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Comunidade repudia comentários machistas do 4bet Poker Team

11/02/2020

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Com a repercussão do caso, o 4bet retirou o vídeo do ar e emitiu um pedido de desculpas nas redes sociais

As mulheres do poker mostraram nesse fim de semana que não deixarão passar batido o machismo no poker. Tudo começou com a publicação do episódio 7 do podcast do 4bet Poker Team, no qual foram realizados comentários machistas aviltando as mulheres.

Participaram do episódio: Marcos Sketch, Júlio Lins e Thiago Crema do 4bet, além dos convidados José Heraldo Vaughan, o “Rádio”, e Beto Burgess, do podcast “O Dono da Verdade”. A partir da marca dos 75 minutos, o assunto em pauta passou a ser mulheres no poker.

Foi nesse momento que diversos trechos chocaram as mulheres que fazem parte do poker. Em certo ponto, Beto chega a afirmar: “Não tem nenhuma atividade humana em que a mulher é melhor que o homem”. Lins chega a dizer “Modelo”, tirando risadas dos outros membros do podcast.

Beto ainda diz que os homens estão nos extremos, tendo mais gênios e também mais “burros”, enquanto as mulheres ficariam na média. Mais para frente, outro infeliz questionamento, objetificando aquelas que fazem parte do meio: “As gostosas que jogam poker são gostosas mesmo ou são gostosas diante de um cenário em que tem pouca…”, aos que os participantes respondem “os dois”.

Não demorou para que dezenas de mulheres se revoltassem nas redes sociais. Organizadas através da Liga Paulista de Feminina de Poker, publicaram uma nota de repúdio, compartilhada centenas de vezes. “Dizer que a genética da mulher a faz menos capaz do que o homem para determinadas atividades, inclusive para o poker, é de uma ignorância profunda e desconhecimento da causa nos dias atuais”, diz um trecho. Confira a nota completa.

Horas depois, com a repercussão do caso, o 4bet retirou o vídeo do ar e emitiu um pedido de desculpas nas redes sociais. “Vamos pensar em uma forma de abrir um novo espaço e ceder nossa plataforma para que o assunto possa ser debatido, com a participação e a voz de outras meninas do segmento”, escreveram. Confira a nota completa.

Não foram apenas as mulheres que se pronunciaram. Nas redes sociais, diversos jogadores também declararam seu apoio às mulheres e repúdio ao que foi dito no podcast.

A CBTH (Confederação Brasileira de Texas Hold’em) também emitiu uma nota sobre o assunto. “A CBTH trabalha todos os dias para o crescimento do esporte e a luta contra o preconceito, inclusive sofremos muito com atitudes preconceituosas contra nossa categoria ao longo da nossa história, portanto nos solidarizaremos sempre com quem quer que seja que sofra efeitos desse comportamento extemporâneo, anacrônico e indevido.” Confira abaixo a nota na íntegra.

O BSOP também se pronunciou nas redes sociais, repudiando qualquer tipo de intolerância. “Gostaríamos de reafirmar ante à comunidade o compromisso de sempre ouvir, respeitar e promover de forma absolutamente igualitária qualquer gênero, raça, credo, opção sexual, condição social ou quaisquer outras distinções que o ser humano possa ter. Nossa cultura interna é de que somos todos uma única espécie; somos todos poker”. Confira abaixo a nota na íntegra.

Flora Dutra é colunista do SuperPoker sobre mulheres no poker, uma especialista no tema. “Enquanto jornalista e colunista do Pocket Poker, minha coluna é destinada única e exclusivamente ao universo feminino”, contou. “Esta ação foi histórica e servirá para abrir novos caminhos para maiores reflexões sobre o machismo e a luta das mulheres, não só no poker como na sociedade em geral”

O SuperPoker não compactua com as declarações realizadas no podcast em questão. O poker é um esporte dos mais inclusivos e nenhum tipo de discriminação é aceitável, tanto na mesa, quanto na sociedade em geral. Ademais, quando se tem uma plataforma que atinge milhares de pessoas e uma imagem de referência na comunidade, uma postura ainda melhor é necessária, pois muitos podem ver tais declarações como uma validação de ideias que há muito tempo deveriam ter sido banidas.

Nos últimos meses, a comunidade do poker brasileira se emocionou com histórias como a de Cláudia Rodrigues e João Paulo Trindade, bradando “Poker é para todos”. Pois bem, hora de mostrar que o jogo realmente é inclusivo e aberto a quem queira, e que esse discurso não serve apenas para momentos que marejam os olhos, mas para todos as situações.

Esta é somente uma primeira matéria sobre o assunto, relatando o ocorrido. Ao longo da semana, vamos promover uma série de conteúdos para reforçar o nosso posicionamento firme de que o poker é um esporte dos mais inclusivos possíveis, e que o grupo SuperPoker repudia qualquer tipo de preconceito.  (SuperPoker)

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Nota de esclarecimento e repúdio da CBTH

A Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH) não compactua, sob hipótese alguma, com atitudes preconceituosas contra qualquer ser humano, seja ele qual for.

Seguimos lutando pela diversidade nas mesas de poker e pelo respeito, independente do gênero, orientação sexual, classe social, raça e credo. Afinal, para nós, todos somos iguais.

Nos últimos anos, as mulheres mostraram para toda a sociedade, com muita coragem, trabalho e empenho, que o lugar delas é onde elas quiserem, principalmente no poker.

Desde a criação da nossa entidade, a CBTH trabalha todos os dias para o crescimento do esporte e a luta contra o preconceito, inclusive sofremos muito com atitudes preconceituosas contra nossa categoria ao longo da nossa história, portanto nos solidarizaremos sempre com quem quer que seja que sofra efeitos desse comportamento extemporâneo, anacrônico e indevido.

Os resultados do nosso trabalho transformaram a modalidade em uma das que mais crescem no Brasil, aumentando gradativamente o número de praticantes, torneios, empregos e a relevância da nossa atividade como um todo. E fizemos isso de forma democrática, dando espaço a todos.

A CBTH repudia, portanto, qualquer ato de preconceito e discriminação; e lamenta o triste episódio ocorrido no último fim de semana envolvendo o conteúdo divulgado no podcast do 4Bet Poker Team.