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Cassinos e Resorts Turísticos: o Brasil ainda pode acertar após a experiência dos bingos.

10/02/2004

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Após trabalhar em alguns hotéis e resorts, consegui uma oportunidade no cassino Las Palmas, situado nas Ilhas Canárias. Assim, iniciei meus estudos sobre o polêmico tema do jogo relacionado ao lazer e ao turismo. Na Espanha, a relação destas áreas é evidente, e somente grandes hotéis-cassinos ou complexos turísticos (os conhecidos resorts) podem empreender nesta área, a exemplo do que acontece em grandes centros mundiais do jogo-entretenimento, tais como: Las Vegas e Atlantic City nos Estados Unidos; Sun City na África do Sul; Macau na Ásia; entre outros. 
O jogo aliado ao lazer e ao turismo movimenta trilhões de dólares anualmente em todo o mundo. Uma relação econômica imbatível e que tem gerado vários efeitos positivos, tais como: aumento das cifras do turismo receptivo internacional, como o número de entradas, do gasto médio/dia e permanência dos visitantes; aumento de divisas, impostos e investimentos nos locais onde se instalem; aumento do número de empregos diretos e indiretos; promoção de uma imagem de destino completo e de qualidade, competindo com mais vantagens sobre seus concorrentes; construção de novos hotéis e resorts, além do aumento da rentabilidade e ocupação daqueles já existentes; estímulo a eventos especiais como congressos e convenções, espetáculos, competições desportivas, festivais de música e cultura, reduzindo a sazonalidade dos pólos turísticos e geração de diversos benefícios nas comunidades, como melhorias na educação, saúde, segurança pública e infra-estrutura básica.
Vários estudos científicos comprovam que os impactos positivos se sobrepõe aos negativos (especialmente vício, lavagem de dinheiro e crime organizado) quando o jogo é implantado, administrado e controlado com rigor e honestidade. Mas no Brasil esta relação ainda não está clara, pois uma inquietação ainda não foi respondida pelo governo e especialistas do tema: qual a presença apropriada e o papel do jogo na sociedade brasileira? A resposta objetiva e rigorosa deve ser dada por uma Comissão Nacional de Jogos, caso contrário nossa nação corre risco de continuar na polêmica, na falta de informação e na ausência de ordem na indústria do jogo.
No caso dos bingos, por exemplo, as incertezas do setor continuam a prejudicar empresários sérios; o próprio governo que parece não receber o que poderia em impostos e ao se expor com denúncias mafiosas comprovadas ou não; e, a própria sociedade que não recebe todos os benefícios que deveria. Por que investir no esporte e não na educação e na pesquisa por exemplo? Parece que os legisladores da época não levaram em conta as experiências dos outros países com relação a este tema, abundantes por sinal. 
É necessário afastar os medos e incertezas e basear-se em feitos reais. A história ensina os porquês da igreja no combate ao jogo e os porquês do poder público na hora de legalizar os cassinos. Inclusive, historicamente, a maioria dos governos que se sentiam ameaçados pela indústria do jogo agiram como alguns estados da federação agem atualmente, proibindo totalmente a atividade até que nova legislação e novo controle entrem em vigor. 
A ignorância já não é mais uma desculpa para más experiências, além do que muitos valores já foram modificados desde a década de 1940. Entre os temas que abordarei nos artigos para o BNL, um deles é a forma com que muitos governos e empresários encaram esta atividade. As pesquisas nos mostram que a maioria dos países do mundo utilizam os bingos como uma opção de entretenimento para a comunidade local e os cassinos para os turistas.

Atualmente o Brasil experimenta mudanças rápidas por meio do mercado globalizado, e por isso, ajustes criativos, como o relançamento de produtos maduros, podem ajudar a resolver os problemas macro-socioeconômicos endêmicos e incuráveis do país.
Dario Paixão é Doutorando em Turismo e Desenvolvimento Sustentável, Bacharel e Mestre em Turismo, Coordenador dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Turismo do Centro Universitário Positivo e Presidente do Fórum de Coordenadores de Turismo e Hotelaria do Paraná.