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A importância dos bingos para a Vela

20/09/2002

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Quando tomei posse como presidente da Federação de Vela do Estado do Rio Grande do Sul, há quatro anos, recebi do presidente anterior duas pastas. Isso era tudo que a Federação tinha… A partir daquela data, começamos a nos interessar pelos bingos, pois era a única fonte de renda possível para o desenvolvimento de projetos da vela de rendimento.
Inicialmente com muito receio, pois a fama dos “bingueiros” não era das melhores, fomos desenvolvendo um trabalho de parceria e organização para ambos, que acabou resultando em projetos muito profícuos, como o Projeto Olímpico Gaúcho.
Em função destes recursos, a Federação do Estado do Rio Grande do Sul, pôde manter um técnico, durante os quatro anos que antecederam as Olimpíadas de Sydney, ajudar com recursos os que se classificaram para os diversos mundiais, além de ter a alegria de ver quatro de seus atletas classificados para representar o Brasil na classe 470. Acompanhamos outros estados que desenvolveram projetos similares com bastante êxito.
A Federação Brasileira de Vela e Motor, também baseia seu trabalho nos recursos advindos do Bingo. Hoje é praticamente impossível pensar nas Federações sem este apoio. Logo após as Olimpíadas de Atlanta, Robert Scheidt, buscava patrocínio, já com seus títulos de campeão Brasileiro, Mundial, Pan Americano e a medalha de ouro.
Depois de ouvir vários “nãos” e quase desanimando, assinou um contrato de patrocínio com um bingo de São Paulo para quatro anos, independente do valor que por lei repassa a entidade esportiva. Numa conversa Robert disse-me:
– Se não fosse o apoio do Bingo Augusta eu não teria feito a campanha olímpica para Sydney. Este apoio foi fundamental.
No Ceará a Federação tem também um bingo e durante o campeonato brasileiro da classe laser os barcos de Fortaleza ostentavam na vela a propaganda de seu patrocinador.
A Lei Pelé, que em novembro de 2001 extingue a modalidade de bingos como fonte de recursos para o esporte, precisa de alguma lei que a substitua. A Caixa Econômica Federal ficou encarregada de cadastrar e fiscalizar os bingos no território nacional, colocou o prazo de sete de fevereiro de 2001, para o cadastramento de todos, sob pena de fechar.
Pelo lado das Administradoras de Bingos, tenho ouvido que o maior problema sempre foi a indefinição de quem fiscaliza, dos critérios e impostos que devem ser pagos.
Acredito que a moralização e a fiscalização do setor é benéfica para todos.
Alguns estados estão criando leis, no sentido de que a modalidade dos bingos continue, mas não necessariamente direcionando os recursos para o esporte, o que além de abrir uma “guerra” com a CEF, não soluciona o problema do esporte. Como não existe nenhuma lei de incentivo ao esporte que realmente beneficie, hoje são os bingos, sem dúvidas, a única fonte de renda das federações no desenvolvimento do esporte olímpico e de alto rendimento. Esperamos que nossos políticos se sensibilizem e busquem uma alternativa que contemple o esporte, pois ele cada vez mais tem ocupado um papel social importantíssimo.
(*) presidente da Federação de Vela do Estado do Rio Grande do Sul