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As apostas são a aposta da vez

01/03/2019

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Jorge Avancini*

No início de fevereiro, o futebol brasileiro foi surpreendido com a notícia do patrocínio master da casa de apostas esportivas NetBet ao Fortaleza. Embora consagrado na Europa, esse segmento nunca esteve explicitamente presente por aqui.

O mais perto que passamos dele foi a relação com a marca “Loterias Caixa”, da Caixa Econômica Federal – até outro dia, o principal patrocinador de duas dezenas de clubes.

Os leitores e leitoras com mais ou menos 40 anos talvez até se lembrem da simpática zebra que aparecia no noticiário televisivo das noites de domingo, anunciando o resultado dos jogos – e, por consequência, da famosa loteria esportiva.

Depois disso veio a marca “Timemania” – outro produto da Caixa -, cujo objetivo, ao menos em tese, era ajudar os clubes a amortizarem suas dívidas com o Governo Federal a partir da arrecadação de apostas esportivas.

Houve, ainda, em ações mais regionais, algumas tentativas de parceria comercial com as apostas do tipo “raspadinha”. Em contrapartida, o poder público ou empresas privadas exploravam as marcas institucionais dos clubes.

E se nunca fomos além quando relacionamos futebol e apostas esportivas, é porque até o final de 2018 não havia regulamentação no País para que essa relação fosse estabelecida. A lei que autoriza o patrocínio de clubes brasileiros por sites de aposta só foi aprovada em 14 de dezembro último.

Com o advento das redes sociais e a consolidação da internet como recurso praticamente indispensável à sobrevivência humana, era inevitável que as apostas eletrônicas fossem liberadas por aqui também – ainda mais se considerarmos o crônico problema de caixa dos clubes.

Mas se antes da regulamentação o dinheiro dos torcedores que já apostavam ia para fora do País, os clubes não recebiam por essas apostas e o Governo não recolhia impostos sobre essas operações, agora o cenário é outro.

Assim como fez o Fortaleza, os clubes poderão procurar os players do segmento, oferecendo-se como plataforma de comunicação para esse tipo de negócio, numa evidente sinergia que poucos outros mercados patrocinadores podem proporcionar.

Entendo, porém, que primeiramente será preciso quebrar a barreira da desconfiança que o mercado de apostas ainda representa por aqui – na minha opinião, herança do velho jogo do bicho, enquadrado na Lei das Contravenções Penais (embora até hoje explorado pelos apostadores).

Se o patrocínio esportivo de sites de aposta agora é uma prática comercial reconhecida por lei, num primeiro momento não vejo razão para os clubes abdicarem da oportunidade de prospectá-los como parceiros em potencial.

Por outro lado, a gestão dessas empresas precisa ser tão profissional quanto a de qualquer outra, de qualquer segmento, de modo que a relação estabelecida entre as partes seja transparente, em primeiro lugar, e de ganha-ganha, por consequência (vou cometer a inconfidência de relevar que já ouvi profissionais reclamarem de métodos pouco ortodoxos de negociação de algumas dessas empresas).

Isto posto, sim, as casas e sites de apostas são a aposta da vez no futebol brasileiro. Só entendo que não devemos voltar a cometer o erro de colocar todos os ovos na mesma cesta, a exemplo do que aconteceu com muitos clubes em relação à Caixa Econômica Federal.

Se trabalhado com profissionalismo por ambos os lados do negócio, o segmento pode ser uma larga tábua de salvação para os cofres combalidos das agremiações brasileiras.

(*) Jorge Avancini veiculou o artigo acima no portal Marketing Esportivo.