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Contravenção ou cultura?

08/04/2002

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A exemplo de todo o Brasil, a prática do “jogo do bicho” ou “loteria para todos”, em São Luiz, acontece em várias esquinas da cidade. As pessoas podem apostar nos 25 bichos, a partir do valor de R$0,50. Não existe limite máximo para jogar.
De acordo com informações de um dos funcionários de uma banca na praça João Lisboa, todos os pontos de aposta da capital maranhense pertencem à mesma administração, que também entrega aos ganhadores o dinheiro da premiação. O valor total, ele não quis revelar. Os resultados são diários: às 15h, 18h:30 e 21h:30, aumentando as chances do ganhador.
O jogo do bicho vem se modernizando: os resultados podem ser conferidos nas bancas e, também, pela internet, por meio dos vários sites que divulgam o jogo. Os apostadores pertencem às mais diversas classes sociais e faixas etárias.
A atividade é considerada ilegal, mas garante sua existência através do grande número de apostadores, cuja freqüência é assídua, com alguns já arriscando a sorte há mais de 20 anos. “Não vejo nenhum problema no jogo do bicho. Nós estamos tentando ganhar um dinheiro a mais, inclusive com mais chances do que na loteria”, afirmou o aposentado Gastão de Araújo.
O jogo movimenta, informalmente, milhões de reais. Para muitos, a geração de empregos justifica sua liberação. Outros afirmam que, diferente dos jogos eletrônicos, não vicia. “Há 3 anos trabalho fazendo apostas na loteria para todos, antes disso não encontrava emprego. Mesmo sendo irregular e não tendo carteira assinada, é das apostas que eu tiro o sustento da minha família. Aliás, a legalização deveria ser pensada a partir desse ponto, pois o governo ganharia na arrecadação de uma forma geral”, analisa o vendedor Gilmar Cândido.
Legislação – Para a titular da Delegacia de Costumes e Diversões Públicas, Maria Cristina Resende, a fiscalização do jogo do bicho é muito complexa, pois o fechamento de um local de aposta não impede que outro seja aberto, nem mediante a prisão de alguém, citando como exemplo a ação policial ocorrida há alguns anos no Rio de Janeiro. Ela adianta não existir em São Luiz nenhuma ação da Delegacia de Costumes no combate ao jogo do bicho.
“Na minha opinião como profissional, e não como representante da Gerência de Segurança, o jogo do bicho não é tão prejudicial quanto os jogos eletrônicos, que acabam por viciar as crianças, com muitas mães chegando a procurar a delegacia para denunciar a existência de máquinas de aposta próximas às suas casas, que levam meninos e meninas a usarem o dinheiro disponível”, argumentou, citando ainda a bilharina, como uma forma de vício, pela existência também da aposta entre os freqüentadores.
História do jogo do bicho
O mineiro João Batista Viana Drumond, conhecido como Barão de Drumond, foi quem criou o jogo do bicho, em 1888. O Barão era industrial e sócio do Visconde de Mauá. Foi o fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, que apresentava dificuldades financeiras desde a fundação, e por isso o Barão resolveu criar um sistema que pudesse atrair visitantes ao Zôo, para aumentar a renda. Assim criou o jogo do bicho, com 25 quadros pintados com 25 bichos, cada um com um número, a partir do número 1.
Drumond então escolhia todo dia, um quadro e colocava numa caixa, sempre de manhã.
Ao mesmo tempo, os ingressos possuíam estampados um dos 25 bichos reproduzidos nos quadros. Na parte da tarde, a caixa era aberta e aqueles que possuíssem no ingresso a estampa do mesmo bicho do quadro recebiam o equivalente a 20 vezes o valor do ingresso. Com isso o Barão de Drumond conseguiu aumentar a freqüência dos visitantes do Zôo.
Cinco anos depois, o jogo do bicho, como ficou conhecido, começou a ser bancado também no centro da capital, com o surgimento de outras combinações matemáticas, desvinculando-se do Zoológico e espalhando-se por todos os cantos do Brasil.
Folha do Maranhão – MA – Joelma Nascimento