Home Blog Dinheiro das apostas esportivas
< Voltar

Dinheiro das apostas esportivas

10/10/2019

Compartilhe

O apostador brasileiro paga, a empresa estrangeira ganha uma boa grana e o governo brasileiro não vê a cor dos impostos

Enquanto o governo brasileiro não edita regras confiáveis para operadores de apostas no futebol, agências estrangeiras agem livremente no Brasil, via internet, com direito a chamadas nos canais pagos de televisão e patrocínios de suas marcas em clubes de peso. O apostador brasileiro paga, a empresa estrangeira ganha uma boa grana e o governo brasileiro não vê a cor dos impostos.

Governo perde dinheiro

Em 2018, o então presidente Michel Temer (MDB) promulgou a Lei nº 13.756/2018, tornando legal a atividade de apostas esportivas de quotas fixas, isto é, aquelas em que se define quando o apostador ganhará em caso de acerto. Mas o atual governo ainda não regulamentou essa prática e, por isso, perde em torno de R$ 4 bilhões ao ano, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas. O Ministério da Fazenda trabalha num texto, depois que abriu consulta pública para atrair empresários do setor.

Falta regulamentar a atividade

“Dos oito mil sites de apostas esportivas existentes no mundo, 500 oferecem jogos do futebol brasileiro, e, 50 têm versões em português”, diz o advogado Pedro Tregngrouse, professor da FGV, especialista no assunto. Esses sites têm sede em outros países, e para que operadoras Brasileiras passem a receber apostas, falta o Ministério da Economia regulamentar a atividade, quando concederá licenças mediante o pagamento de taxas.

Patrocínio ao futebol

A partir da legalização deverá ocorrer patrocínio ao futebol, como já ocorre em outros países. O Fortaleza, por exemplo, já tem parceria com o site NetBet, que paga para expor a sua marca na camisa dos jogadores. Já o Flamengo, fechou com a Sportbet.io até o fim do ano, mas sem a exposição da marca na camisa do clube. O Fluminense acertou com a KB88 e expõe a marca no uniforme.

Fabricação de resultados

Os investimentos vêm em ótimo momento, pois desde o início do atual governo, a Caixa deixou de patrocinar clubes de futebol. O sistema de apostas, porém, provoca boa discussão quanto à lisura dos jogos diante das suspeitas de “fabricação de resultados”, como já demonstrou o escândalo, da Máfia do Apito, em 2005. Mas este é assunto para próximo comentário. (Edgar Lisboa – Repórter Brasília – Jornal do Comércio – RS)