jogo varia entre 1 e 20 anos . Identificação de três fases de comportamento de jogar
Fase da Vitória: a sorte inicial é substituída pela habilidade do jogo. Ante isto há dois tipos de apostadores, os que param de jogar e os que achando ter adquirido experiência considerável, continuam com maior freqüência.
Fase intermediária: temos os jogadores patológicos que se desesperam quando perdem. Eles vão jogar sozinhos, o jogo não sai de sua cabeça. A medida que vão ganhando um pouco, mais querem aumentar o valor da aposta com o desejo de ganhar valores maiores. Não toleram facilmente a perda. Pelo contrário, quando não ganham empregam no jogo valores do salário, economias, dinheiro investido, móveis, etc.
Faz do desespero: o indivíduo gasta mais tempo e dinheiro com o jogo e se afasta da família. A dívida aumenta e o jogador entra em pânico, porque quer pagar a dívida, retomar a união com os familiares, levantar sua reputação perdida.
Uma maneira seria por meio de métodos ilegais para obter dinheiro a qualquer custo.
A exaustão física e psicológica com depressão e pensamentos suicida é uma conseqüência lógica. Consideramos neste estágio o jogo como patológico.
Os jogadores tem muita dificuldade em admitir o problema e pedir ajuda. O tratamento se pede ao ver que a situação se agravou.
Critérios diagnósticos
Jogo patológico –caracterizado –pela persistência e recorrência do comportamento de jogar indicado de pelo menos cinco dos itens seguintes:
Preocupação com jogo (com experiências passadas, especulação do resultado ou planejamento de novas apostas, pensamento de como adquirir dinheiro para jogar).
Necessidade de aumentar o tamanho das apostas para alcançar a excitação desejada.
Esforço repetido e sem sucesso de controlar ou parar o jogo.
Inquietude ou irritabilidade quando diminui ou para de jogar.
Jogo como forma de escapar de problemas ou aliviar estado disfórico. Sentimento de culpa, desamparo, ansiedade, depressão, etc.
Retornar ao dia seguinte para recuperar o dinheiro perdido.
Mentir a parentes, terapeutas, etc. para esconder a extensão do seu envolvimento com o jogo.
Cometer atos ilegais (fraude, falsificações, roubo ou desfalque , para financiar o jogo.
Perder relacionamentos significativos, oportunidades de trabalho, educação ou carreira por causa do jogo.
Contar com o dinheiro dos outros para aliviar a situação financeira desesperadora.  
Em qualquer espécie de jogo, envolvendo ou não dinheiro, há o perigo de haver a dependência, sendo difícil para uma pessoa viciada deixar totalmente o jogo.
Segundo depoimentos sobre pessoas que são ou que foram viciadas e de médicos que acompanham estes casos, o ato de jogar começa com pequenas apostas, normalmente na adolescência e envolvendo principalmente os garotos, pois é nos jogos dessa espécie que eles encontram muitas vezes o prazer que procuram. Mas logo depois o vício se estende à vida adulta onde geralmente as pessoas dessa idade podem ser influenciadas por amigos, parentes, por problemas financeiros, por ver alguém jogar ou ainda por causa de um possível desequilíbrio ao longo de sua vida despertando ainda mais o interesse pelo jogo. Existe uma grande influencia da mídia (das principais emissoras de TV), as quais utilizam seus programas e propagandas para fazer uma espécie de "lavagem cerebral" para que as pessoas joguem. No início da "jogatina" a pessoa (adulto ou adolescente) começa a lucrar e consequentemente se interessa mais em ganhar dinheiro, esta compulsão também pode se originar quando a pessoa não percebe sua dependência e não sabe quando e como parar tornando o ato de jogo rotineiro.
Muitos psicólogos afirmam que o primeiro passo para se livrar da dependência é se admitir compulsivo, e assim a força de vontade vem logo depois e também como um auxílio de um profissional se for o caso. Mas poucos conseguem perceber que tornaram-se dependentes, e assim não procuram ajuda ou também não têm ninguém que os ajude, fazendo assim com que fiquem desamparados de total ajuda.
Tratamentos: Psicoterapêuticos, de vertente comitivista e medicamentosa com o afastamento do jogador do ambiente que o vicia; isolando- o em clínicas, spas, sanatórios, casas de repouso onde se juntam grupos com a mesma vontade de reagir ao vício tomando iniciativas de cura.
Ajuda: Pode- se encontrar ajuda junto a clínicas psiquiátricas de tratamento de dependentes de jogos, químicos, etc. spas e clínicas onde o tratamento seja o fim almejado para a cura do vício.
Reações químicas versus psicológicas: O jogo é dependência basicamente psicológica e não química podendo haver sim, alguns neurotransmissores cerebrais que completem a dependência.
O que dizem os psicólogos: Psicólogos junto a Psiquiatras utilizam medicação, acompanhamento, psicoterapias, isolamento, evitando o ambiente que lembre o vício.
Remédios: Se utilizam ansiolíticos, antidepressivos com intuito de acalmar a pessoa e agir na sua conscientização.
Jogos mais comuns que causam dependência: Eletrônicos, do tipo máquinas caça níqueis, vídeos, poker, bingo, roleta, jogos de azar em geral , que envolvam grande quantidade de dinheiro pela emoção que representam.
