Home Bingo Blitz lacra caça-níqueis do Bingo Imperador
< Voltar

Blitz lacra caça-níqueis do Bingo Imperador

06/12/2002

Compartilhe

O Bingo Imperador, recém-inaugurado na Avenida Sumaré, zona oeste, teve suas 267 máquinas de videobingo – os caça-níqueis – lacradas ontem pela polícia e pelo Ministério Público. Instalada numa área de 4,2 mil metros quadrados, a casa abriu em 28 de novembro.
As máquinas serão examinadas pelo Instituto de Criminalística (IC) no próprio bingo e voltarão a ser lacradas. O objetivo do laudo pericial é comprovar que se trata de jogo de azar, proibido no País. Se isso for confirmado, o bingo pode ser fechado, explicou o delegado Manoel Camassa, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Apesar de não ter alvará e ter sido multado pela Subprefeitura de Pinheiros, o Imperador continuou funcionando.
Camassa e os promotores Eder Segura, Levi Emanoel Magno e Rodrigo Canelas, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), determinaram a apreensão dos computadores e documentos fiscais.
O proprietário da casa, Jair da Ressurreição, que tem outros bingos (Angélica e Francisco Matarazzo), além da casa noturna Villa Country, não apareceu. O gerente financeiro Sérgio Camargo acionou os advogados. Os poucos apostadores que já estavam no bingo quando a polícia chegou, às 14 horas, foram liberados.
Um inquérito foi instaurado por Camassa para apurar crimes de sonegação fiscal, exploração de jogo de azar, formação de quadrilha e estelionato, que estariam sendo cometidos pelo Imperador. O delegado e os promotores receberam da subprefeitura o processo com a multa aplicada contra o Imperador, no dia seguinte à inauguração, e a promessa de regularizar a situação em poucas semanas.
“O proprietário ficou de providenciar o alvará e o bingo vai continuar funcionando. Mas sem as máquinas fica difícil, porque pelo que apuramos o dinheiro entra mesmo pelos caça-níqueis”, revelou Camassa, que preside outros 25 inquéritos contra donos de bingos em São Paulo.
Bebidas – O delegado fez uma visita à adega do bingo e apreendeu 35 garrafas de bebidas estrangeiras sem o selo do pagamento de imposto. “Isso é contrabando e terão de explicar como conseguiram a bebida.”
Não existe no País regulamentação para o funcionamento dos bingos. A Associação Brasileira de Bingos (Abrabin) informou que não há também lei que proíba sua criação nem que coloque essas casas como locais de contravenção.
Para o presidente da Abrabin, Olavo Sales da Silveira, o bingo é “uma atividade lícita, porém desregulamentada.
O Estado de S.Paulo – Renato Lombardi