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Câmara dos Comuns apóia polêmica lei de cassinos.

10/11/2004

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A Câmara dos Comuns apoiou nesta segunda-feira o polêmico projeto de lei do governo britânico que permitirá a proliferação no país de supercassinos, ao estilo de Las Vegas, nos EUA, apesar da rebelião de cerca de 30 deputados trabalhistas.
Depois de um intenso debate de mais de seis horas, 286 parlamentares votaram a favor do chamado "Projeto de Lei do Jogo" e 212 votaram contra.
Opuseram-se à "lei dos supercassinos" o Partido Conservador, primeira força da oposição; os liberal-democratas, terceira formação britânica; e cerca de 30 deputados "rebeldes" do Partido Trabalhista, liderado pelo primeiro-ministro Tony Blair.
Os detratores do projeto vêem na expansão desses cassinos um fenômeno que poderia aumentar de modo alarmante o número de viciados no jogo.
A ministra da Cultura, Tessa Jowell, insistiu, porém, que a idéia do governo protegerá "os fracos e vulneráveis", como os menores de idade, ao mesmo tempo que viabilizará um regime regulador mais rigoroso.
Em linhas gerais, o projeto contempla a anulação da maioria das restrições que pesam sobre a indústria do jogo no Reino Unido, o que permitirá a instalação de "supercassinos", onde milhares de máquinas caça-níqueis poderão funcionar sem limite de prêmios.
Segundo o projeto de lei, a abertura de um cassino não se limitará no futuro a certas áreas permitidas hoje em dia – afastadas de escolas e lugares religiosos -, e também não será exigido dos clientes uma carteira de membro, como se faz atualmente.
O porta-voz dos conservadores, John Whittingdale, criticou o governo, dizendo que a proposta "abre a porta a um tipo de cassino nunca visto neste país" e não limita o número desses estabelecimentos que poderão ser abertos.
Na rua, os britânicos se mostram muito divididos sobre o Projeto de Lei do Jogo, de acordo com pesquisa publicada hoje no diário "The Daily Telegraph".
A sondagem, feita pela firma YouGov, destaca que só 5% dos entrevistados apóiam firmemente o projeto, contra 17% que se opõem radicalmente. O restante não expressou uma opinião definitiva sobre a legislação trabalhista.
A Igreja da Inglaterra também tomou partido e rejeitou o projeto de lei em carta publicada hoje no "The Daily Telegraph", na qual expressa oposição à medida que, no seu entender, abriria caminho para uma forma muito viciante de jogo.Agência EFE