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As apostas sobem no Hipódromo da Gávea com os portões fechados

14/07/2020

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Com o limite de apenas duas programações, os páreos saem com campos equilibrados, e com um número médio de concorrentes

A exemplo do que aconteceu nas duas programações da semana passada, o Movimento Geral de Apostas (MGA), do Hipódromo da Gávea voltou a ultrapassar a barreira dos R$ 700 mil reais. Mais precisamente, R$ 760.009,12, no domingo (12), e R$ 718.514,35, na segunda-feira (13). O crescente aumento das apostas, que na primeira semana da liberação das corridas, teve média de MGA de apenas R$ 430 mil, se justifica plenamente. Em primeiro lugar, pela adaptação gradativa do público de maior faixa etária com a possibilidade de jogar pela internet. Além disso, alguns outros turfistas optaram pela comodidade de se cadastrar no Tele Turfe, e ver os páreos em casa e apostar sem maiores atribulações.

Com o limite de apenas duas programações, os páreos saem com campos equilibrados, e com um número médio de concorrentes. Não acontecem páreos com campos numerosos, que dificultam o apostador e tiram a sua motivação de investir. Por outro lado, raramente existem provas com poucos concorrentes, pela necessidade da Comissão de Corridas de aproveitar, ao máximo, a oportunidade de dar chance aos proprietários de correrem os seus animais. É claro que existem limites nesta dinâmica. Por mais engenhosa e competente que seja a formação das corridas, fica difícil acomodar em duas programações de 9 páreos, o que anteriormente era dividido em quatro reuniões, com 34 ou 35 carreiras.

O calcanhar de Aquiles do handicapeur do JCB, Vicente Brito, nesta chamada de quatro programações é conseguir acomodá-las em 15 dias, ou seja, em duas reuniões por semana. Ocorre então, a impossibilidade de dar maiores opções aos treinadores para inscrever cavalos da mesma chamada, no mesmo conjunto de programas. O animal que está adaptado a um determinado percurso tem de esperar mais tempo, do que de hábito, para ter um páreo favorável. Isto, as vezes precipita a inscrição numa distância não recomendada, para que o animal não fique longo tempo sem correr. Este fator acarretaria expressivo prejuízo financeiro ao seu proprietário. Algo assim, como se fosse um cobertor curto, no tempo de temperatura baixa.

Para o Jockey Club Brasileiro tem sido excepcional a progressão do Movimento Geral de Apostas. Com apenas duas reuniões, a entidade se aproxima, aos poucos, do faturamento individual de cada uma, no período anterior a pandemia. E o pagamento dos prêmios dos páreos, com desconto de 40%, também tem ajudado. Em pouco tempo, o clube abaterá o prejuízo acarretado pela Covid 19. São tempos difíceis, sem receber os aluguéis dos bares e restaurantes localizados no próprio prado, fechados temporariamente. Além disso, houve a despesa com a ajuda aos profissionais durante este período. O que ajudou muito o JCB foi o plano do governo, de suspensão temporária dos contratos de trabalho de alguns funcionários. O clube pagou apenas 30% dos salários e o governo se responsabilizou pelos outros 70%.

Se por um lado, o Jockey Club Brasileiro ainda vai relutar bastante, no retorno das quatro reuniões semanais, de outro tem lutado para reabrir os portões do hipódromo. A realização de um maior número de programas acarreta enormes despesas. A começar pela energia elétrica com a iluminação da pista, em caso de alguma corrida noturna. Há também, enorme quantidade de funcionários que precisam ser mobilizados para os diferentes serviços com a presença de público. Limpeza, banheiros, guichês de apostas, infraestrutura de diversos setores num espaço gigantesco. Porém, a abertura dos portões é vista com simpatia pelos dirigentes. Existe um público reduzido, porém fiel, principalmente das maiores faixas etárias que têm nas corridas o seu maior entretenimento. Para estas pessoas, a impossibilidade de entrar no hipódromo, conviver com os amigos e participar de forma presencial das corridas, vem sendo dolorosa. Mas, apesar dos esforços, não tem sido fácil a negociação com as autoridades governamentais para liberar a entrada do público. (Raia Leve – Páreo Corrido – Paulo Gama)