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Apostas esportivas são oportunidade perdida em Macau

28/09/2016

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O especialista Muhammad Cohen, que escreve para a revista Forbes sobre o panorama do jogo no Continente asiático, defendeu que a criação de ‘lounges’ para assistir e apostar em eventos desportivos é uma “oportunidade de ouro” que está sendo desperdiçada no território, onde apenas uma empresa – a Macau Slot – permite estas apostas.

“O calendário desportivo tem uma grande variedade de eventos. Podíamos ter tido festas de assistência dos Jogos Olímpicos Rio 2016 nos cassinos de Macau, se houvesse salas de qualidade, com belos telões, bom ambiente, comida, bebida, onde as pessoas podem apostar, ao invés de ficarem em casa vendo os jogos sozinhas”, defendeu Muhammad Cohen.

“É uma oportunidade de ouro e todos estão olhando para o lado. Se olharmos para a situação de Macau, neste momento, não há soluções milagrosas que tenhamos a certeza que vão funcionar. Isto seria uma coisa a tentar”, disse Cohen, que é também um dos editores da revista Inside Asian Gaming. O analista referia-se à queda das receitas dos cassinos durante mais de dois anos, entre junho de 2014 e o passado mês de agosto.

As apostas esportivas estão, atualmente, concentradas na empresa Macau Slot, cujo contrato foi este ano renovado até 2021. Em 2015, a concessão tinha sido renovada por apenas um ano, gerando esperança de uma abertura do mercado, mas tal acabou por não se verificar.

Cohen lembrou que “os números atuais da Macau Slot são minúsculos”: em 2015 a empresa teve lucros líquidos de 138,4 milhões de patacas, fruto de 8,1 bilhões de patacas em apostas. O analista sublinhou que os espaços existentes estão “tão longe de serem os mais modernos ‘lounges’ de apostas desportivas como uma bicicleta está de um Ferrari”: “Quem é que sabe que a Macau Slot existe, além de um número reduzido da população local? A Macau Slot podia, por si, criar espaços para assistir e apostar em eventos esportivos, mas não o fez, por isso, acho que devemos deixar os cassinos fazerem isso”, defendeu o especialista.

Para Cohen, não se trata de uma questão estritamente monetária, mas de criar variedade na oferta e atrair outro tipo de público.

É o caso, disse, dos turistas indianos, grandes fãs esportivos, que vêm a Macau, mas “não acham [a cidade] muito acolhedora, acham os cassinos locais pouco divertidos, caros, onde toda a gente está muito séria”.

“Com um bar aberto 24 horas podem ver-se todos os jogos, a Primeira Liga Inglesa, os jogos de futebol europeus que acontecem a meio da noite, etc. Além disso, as apostas esportivas vão trazer alguma emoção à sala. Provavelmente iam ter pessoas vendo os jogos, fazendo barulho, aplaudindo, entusiasmando-se quando algo acontece. Por vezes entramos em alguns cassinos de Macau e o ambiente é um pouco fúnebre. Hoje em dia nem sequer temos o som das moedas caindo das máquinas, não parecem locais divertidos”, considerou.

Para Muhammad Cohen, os cassinos seriam as estruturas ideais para acolher estes ‘lounges’, até porque, lembrou, os novos projetos foram construídos para acolher largas centenas de mesas de jogo mas, devido ao limite imposto pelo Governo, terão de funcionar com menos.

“O Governo tem uma mentalidade pequena e nunca soube bem o que fazer com as apostas esportivas. Também não acho que as operadoras pensaram bem no assunto”, disse, especulando que, quando terminar este contrato da Macau Slot, dentro de cinco anos, algumas operadoras de jogo estarão em processo de renovação das suas licenças e talvez abordem o tema.

Contatada pela agência Lusa, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos disse que “de momento, o Governo não tem qualquer plano para abrir as operações de apostas esportivas”.

“No entanto, o Governo está disposto a ouvir a opinião pública e qualquer plano que seja feito vai depender da capacidade de ajudar Macau a transformar-se num Centro Internacional de Turismo e Lazer”, disse o regulador. (Ponto Final – Macau – Com Agência Lusa)