Home Cassino Cassinos indígenas aumentam receita e geram polêmica nos EUA.
< Voltar

Cassinos indígenas aumentam receita e geram polêmica nos EUA.

20/07/2004

Compartilhe

Agência EFE S/A
Os cassinos se tornaram uma importante fonte de renda para tribos indígenas dos Estados Unidos, a julgar pelas últimas cifras, mas o negócio é motivo de uma polêmica com implicações financeiras e legais em Nova York.
Os cassinos sob controle dos índios arrecadaram, no ano passado, mais de 16,7 bilhões de dólares, o que representa um aumento de 2 bilhões de dólares em relação ao ano anterior, equivalente a 13,7 por cento, segundo um relatório provisório apresentado esta semana pela National Indian Gaming Commission (Niga – Comissão Nacional Indígena do Jogo) a seus membros.
Um estudo independente do economista Alan Meister apresenta resultados parecidos, com renda de 16,2 bilhões de dólares em 2003 e um crescimento de 12 por cento em relação a 2002.
Meister calcula que a renda dos cassinos que não pertencem às tribos, embora ainda sejam muito superiores (28,8 bilhões de dólares), cresceram no ano passado apenas 1,4 por cento.
Os cassinos em reservas indígenas surgiram como uma forma de reduzir a pobreza desta população, gerar empregos e usar os lucros do jogo para melhorar os serviços sociais, a educação e a proteção ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que o estado aumentava sua arrecadação.
Desde que o Congresso legalizou a criação de cassinos em terras de índios, em 1998, o Escritório para Assuntos Indígenas dos EUA foi inundado por pedidos de tribos que buscam reconhecimento federal, um pré-requisito para desenvolver esta atividade.
Existem mais de 350 estabelecimentos para jogos de azar administrados por 224 tribos, seis deles no estado de Nova York, segundo a Niga.
O Escritório para Assuntos Indígenas tem atualmente mais de 200 requerimentos pendentes de resolução, entre elas as dos Shinnecock, que são reconhecidos pelo estado de Nova York, mas não pelo governo dos EUA.
O procurador-geral Eliot Spitzer e a cidade de Southampton bloquearam temporariamente seus planos de construir um cassino em Long Island, mas uma decisão judicial poderá abrir caminho para o projeto.
Em junho, a tribo "cayuga" chegou a um acordo financeiro com o governo estadual de Nova York que dava sinal verde à abertura de um cassino na região de Catskills em troca de que deixasse de lado sua reivindicação sobre terras no norte do estado.
Os analistas acham que o projeto, que competiria diretamente com a "meca" do jogo na costa leste, Atlantic City, e os cassinos de Connecticut, poderia ser uma mina de ouro por sua proximidade à cidade de Nova York, onde o jogo é proibido.
Segundo o governador George Pataki, o cassino na região de Catskills será uma importante fonte de emprego e de crescimento para uma área em decadência.
No entanto, tanto em Long Island como em Catskills há opositores, que temem sofrer um aumento do tráfego de veículos e da insegurança, além de danos ao meio ambiente, entre outros problemas.
Negócios situados perto de reservas indígenas sempre se queixaram da perda de clientela, porque produtos como a gasolina e o álcool vendidos pelas tribos não estão sujeitos aos impostos locais, estaduais e federais e, por isso, seu custo é menor.
Alguns adversários dos cassinos destacam que, segundo a própria Niga, apenas 25 por cento dos funcionários destes estabelecimentos – de um total de 400.000 pessoas – são membros de tribos.
Além disso, afirmam que estados com apenas 3 por cento da população indígena dos EUA ficam com 44 por cento da renda total, enquanto aqueles que reúnem metade da população de índios recebem só 3 por cento.
Os críticos também questionam as alianças das tribos com investidores privados, que levam boa parte dos lucros.
Em seu depoimento a um comitê parlamentar, Jeff Benedict, fundador da Aliança do Connecticut Contra a Expansão de Cassinos, afirmou que investidores como Donald Trump, dono de cassinos em Atlantic City, gastam milhões de dólares para ajudar as tribos a obter reconhecimento federal.

Depois eles os ajudam a abrir centros de jogos em lugares onde não concorram com os estabelecimentos comerciais.