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Cassinos vão a concorrência em Portugal após 90 anos de apostas

02/07/2018

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Neste domingo, dia 1º de julho, Portugal comemorou 90 anos de legalização dos cassinos

No início do século passado ia-se às praias de Espinho ou da Póvoa de Varzim para estar na pataqueira a jogar à batota. As expressões ficaram no idioma, mas as ações foram para sempre interditadas. A 3 de dezembro de 1927, uma ditadura militar sem “clientela eleitoral” legalizava o jogo em Portugal, acabando com casas clandestinas, as “pataqueiras”, e fixando as apostas de fortuna ou azar autorizadas – o “monte”, ou a tal “batota”, ficava de fora. Passados pouco mais de seis meses, a 1º de julho de 1928, entravam em funcionamento as primeiras explorações legais de jogo no país.

Em 90 anos de jogo legal, que se assinalam neste domingo, muito mudou e pouco mudou. As populares roletas da sociedade balnear já contam pouco. O grosso das receitas do setor entra pela via das slot machines e, cada vez mais, pelas apostas online, legalizadas em 2015. Deixou de haver zonas temporárias de jogo e o mapa dos cassinos entrou pela capital. Mas as concessões mantêm-se ainda hoje com um sistema de monopólios regionais e o jogo ficou para sempre associado ao turismo, com quase quatro quintos dos impostos cobrados a financiarem a máquina de promoção do país no exterior. A tributação aos casinos, que desde início ia até aos 50%, também pouco se alterou.

As regras do jogo podem mudar dentro de ano e meio, ou pode ficar tudo como está. Em 2020 chegam ao fim as concessões nos casinos Estoril, Lisboa e Figueira da Foz, que representam mais de metade das receitas brutas do jogo em cassino em Portugal (52% no ano passado). E apenas três anos mais tarde, em 2023, caducam os contratos do Algarve, Espinho, Póvoa de Varzim, e Madeira. Só os cassinos dos Açores, Chaves e Troia, com concessões até 2033, deverão ficar fora dos novos concursos públicos para zonas de jogo de Portugal. Mas, até aqui, não há novidades a dar, dizem o Ministério da Economia e o Turismo de Portugal. (Diário de Notícias)

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Receitas dos cassinos portugueses crescem na carona da economia e turismo

Cassinos que operam no país contabilizaram receitas de jogo de 75,8 milhões de euros. A confiança na economia e o crescimento do turismo alavancaram o negócio

Os cassinos portugueses estão beneficiando da confiança da economia e do crescimento do turismo no país. A atividade do jogo nas 11 salas nacionais gerou, no primeiro trimestre do ano, receitas de 75,8 milhões de euros, um aumento de 5,7% face ao mesmo período de 2017. O Casino de Lisboa mantém-se a estrela do setor, mas parece não estar capitalizando esta conjuntura.

“Há uma maior confiança na economia, o rendimento disponível dos portugueses aumentou e também o crédito ao consumo”, a somar a estes fatores “o número de turistas cresceu significativamente”. É desta forma que Mário Assis Ferreira, vice-presidente do grupo Estoril Sol, o maior do setor, justifica o aumento das receitas dos cassinos. Ainda assim, frisa que “estes resultados não compensam os anos de perdas consecutivas de receitas” devido à concorrência ilegal do jogo online. Manuel Violas, presidente do grupo Solverde, aponta também o momento favorável da economia e o incremento de turistas como motores para o crescimento do negócio.

O Casino de Lisboa registrou um volume de receitas com o jogo de 21 milhões de euros nos três primeiros meses do ano, assegurando uma quota de mercado de 27,8%, segundo dados fornecidos pela Associação Portuguesa de Casinos. No entanto, quando comparado com o mesmo trimestre, o negócio do jogo cresceu apenas 1,87%. Dentro do universo do grupo Estoril Sol, responsável pelas concessões de Lisboa, Estoril e Póvoa de Varzim, destaca-se uma melhor performance do Casino da Póvoa que, entre janeiro e março, gerou receitas de 11,5 milhões, mais 6,5%. O Casino do Estoril, o maior da Europa, atingiu os 15,7 milhões, um aumento de 6,1%.

O universo Estoril-Sol gerou, assim, receitas de 48,3 milhões no primeiro trimestre do ano, um aumento de 4,3%. Já o grupo Solverde contabilizou proventos de 20,9 milhões no período em análise, um crescimento de 10,5%. Segundo Manuel Violas, que explora os cassinos do Algarve, Espinho e Chaves, “os investimentos constantes na renovação de equipamentos”, no sentido de atualizar a oferta de jogos, e a “aposta nos espetáculos e na promoção” estão a repercutir-se na melhoria dos resultados.

Algarve em alta

Os três cassinos do Algarve (Vilamoura, Praia da Rocha e Monte Gordo) registraram um crescimento de 13,8%, para 7,1 milhões. Este incremento foi impulsionado pelo efeito Páscoa, altura do ano em que o Algarve recebe muitos turistas. Aliás, e de acordo com os dados da APC, as três salas evidenciaram uma boa performance no mês de março quando comparado com o mesmo mês, com crescimentos de 15,2% em Vilamoura, 15% na Praia da Rocha e 24% em Monte Gordo.

Em Espinho, a subida de 10,3% nas receitas dos primeiros três meses traduziu-se em 12 milhões de euros. Já o cassino de Chaves apresentou uma variação negativa, embora marginal, de 0,39%, para 1,8 milhões. Manuel Violas justifica esta quebra com a má performance de março, quando as receitas caíram 8%.

Uma forte queda registrou o Casino de Troia, detido pelo fundo de capital de risco Oxy Capital. Esta sala foi a que apresentou o pior desempenho do setor no trimestre, com receitas de 763 mil euros, uma descida de 18%. O Casino da Madeira, explorado pelo grupo Pestana, também apresentou uma descida nas receitas, embora residual (-0,30%), totalizando dois milhões de euros com a atividade do jogo. Já o Casino da Figueira da Foz, da Amorim Turismo, gerou proventos de 3,6 milhões, um crescimento de 7,6%.

Online sem impacto

Os grupos Estoril-Sol, Solverde e Amorim Turismo não deixaram de aproveitar a oportunidade de explorar plataformas de jogo online, após a regulamentação desta atividade. No entanto, o negócio está ainda no início e tem pouco impacto ao nível das receitas. Mário Assis Ferreira estima que o grupo Estoril-Sol responda por uma quota de mercado de 50% nos jogos de casino online. Contudo, diz, “os casinos online que existem em Portugal continuam a ser bombardeados por sites clandestinos”. E revela: “Em Portugal, 66% das apostas são em sites clandestinos e só 34% em legais”. (Dinheiro Vivo – Sónia Santos Pereira)