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Advogada de Goiás quer legalização do jogo do bicho

28/11/2001

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A advogada Eliane Rocha, que representa o grupo Look – apontado como o maior na exploração do jogo do bicho em Goiás -, diz que a polícia não vai encontrar as pistas que espera dentro dos computadores que foram apreendidos na central da empresa, na Vila Canaã, no último dia 20. “Eles esperam encontrar mágica dentro dos computadores. Não verão nada além de números, cálculos. Só se meus clientes fossem muito inocentes para deixar informações no computador”, afirma Eliane. “As expectativas serão frustradas.
Encontrarão uma relação de cambistas e a folha de pagamento dos funcionários, que foram os grandes prejudicados”, prevê a advogada. Segundo ela, a Look emprega 10 mil pessoas, das quais quase 80% são aposentados ou deficientes físicos. A reportagem de O POPULAR constatou ontem à tarde que vários pontos de recebimento de apostas do jogo do bicho continuam funcionando, entre os quais cinco no Centro, um em Campinas, um no Setor Bela Vista e outro no Setor Pedro Ludovico.Eliane Rocha garante que a Look suspendeu seu sorteio regional e assegura que os resultados que continuam sendo divulgados em rádios de Goiânia referem-se a sorteios realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. O secretário de Segurança Pública e Justiça, Demóstenes Xavier Torres, avalia que o jogo do bicho é uma atividade que deve ser acompanhada continuamente. “À medida que eles forem retomando, buscando novas formas, faremos outros tipos de abordagem”, diz. “O mais importante é atingir a cabeça e isso nós conseguimos”, acrescenta Torres. Ele acredita que continuam em atividade menos de 10% da estrutura de antes da ofensiva policial. Sobre a previsão da advogada de que a polícia não encontrará nada nos arquivos – a perícia criminal nos computadores teve início ontem -, o secretário acredita que haverá informações disponíveis.
“Se não acharmos nada, vamos continuar lutando até encontrar em outra fonte”, afirma. Não há previsão sobre o término dos trabalhos de perícia. A advogada solicitou à Delegacia Estadual de Investigações Criminais cópia da folha pagamento que está nos arquivos dos computadores. Ela diz que a operação que fechou os locais de aposta e as centrais aconteceu no dia em que teria início o pagamento dos funcionários. Aos olhos da Justiça trabalhista, eles não são funcionários, não têm direitos, porque os contratos são considerados ilícitos, mas eles recebem bons salários e em dia. Têm plano de saúde, seguro de vida”, relata.
Carros apreendidos
Eliane Rocha acrescenta que os funcionários não estão trabalhando e tiveram seus carros, todos particulares, apreendidos. A advogada afirma que o interesse dos empresários da Look – segundo ela, uma espécie de cooperativa – é legalizar a atividade e pagar impostos. “Tanto o jogo do bicho como as loterias legais estaduais e federais são prognósticos de números, jogos de azar. Não vemos por que não legalizar, já que existe o lado social”, propõe.
A representante da Look cita o exemplo das máquinas caça-níqueis, que eram consideradas ilegais e saíram da clandestinidade graças a uma portaria do governo estadual, que formalizou contrato através da extinta Loteria do Estado de Goiás (LEG), hoje Superintendência de Loterias. Eliane diz que vários dos nomes apresentados pela polícia como suspeitos de integrar o jogo do bicho são seus clientes em outros ramos empresariais. Ela conta que mantinha uma extensão de seu escritório na sede da Look e que documentos não relacionados ao assunto foram recolhidos e citados pela polícia como pertencentes ao mesmo caso.
O Popular – GO – Carla Borges