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A polêmica legalização de cassinos no Japão

31/07/2018

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Analistas preveem que os cassinos vão criar milhares de empregos, além de impulsionar a economia

Quando pensa em sua infância, Noriko Tanaka lembra como o jogo dominava o cotidiano de sua família. O avô jogava pachinko, um jogo semelhante ao fliperama, em todos os seus momentos de lazer, enquanto o pai apostava em corridas de bicicleta. Noriko aprendeu a apostar dinheiro em jogos de cartas antes de chegar à adolescência.

Noriko se casou com um jogador compulsivo e com 30 e poucos anos percebeu que as apostas antes casuais que fazia em corridas de lanchas haviam se transformado em um vício. O jogo arruinou financeiramente o casal.  Hoje, ela lidera um grupo de ajuda de pessoas que querem se libertar da compulsão por jogos.
Após 15 anos de discussões, o Parlamento do Japão aprovou em 2016 um projeto de lei de legalização dos cassinos. A resistência, por fim, foi vencida diante da perspectiva de uma receita de bilhões de dólares em apostas nos jogos e no turismo.
Analistas preveem que os cassinos vão criar milhares de empregos, além de impulsionar a economia de cidades como Osaka, a atual favorita para sediar o primeiro cassino do país.
Com uma grande classe média e um crescente número de turistas, o  Japão atraiu a atenção de empresas que administram cassinos em diversos lugares do mundo, como Las Vegas Sands e MGM Resorts, que querem investir US$ 10 bilhões em um cassino em Osaka.
Segundo estimativas de economistas, os cassinos podem gerar uma receita de 2 trilhões a 3,7 trilhões de ienes, o equivalente a US$ 18 bilhões e US$ 34 bilhões por ano, além dos 30% de impostos sobre a receita arrecadados pelo governo.
Os cassinos, cuja construção terá início em 2022 em três cidades do Japão, fazem parte de um complexo de resorts com hotéis, salão de conferências, lojas, restaurantes e espaços para eventos.
Mas muitos temem que os cassinos estimulem ainda mais o vício do jogo no país. Em 2017, uma pesquisa do governo mostrou que 3,2 milhões de japoneses tinham o hábito regular de apostar em partidas de futebol, loteria, corridas de cavalos, bicicletas, lanchas e motocicletas.
Em uma tentativa de limitar o acesso aos cassinos, os cidadãos japoneses terão de pagar 6 mil ienes para frequentá-los, com o ingresso restrito a três vezes por semana ou dez vezes por mês. A entrada será gratuita para turistas estrangeiros.
Os japoneses se opõem à legalização dos cassinos. De acordo com uma pesquisa recente da agência de notícias Kyodo, 65% dos entrevistados foram contra a abertura dos cassinos e só 26% apoiaram o projeto.
Na opinião de Noriko, que não joga há 14 anos, a legalização dos cassinos aumentará o número de viciados em jogo. Existem poucos especialistas em compulsão por jogos no Japão e, por isso, o governo precisará destinar uma verba de 5 bilhões de ienes para custear programas de ajuda aos dependentes de jogos de azar. (Opinião e Notícia)