Depoimentos:
Médico: "Jogo como droga lícita ou ilícita oferece perda de respeito pela pessoa humana, dando um extremo sofrimento, um sofrimento total no sentido do ser imerso na sociedade"
Ex- Viciada: "No final de 1989 ainda cursando a faculdade, tive meu primeiro contato com uma máquina de Vídeo Poker. No início não passava de brincadeira; observava meu companheiro jogando e comecei a me interessar em aprender. No decorrer dos dias comecei a ir um dia sim e outro não e com o passar dos meses a ir todos os dias e isso sucedeu durante dez anos de minha vida. Consegui apesar de tudo me formar e não sujar o meu nome, mas parei no tempo e no espaço. Deixei de progredir profissionalmente, não consegui ter uma casa própria e consegui perder alguns carros, dever para agiotas, comprometer meu salário durante anos e anos cobrindo cheques. Consegui contrair duas úlceras e uma gastrite. Não dormia pensando nos cheques voadores; não conseguia ter paz, a minha vida era um sofrimento sem fim. Vivia chorando pelos cantos da casa e extremamente nervosa e revoltada."
Ex- viciada: "Meu nome é A. R. M., jogadora compulsiva em recuperação. Estou na J.A há um ano e seis meses. Quando conheci esta Irmandade eu parecia estar fora de órbita. Parecia em lixo humano que não tinha mais nenhuma perspectiva de vida. O jogo trouxe para mim, muitos problemas e muitas tristezas, destruição, desonestidade: tudo de ruim que se possa imaginar. Causei danos à minha família e aos meus filhos. Derramei muitas lágrimas procurando uma saída. Mas era difícil sair do jogo sozinha, a não ser, pensando em suicídio. Mas eu resistia: ‘É muita covardia! Não posso pensar desta forma! Os meus filhos não merecem serem punidos pelos meus atos de irresponsabilidade!’ Depois de um ano de jogatina o meu casamento, que já era um fracasso, acabou de vez. O meu marido estava indo embora sem, ao menos, pensar que eu estava precisando de ajuda. Foi quando comecei a fazer terapia e depois fui encaminhada para o J.A. Então travei uma terrível batalha contra o jogo, pois parei de jogar com dinheiro na carteira, cartão e cheque …"
Curiosidades
Em Las Vegas, os americanos gastam por ano cerca de 80 bilhões de dólares em eventos esportivos, sendo os principais o Super Bowl e o torneio masculino de basquete da National Collegiate Athletic Association (NCAA).
As mulheres se viciam mais em jogos. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de psiquiatria da Universidade de São Paulo, as mulheres se tornam viciadas num período três vezes mais curtos que os homens. Embora elas comecem a jogar aos 38 anos, aos 42 já manifestam problemas sérios do transtorno. Já os homens demoram cerca de 20 anos. Mas ainda assim as razões para essa diferença não são conhecidas. Porém, segundo Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico (AMJO-USP) e um dos participantes da pesquisa, as mulheres sofrem mais preconceito da sociedade quando têm sinais de problemas, além de que a maioria das jogadoras compulsivas inicia-se no jogo com a prática do bingo e elas procuram jogar em busca de consolo, enquanto os homens em busca da emoção e do prazer.
Algumas perguntas feitas pelos médicos aos pacientes:
Você desperdiça seu tempo de trabalho por causa do jogo?
Você tem causado infelicidade na vida familiar devido ao jogo?
Sua reputação está afetada devido ao jogo?
Já sentiu alguma vez remorso após ter jogado?
Jogou alguma vez por dinheiro para pagar as suas dívidas e resolver suas necessidades financeiras?
O jogo causou alguma diminuição na sua ambição, capacidade e eficiência?
Após ter perdido, sentiu-se como se tivesse que voltar logo após, pronto para a possibilidade de recuperar suas perdas?
Depois de uma aposta lucrativa você teve um forte impulso para voltar e ganhar ainda mais?
Você joga aos poucos até gastar o último tostão?
Alguma vez você pediu empréstimo para financiar o seu jogo?
Você vendeu alguma vez alguma coisa para financiar o seu jogo?
Você teve má vontade para usar o dinheiro que o jogo nos gastos dos compromissos normais?
Alguma vez você descuidou do bem estar da família devido ao jogo?
Alguma vez você jogou mais tempo do que havia planejado?
Alguma vez você jogou para escapar de preocupações e problemas?
Alguma vez você cometeu algum ato considerado ilícito para poder financiar o seu jogo?
Você tem dificuldades para dormir devido ao jogo?
Você acredita que este impulso para jogar deve-se às desilusões e frustrações?
Você teve alguma vez o impulso de comemorar alguma fortuna conquistada com algumas poucas horas de jogo?
Você considerou alguma vez a auto destruição como resultado do jogo? Obs.: Se você respondeu SIM a mais que dez perguntas, você tem a possibilidade de ser um jogador compulsivo. 
Como várias pesquisas mostram que o vício pelo jogo pode começar em casa, o melhor que se pode fazer é educar seus descendentes e seus conhecidos para jogar apenas como diversão e não como necessidade, pois o jogo como a droga ou o álcool domina sua mente e seu corpo fazendo com que você viva exclusivamente para ele, ganhando e perdendo o dinheiro e grande parte de sua vida.