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Após morte de segurança por coronavírus, cassinos fecham novamente no estado do Arizona

19/06/2020

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As mesas de jogos de um dos cassinos da empresa Gila River: todos foram fechados nesta quinta-feira
Em meio ao aumento de casos de novo coronavírus, vários hotéis e resorts de cassino do Arizona, nos EUA, que reabriram em meados de maio após dois meses parados, anunciaram fechamentos temporários, por pelo menos duas semanas, para reavaliar os procedimentos de segurança e ajudar a reduzir a propagação da doença.
De acordo com a imprensa americana, o Gila River Hotels & Casinos fechou na madrugada desta quinta-feira suas três propriedades – Wild Horse Pass, Lone Butte e Vee Quiva. O Casino Arizona e o Talking Stick Resort também fecharam. Shows e eventos em todas as cinco propriedades – administradas pelo braços corporativos de comunidades indígenas do Arizona – já foram cancelados ou adiados.
O fechamento, segundo o jornal “Arizona Republic”, ocorre após relatos de casos de Covid-19 nos cassinos da Gila River e questionamentos, tanto de funcionários como da comunidade, sobre sua capacidade de fazer o suficiente para impedir a propagação do vírus. E uma semana depois da morte de um segurança do Lone Butte Casino, Robert Washington, 68 anos, de Covid-19.
A filha dele, a jornalista esportiva Lina Washington, disse que o pai ficou preocupado com as medidas de segurança quando voltou ao trabalho, em meados de maio. “No dia seguinte à reabertura, ele falou: ‘foi horrível, foi horrível. A fila estava virando a esquina. … Oitenta por cento das pessoas não usavam máscaras'”, contou ela ao “Arizona Republic”. Ao contrário de outros cassinos na área da capital Phoenix, os hotéis e cassinos Gila River exigiam apenas que os funcionários usassem equipamentos de proteção individual. Os clientes foram incentivados, mas não obrigados.
Lina assegurou que isso expôs seu pai, que era diabético e havia recentemente vencido um câncer de próstata. “Ele poderia estar vivo hoje se não se sentisse obrigado a voltar ao trabalho para obter seus benefícios médicos e seguro de vida como um diabético de 68 anos. Eu não acho que ele gostaria que eu colocasse suas informações e seu rosto em todos os jornais, mas para mim isso era 100% evitável”, criticou ela: “Este não será o único caso e não é a única vez que alguém perderá o pai por causa de algumas pessoas negligentes que não respeitam o fato de que essa pandemia é muito real”.
A jornalista contou que não foi contactada pelo cassino e está preocupada com os funcionários que interagiram com ele, que não haviam sido notificados sobre o que houve com Robert. “O fato de eles não saberem que meu pai morreu me leva a acreditar que os funcionários nem sabiam que ele estava doente. Ele trabalha lá há quanto tempo e você não está dizendo às pessoas? Você sabe que ele deu positivo porque foi você quem o testou e disse para ele não ir ao trabalho”.
Lina espera que a história do pai provoque mudanças. “Não é correto que esta doença e a negligência de seu empregador sejam seu legado”, disse ela. “Ele não merecia isso. Não é justo e, como filha dele, continuo com seu legado para corrigir as coisas e garantir que não haja mais ninguém que tenha esse tipo de dor”.
A direção do Gila River se negou a informar ao “Arizona Repúblic” o número de funcionários que testaram positivo para o coronavírus, dizendo que não divulgarão as informações para “proteger a privacidade” dos trabalhadores. Autoridades da Comunidade Indígena Gila River, que administram o Wild Horse Pass, o Lone Butte e o Vee Quiva, afirmaram ao jornal que reforçaram suas medidas na semana passada, para tornar as máscaras obrigatórias para os hóspedes. Mas com o aumento dos casos do vírus no estado como justificativa oficial, a decisão foi tomada para fechar novamente. (Jornal EXTRA)