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Cassinos politicamente corretos

06/06/2002

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Esqueçam os grandes hotéis iluminados, os impecáveis shows com mulheres atraentes e aquele ar de falcatrua que paira sobre os cassinos de Las Vegas, nos Estados Unidos. O ambiente é praticamente o mesmo, porém os três cassinos do Quebec – a sempre independente província francesa do Canadá – têm um toque extra de charme e requinte e, principalmente, uma filosofia diferente.
As barulhentas máquinas de caça-níquel estão por todos os lados, assim como as mesas de jogos, espalhadas pelos quatro cantos dos salões. Há poucas janelas e não há relógios por lá. E os clientes, bem, são na maioria uma horda de velhinhos tentando a sorte ao apostar parte das economias conseguidas ao longo de uma vida.
Entrar em um cassino é, seguramente, estar num universo de sonho e riqueza. Mesmo que, no fim da noite, a carteira saia mais vazia do que quando entrou.
Estatal
A tal filosofia dos cassinos quebequenses aparece logo de cara. Afinal, trata-se de uma estatal. Isso mesmo, uma empresa administrada pelo governo da província. É, sem dúvida, para dar a impressão de honestidade e transparência que outros cassinos do mundo não têm.
Todos ali são funcionários públicos. Nada mal, já que no Canadá o serviço público funciona. De acordo com pesquisas, os quebequenses gastavam por ano mais de R$ 135 milhões em outros cassinos. E, 75% deles, gostariam de desembolsar essa bolada em locais próximos de suas casas. Pronto, em três anos o governo canadense construiu três cassinos.
Outra explicação é que o governo quer conseguir mais turistas e cassinos são um ótimo chamariz. “Isso atrai mais pessoas”, diz o representante para o mercado latino-americano do Tourisme Québec, Michel Gagné. E a atividade tem tudo para se firmar como forma de diversão também para turistas. “Ir ao cassino é como sair à noite”, explica Claude Noël, da Sociedade de Cassinos de Québec, empresa pública que gerencia os três cassinos.
Parece que o brasileiro gosta de um joguinho no Canadá. Só no verão de 1998, 8 mil pessoas do País foram ao Cassino de Montreal. “É surpreendente”, diz a diretora de Vendas da Sociedade de Cassinos , Michelle Elfassy. “Sem contar os quebequenses, o número de brasileiros só é menor do que o de americanos, que aliás, são os que mais freqüentam os cassinos.”
Assim, em se tratando de empresas do povo, todos, desde que sejam maiores de idade, podem entrar nos cassinos. E de graça. Basta estar dentro das regras. Nada de usar bermuda ou querer tirar fotos, por exemplo.
Há, entretanto, toques do que é politicamente correto. Por isso, nem tente beber enquanto estiver na área de jogo. Bebidas alcoólicas só são vendidas nos bares dos cassinos. E só lá podem ser consumidas. Álcool e jogo, dizem, não combinam.
Desde que os cassinos foram criados, em 1993, o Estado mantém um programa de recuperação para viciados em jogo. Essas pessoas podem até assinar um “contrato”, no qual ficam proibidos de entrar nos cassinos por até dois anos. Coisa de Primeiro Mundo.
Os três cassinos estão localizados em pontos estratégicos do Quebec. O maior deles fica em Montreal, a charmosa e próspera ilha bilíngüe da bela província. Outro fica na pequena Hull, bem ao lado de Ottawa, a capital do país, encravada já na parte inglesa do Canadá. O último, mais recente e elegante, está em Pointe-au-Pic, um vilarejo agradabilíssimo da região de Charlevoix, também às margens do Rio Saint-Laurent, a cem quilômetros da cidade de Quebec.
Grandeza
Inaugurado em 1993, o Cassino de Montreal ocupa hoje o prédio onde, em 1967, foi erguido o pavilhão da França na Exposição Mundial, na Ilha de Notre Dame. E se expande para o pavilhão do Quebec, construído ao lado. Fica, de carro, a menos de dez minutos do Centro e é um dos 15 maiores cassinos do mundo, com capacidade para mais de 9 mil pessoas, num investimento inicialmente orçado em cerca de R$ 92 milhões. Outras reformas custaram mais R$ 196 milhões.
O cassino rende, diretamente, empregos a 3.200 cidadãos, funcionando por 24 horas, 365 dias por ano. Em seus mais de 47 mil metros quadrados, foram acondicionadas 3 mil caça-níqueis e 118 mesas de jogo, entre blackjack, roleta, pôquer e baccara, por exemplo. Dos três, é o único que tem um cabaré com shows. Não há hotel ligado ao cassino, como ocorre em Las Vegas.
O Cassino de Hull, às margens do Lago Leamy, fica a quatro quilômetros de Ottawa. Por sua proximidade com os Estados Unidos, os americanos são os estrangeiros mais vistos. Inaugurado em 1996, é o mais novo dos três cassinos, com capacidade para 5 mil visitantes. Em seus quatro andares estão espalhadas mais de 1.400 caça-níqueis, além de 55 mesas de jogo. Funciona diariamente das 11h às 3h.
Nesse cassino, aliás, será realizada uma grande festa para marcar a virada do ano. Chamado de Harmony 2000, o evento é considerado desde já um dos mais importantes do Canadá. Gratuito e ao ar livre, a primeira apresentação vai ocorrer no dia 31 de dezembro. Depois disso, entre 17 de maio e 13 de setembro de 2000, haverá reapresentações às quartas-feiras. Serão shows pirotécnicos e de luzes e o que os canadenses chamam de “extravaganza multimedia”, com efeitos especiais em três dimensões.
Construído em parceria com um hotel, o Cassino de Charlevoix está ao lado do imponente Le Manoir Richelieu Resort, com 405 quartos, que pertence à rede hoteleira Canadian Pacific. Pequeno, com capacidade para 1.700 pessoas, o cassino fica aberto das 10h às 3h e é, sem dúvida, uma das poucas opções de entretenimento da região.
Jornal da Tarde – SP – (H.V.) A viagem de Hector Vilar foi oferecida pela Canadian Airlines e pela Societé des Casinos du Québec