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Aposentado garante ser ganhador de prêmio milionário da Mega-Sena.

17/01/2003

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Aposentado que teria ganhado cerca de 19 milhões de reais na loteria se diz vítima de golpe. Orival Silva, um viúvo de 80 anos de idade e analfabeto, antes de acionar a reportagem do Jornal da Manhã tentou receber seu prêmio pelas vias administrativas, mas lhe foram repassados apenas 1.100 reais quando seu prêmio seria de exatos R$18.979.599,50.
Ele seria o único ganhador da Mega-Sena sorteada no último dia 28 de dezembro. O prêmio que, na Caixa Econômica Federal, prometeram depositar em sua conta bancária, no prazo máximo de cinco dias, até hoje não foi pago.
Orival, que já teria ganho prêmios milionários pelo menos outras três vezes, recebendo normalmente, quer agora que o Ministério Público Federal entre no caso.
Na redação do Jornal da Manhã, na noite de ontem, o aposentado detalhou seu drama. Acompanhado de advogado e uma testemunha, Orival denunciou que funcionários da agência da Caixa, na Avenida Leopoldino de Oliveira, se apoderaram do bilhete premiado, tendo ele ficado apenas com uma fotocópia do documento.
O prêmio seria resultando do concurso nº 0425, quando ele comprou três bilhetes. Além de ter ganho a Mega-Sena, Orival também foi premiado, naquele concurso, com a quadra em um dos jogos feitos naquela oportunidade.
O bilhete premiado no jogo de R$3,00, ele comprou de um cambista brasiliense no dia 26 de dezembro, quando foi resolver problemas na capital federal. Ao retornar a Uberaba, no fim daquele mês, foi conferir o jogo, tendo constatado que tinha em mãos o cupom premiado com as dezenas 06 – 10 – 16 – 34 – 42 e 47. Quando da conferência, ele teria contado com a ajuda de uma funcionária do hospital onde o aposentado vem se submetendo a tratamento de saúde, quando ele teve o cuidado de providenciar fotocópia dos três jogos que tinha em mãos.
Ao constatar que ganhou na Mega-Sena e na quadra, ele procurou uma agência lotérica da Rua Artur Machado. No local, apresentou os dois bilhetes originais, novamente confirmando-se que ele tinha acertado na Megasena. De pronto recebeu R$159,42 relativo à quadra, sendo orientado a procurar a Caixa para receber a Mega-Sena. Tendo nas mãos o bilhete premiado, bem como estando acompanhado de testemunha, ele se apresentou no dia 3 deste mês, como sendo o ganhador, o que teria sido confirmado minutos depois na agência.
Ainda conforme Orival, lhe solicitaram o CPF e a Carteira de Identidade. Ao informar que era correntista daquela instituição financeira, pediram que ele fornecesse o número da conta, prometendo depositar o valor do prêmio em cinco dias e retendo o bilhete premiado. Naquela oportunidade, chegou a receber, de uma das pessoas que ele não nominou para a reportagem, quantia de 200 reais. No quinto dia, como o dinheiro não foi depositado, ele voltou ao banco, quando lhe deram outros 900 reais.
Na última terça-feira ele voltou à agência, novamente sem que o problema fosse resolvido. Aliás, naquela oportunidade, teriam lhe dito que seu prêmio era de apenas R$18.979,00, o que irritou o denunciante. Por suspeitar que estava sendo ludibriado, foi até o lado de fora e chamou uma viatura da Polícia Militar. Entretanto, não foi lavrada ocorrência tendo ele sido orientado a acionar a Promotoria de Defesa do Consumidor.
Preocupado com o passar do tempo sem solucionar a questão, o aposentado decidiu, na quarta-feira, contratar o advogado Carlos Mozart Gonçalves. A primeira providência adotada pelo profissional foi entrar em contato com a agência, mas sem êxito, pois os gerentes estariam fechados em reunião.
Ontem ele conseguiu ser recebido com seu cliente, tendo o cuidado de levar duas testemunhas para acompanharem a conversa, bem como acionou a Polícia Federal. Durante a reunião houve a negativa de que o bilhete original tivesse sido retido pela agência, bem como informaram que houve um único ganhador naquele concurso, mas que o premiado com quase 19 milhões de reais era de uma cidade paulista. Também ficou acertado, na presença dos agentes federais, que seria aberto um processo administrativo na própria Caixa, o que não contempla o queixoso. Nas próximas horas o advogado contratado deve entrar com ação judicial.
A reportagem também tentou colher a versão da Caixa Econômica Federal. Mas como a denúncia só chegou ao Jornal da Manhã por volta de 21 horas, não foi possível falar na instituição. Também foi tentado contato com o gerente Henrique Marras, em ligação para seu celular. Entretanto, até o fechamento da edição ele não tinha retornado o recado deixado na caixa postal do aparelho. A expectativa é que o banco se posicione nas próximas horas.
Jornal da Manhã (MG) – Gislene Martins