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Acareação – Relatório final da CPI da Loterj/RioPrevidência pedirá prisão dos indiciados.

22/06/2004

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A acareação entre o ex-presidente da Loterj Waldomiro Diniz e o empresário do ramo lotérico Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, nesta segunda-feira (21/06), em Goiânia (GO), levantou dados conclusivos para a CPI da Loterj/Rioprevidência. Segundo o presidente da CPI, deputado Alessandro Calazans (PV), com o que foi apurado durante a acareação é possível fechar o relatório sobre os crimes cometidos por Diniz e Cachoeira. "Não tenho dúvidas de que foram cometidos crimes como corrupção ativa e passiva, prevaricação, além de afronta à Lei de Licitações. Enquanto Waldomiro Diniz foi presidente da Loterj, ele usou o cargo para auferir favores pessoais, desviou-se de suas funções com objetivos escusos e a CPI vai recomendar sua prisão ao Ministério Público", revelou Calazans.

Durante o depoimento, que durou duas horas, Cachoeira estava visivelmente nervoso e Waldomiro constrangido. Segundo Waldomiro, Cachoeira teria ligado cinco ou seis vezes para ele antes da publicação da matéria na revista Época que deflagrou a crise no Palácio do Planalto, em fevereiro deste ano. O ex-presidente da Loterj disse que não atendeu os telefonemas e Cachoeira negou que tenha feito as ligações. A CPI vai esclarecer quem está mentindo quando analisar o sigilo dos telefones que Waldomiro usava em Brasília, quando ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares, subordinada à Casa Civil.
Numa conversa em 2002, Waldomiro teria cobrado de Cachoeira o cumprimento fiel do contrato de exploração de jogos online, vencido pelo Consórcio Combralog e teria ameaçado rescindir o contrato. O empresário teria ameaçado Waldomiro, dizendo ter provas contra ele. O ex-presidente da Loterj respondeu que nada lhe devia. Cachoeira teria replicado que Waldomiro lhe devia sim, os R$ 100 mil doados à campanha do Magela (Geraldo, candidato ao governo de Brasília em 2002, pelo PT). Cachoeira negou a chantagem.
"As mentiras continuadas mostram que eles se associaram em quadrilha para lesar o Estado do Rio de Janeiro", disse um dos relatores da CPI, deputado Paulo Melo (PMDB).
Diniz lembrou também que depois que Mino Pedrosa ligou para ele, em 2003, Cachoeira fez contato e pediu para que ele esquecesse aquilo. "Mino é da minha confiança", lembrou.
Única investigação ainda em curso no Brasil, depois de quatro meses do escândalo que abalou o Governo federal, a CPI achou necessária a acareação por achar cerca de dez pontos contraditórios nos depoimentos anteriores de Cachoeira e de Waldomiro Diniz.
O próximo passo da CPI será a ida do presidente Alessandro Calazans ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ou ao STF, ainda esta semana, para pedir novamente a quebra do sigilo bancário de Waldomiro Diniz, negada pela 5ª Vara Criminal do Rio. A CPI vai pedir também a quebra do sigilo de Paulo Waires, tesoureiro da campanha de Magela.
Viajaram para Goiânia para participar da audiência os deputados Alessandro Calazans (PV), Paulo Melo (PMDB), Luiz Paulo (PSDB), Gilberto Palmares (PT) e Geraldo Moreira (PSB).

Informações conflitantes:

Os dez pontos divergentes entre os depoimentos do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, dados à CPI da Loterj. A comissão é composta por deputados estaduais do Rio de Janeiro que estiveram em Goiânia ontem para dar prosseguimento às investigações.
EXTORSÃO E MUDANÇA NO EDITAL
·  Cachoeira diz que Waldomiro tentou extorqui-lo ao utilizar o edital da Hebara. O ex-assessor introduziria no mesmo a loteria on-line, exclusiva do Consórcio Combralog, de propriedade de Cachoeira.
·  Para se defender, Waldomiro alega que a fita foi gravada com intuito de chantageá-lo.
GRAVAÇÃO DA FITA E O INTERESSE DE CACHOEIRA PELAS MÁQUINAS DE BINGO NO RIO
·  Waldomiro Diniz afirma que Carlos Cachoeira gravou a fita para chantageá-lo, e fala sobre o desejo do empresário em ter o controle dos jogos nas máquinas de videoloteria (no período em que presidiu a Loterj).
·  Cachoeira nega e diz ser vítima de extorsão.
PROPINA DE 1%
·  Cachoeira afirma que o valor de 1% que teria sido negociado era uma extorsão de Waldomiro Diniz para que fosse mudado o edital da Hebara.
·  Waldomiro diz que era para ajudar um amigo, Armando Dili.
CONTRATAÇÃO DE ARMANDO DILI
·  Waldomiro diz que Carlos Cachoeira lhe solicitou a contratação de Armando Dili, conselheiro informal da Loterj e da Combralog.
·  Cachoeira afirma que a contratação foi uma imposição de Diniz.
PEDIDOS FEITOS
·  Carlos Ramos diz que na reunião que foi gravada ocorreram alguns pedidos feitos por Waldomiro. Entre eles, 1% do contrato, doação para campanhas políticas de Geraldo Magela, Rosinha Matheus e Benedita da Silva, além da partilha de R$ 3 milhões.
·  O ex-assessor nega tudo, exceto a doação de R$ 100 mil para a campanha de Magela.
DOAÇÃO DE CAMPANHA
·  Waldomiro admite que recebeu de Carlos Cachoeira R$ 100 mil, entregues para a campanha de Geraldo Magela.
·  Cachoeira diz que não “entregou um centavo”.
PREPARAÇÃO DA CONVERSA GRAVADA POR CACHOEIRA
·  Waldomiro Diniz conta que foi junto com Armando Dili se encontrar com Carlos Cachoeira, provavelmente na sala 705, na Torre do Rio Sul. E que no trajeto foi orientado por Dili sobre como entabular a conversa com o empresário, possivelmente sobre o percentual de 1%. A CPI descobre que Waldomiro chega ao escritório 12 minutos depois de Dili.
·  Cachoeira não confirma.
TENTATIVA DE COMPRA DO CONTRATO DA MONTREAL
·  Waldomiro Diniz afirmou que os interesses de Carlos Cachoeira eram de comprar o contrato da Montreal, que tinha sido embargado pela Justiça.
·  Carlos Cachoeira diz que queria apenas fazer uma joint-venture.
CUMPRIMENTO POR PARTE DA COMBRALOG DO CONTRATO ASSINADO COM A LOTERJ
·  Cachoeira relata que sofreu ameaças relacionadas ao contrato da Combralog, e por isso decidiu gravar a fita. Ele atribui a ameaça à colocação de um edital que previa a divisão do controle dos jogos on-line.
·  Já Waldomiro Diniz diz que em momento algum Carlos Cachoeira cumpriu o contrato assinado.
A ENTRADA DA PICOSOFT
·  Sobre a ida de Armando Dili até a Coréia, há no depoimento de Waldomiro Diniz a atribuição de que foi Carlos Cachoeira quem o mandou ir verificar as condições da Picosoft.

·  Cachoeira afirma que Dili foi em nome da Loterj.

Ascom Alerj