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Cassinos deixam índios americanos em pé de guerra

25/03/2002

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NOVA YORK. Na batalha por territórios e cassinos, os guerreiros vão aos tribunais e lançam mão de armas típicas do homem branco.
Enquanto os índios seneca fazem lobby e se preparam para abrir três cassinos na região oeste do estado de Nova York, os mohawk tentam usar uma justificativa territorial para tomar o lugar dos oneida na operação de novos cassinos na região das montanhas Catskill, no centro-sul do estado.
Desde os anos 80, os índios têm o direito de operar jogos nos estados em que são permitidos. Naquela década, eles passaram a promover bingos na esteira da proliferação das loterias estaduais. “Hoje, o jogo de apostas freqüentemente é a única fonte viável de emprego e receitas governamentais viáveis para tribos”, relata o Centro de Informação de Aposta e Cassino do Índio Americano.
A tribo oneida administra o cassino Turning Stone, em Verona, e a mohawk o Akwesasne, na fronteira com o Canadá. Além dos três novos cassinos dos seneca, haverá mais dois ou três em Catskill, um dos quais poderá ser dos mohawk.
Já os oneida de Wisconsin entraram na Justiça contra proprietários de terras usadas comercialmente ou abandonadas em duas regiões de Nova York. A luta envolve 200 anos de história: para os oneida de Wisconsin, o estado comprou as terras ilegalmente. Eles também querem abrir um cassino.
Os mohawk, em sua luta contra os oneida, sustentam que a região das montanhas Catskill sempre esteve em sua área de ação, embora sua reserva fique longe dali. Eles estão fazendo gestões para que o governador George Pataki se pronuncie a favor deles. Em jogo, um possível cassino no valor de US$ 500 milhões.
— O fato de aquelas terras não estarem em litígio não significa que não se tratem de terras ancestrais — diz o advogado dos Mohawk, Brad Waterman.
Para a Confederação Haudenosaunee, que reúne seis nações Iroquoi, dos quais Mohawk e Oneida fazem parte, o jogo é benéfico somente para controle estatal sobre terras indígenas.
— Nova York só tem uma política indígena: eliminar os Iroquoi por meio de traição e fraude. O apelo do jogo é a última tática para minar nossa posição como um povo livre e separatista — diz o colunista Mohawk Doug George Kanentiio.
O Globo – RJ – Toni Marques