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A ‘Turma da Jogatina’ perdeu

09/10/2018

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O tempo tem sido um forte aliado para assistirmos a derrota de alguns atores políticos que protagonizaram a ‘Turma da Jogatina’. Aquela que ao longo dos últimos anos profetizou hipocritamente contra a legalização do setor de jogos de azar.

Neste domingo, às urnas foram cruéis com alguns deles como o senador Magno Malta (PR-ES). Responsável pelos dois principais eventos no Senado, o requerimento de Plenário para que o PLS 186/14 fosse apreciado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ e a autoria do voto pela rejeição da proposta aprovado pelo colegiado o senador não se reelegeu. Obrigado capixabas!

Inclusive, a não eleição do senador Magno Malta poderá comprometer a estrutura do Movimento Brasil Sem Azar, aquele do lobby para manter o jogo na clandestinidade. Toda estrutura e alguns membros são patrocinados pelo gabinete do senador capixaba. O Coordenador do Movimento, Paulo Fernando foi candidato a deputado distrital (PATRIOTA) pelo Distrito Federal e não se elegeu. Mesmo sabendo que o senador capixaba é alinhado com o favorito candidato à presidência Jair Bolsonaro, entendemos que a ausência de um mandato reduzirá a influência e o poder em um provável futuro governo.

Uma curiosidade

O senador Magno Malta perdeu a eleição para um candidato assumidamente gay. Com 1,1 milhão de votos, Fabiano Contarato (Rede) foi o postulante mais votado do Espírito Santo e será o primeiro senador da história homossexual assumido. A segunda vaga ficou com Marcos do Val (PPS), com 863 mil votos. Eles derrotaram os atuais senadores do estado: Malta e Ricardo Ferraço (PSDB).

Paraná também puniu

Os paranaenses também calaram os discursos do senador Roberto Requião (MDB-PR) e, principalmente do deputado anti-jogo Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) ao não os reeleger. A vontade dos eleitores também rebaixou para a Câmara dos Deputados a senadora Glesi Hoffman (PT-PR), que sempre foi contrária a legalização. Agora a parlamentar será mais uma entre os 513 e não mais uma entre os 81 da Câmara Alta.

Além do Malta e Requião, outros parlamentares que sempre atrapalharam a legalização no Senado como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) não estarão no Plenário na próxima legislatura. Outros dois atores políticos também saem da cena como o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) eleito governador de goiás e o ex-senador, ex-procurador e governador do Mato Grosso, Pedro Taques, que não foi nem para o segundo turno.

As urnas puniram sem piedade a ‘Turma da Jogatina’.

Perdas significativa entre os favoráveis

Mas as urnas também foram caprichosas com alguns dos defensores da legalização e membros da Frente Parlamentar pela Aprovação do Marco Regulatório dos Jogos como o presidente e vice-presidente, César Halum e Nelson Marquezelli, respectivamente, além do deputado Goulart e do senador Benedito de Lira (PP-AL), que não se reelegeram. Eles vão fazer falta.

Ainda não temos elementos para avaliar se a próxima legislatura será melhor ou pior para o processo de legalização, mas sabemos que não teremos que começar do zero e a oposição será menor com a exclusão de alguns aguerridos atores políticos da ‘Turma da Jogatina’.

Pelo menos no Senado já sabemos que o ambiente será melhor. Na Câmara ainda estamos analisando o perfil dos novos parlamentares eleitos no último domingo.

Ameaça dos cassinos-resorts

A reeleição dos parlamentares do DEM, que patrocinam a proposta de legalização dos cassinos-resorts exclusivos, vai estimular nova tentativa de aprovação da ‘Lei Sheldon Adelson’ ainda este ano no Plenário da Câmara. A tentativa, que não contemplará bingos e jogo online, será em novembro.

Eleição presidencial será importante

O segundo turno das eleições presidenciais será muito importante para o processo de legalização, pois será muito mais fácil aprovar os projetos de lei sobre o setor com o apoio do Executivo.

Apesar da candidatura do Jair Bolsonaro valorizar a questão de costumes com forte oposição ao aborto, as drogas e a união homoafetiva, a legalização dos jogos não foi colocada dentro deste pacote durante o primeiro turno das eleições. Jair Bolsonaro abordou a possibilidades e legalização em um almoço de campanha na Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ.

Somente metade da bancada evangélica na Câmara foi reeleita

Apenas metade da bancada evangélica da Câmara dos Deputados foi reeleita e deve voltar à Casa na próxima legislatura. Dos 82 deputados ativos na bancada, 37 foram reeleitos como deputados federais, ou seja, 45%. É um dos menores índices de renovação das quatro principais bancadas suprapartidárias do Congresso – servidores, evangélicos, bala e agronegócio.

A bancada evangélica foi também a que proporcionalmente mais tentou a reeleição neste ano. De acordo com os registros de candidaturas, 84% dos 82 parlamentares que compõe esse grupo tentaram garantir um retorno ao mesmo cargo no próximo ano. Um dos que não concorreu ao cargo de deputado federal, foi o Cabo Daciolo (Patriota-RJ) que concorreu à Presidência da República.

Assim como a bancada da segurança, também chamada de “bancada da bala”, a dos evangélicos deve ganhar novos parlamentares, principalmente com a ascensão do PSL, de Jair Bolsonaro e a tendência é de crescimento do lobby. Para a próxima legislatura, um dos objetivos deste grupo é evitar mudanças em questões ligadas ao aborto e às drogas.

Oficialmente, há 182 integrantes em exercício na Frente Parlamentar Evangélica (FPE). No entanto, 105 deputados pertencem a outras religiões e entraram com suas assinaturas somente para viabilizar a criação da frente. Os 84 parlamentares representam 23 Estados, 21 legendas e 19 denominações evangélicas. O grupo, liderado na Câmara pelo deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), que não foi reeleito, oficializou apoio a Bolsonaro.

Comento: não dobrou

As lideranças evangélicas tinham a esperança de dobrar a bancada na próxima legislatura. O fato de não ter crescido é mais um fator positivo para os defensores da legalização, pois a bancada evangélica tem sido opositora a legalização dos jogos.

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