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Bolões rendem lucro extra às casas lotéricas.

12/07/2004

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BLUMENAU – A relação de confiança une os apostadores que procuram as lotéricas para participar de bolões. Mesmo que a Caixa Econômica Federal (CEF) não reconheça esta forma de jogo, o bolão não é considerado ilegal. "É uma relação de confiança que se estabelece com o dono da lotérica", explica o consultor de loterias da CEF de Blumenau, Jorge Luiz Bruxel. "Como uma franquia, o estabelecimento pode oferecer outros serviços além dos previstos pela Caixa".A confiança, no entanto, está presente na necessidade do cliente precisar voltar à loja onde ganhou – a Caixa não aceita o comprovante da cota para distribuir o prêmio. "Só é possível liberar o dinheiro com o bilhete premiado, que fica na lotérica", informa Bruxel.
Nem mesmo o ganho acima da aposta normal – o ágio variável cobrado pelas lotéricas – é restringido pela Caixa. "A diferença é usada para cobrar este serviço a mais, no qual o lotérico tem gastos com papel, carimbo e impressão das cotas, entre outros", diz Bruxel. De acordo com ele, já houve casos de bolões de lotéricas em Blumenau que ganharam prêmios. O dinheiro foi dividido de acordo com o previsto nas cotas. Mas Bruxel avisa: "Basta surgir o primeiro problema para que o bolão acabe".Jogadores confiam na banca de apostas.
Responsável pela consultoria em 87 lotéricas espalhadas em 40 cidades do Vale do Itajaí, Bruxel aponta que a população tem uma boa confiança nas casas de apostas. A entrega de benefícios sociais e a arrecadação de contas de água, luz e telefone ocorrem, em sua maior parte, dentro destes estabelecimentos. "A pessoas confiam nas lotéricas. Aqui na região, por exemplo, cerca de 60% das faturas são pagas ali", informa o consultor da Caixa.Casas adotam comprovantes diferenciados para as apostas.Quando o cliente entra em uma casa lotérica para fazer uma aposta, ele começa a sonhar com o prêmio. Vislumbra a oportunidade de ter a casa ideal, de dirigir um carro importado, de viajar o mundo, de ajudar parentes e amigos. Para aumentar as chances desta imaginação tornar-se realidade, o cliente pode estabelecer uma relação de confiança com o local de apostas: comprar a cota de um bolão da própria lotérica.O comprovante do bolão muda de acordo com o estabelecimento. O mais comum é um papel que, além das dezenas apostadas, contém o carimbo e a assinatura do dono da lotérica. É o único documento que torna público que a aposta é feita juntamente com outras pessoas. Diferentemente do bolão feito em empresas, clubes e outros locais, na lotérica as pessoas desconhecem com quem estão apostando. Qualquer cliente do local pode ingressar em um bolão.O presidente do Sindicato das Empresas Lotéricas do Estado de Santa Catarina, Frank Paulo, diz que o bolão serve como uma maneira da pessoa comprar um produto que não conseguiria sozinho. "Oferece-se um jogo com maior probabilidade de ganho por um preço menor", explica Paulo.
Ele ressalta a confiança entre empresários e clientes. "Nunca ouvi falar de qualquer falcatrua", disse o proprietário de agências lotéricas em cidades do Litoral do Vale do Itajaí.Rateio mais famoso distribuiu R$ 25 milhõesO caso mais famoso de bolão ocorreu duas semanas atrás, quando um grupo de 36 pessoas de Brasília ganhou um prêmio de mais de R$ 25 milhões da Mega-Sena. Todos os ganhadores compraram uma cota do bolão de uma lotérica no Distrito Federal. O rateio ocorreu sem incidentes, e cada acertador recebeu aproximadamente R$ 714 mil para cada pessoa.  Jornal de Santa Catarina – Alex Gruba