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Covid-19 e guerra comercial entre EUA e China podem afetar as concessões dos cassinos de Macau

11/09/2020

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Debate sobre as concessões dos cassinos de Macau foi durante a conferência “Macau Gaming – A Reality Check”, coorganizada pela Fundação Rui Cunha e pela MBtv Debates

Os analistas que participaram nesta quinta-feira (10) num debate sobre a indústria do jogo em Macau mostraram-se divididos quanto à extensão das concessões dos cassinos, cujo concurso está agendado para 2022. No entanto, os especialistas do setor assinalaram que a atual pandemia e o contexto de guerra comercial entre EUA e China podem ter um peso político nas decisões futuras.

A extensão das concessões dos cassinos de Macau, cujo concurso está previsto para 2022, pode ser afetada por fatores como a pandemia da Covid-19 e as tensões entre os Estados Unidos e a China. De acordo com o analista David Green, estes dois fatores podem ser razões suficientes para que o Governo adie o concurso e prolongue as concessões de jogo aos operadores no território.

Na opinião de David Green há demasiados riscos “para se tomar uma decisão”, uma vez que a pandemia levou a uma mudança de paradigma no modelo de negócio da indústria do jogo. “Não podemos assumir que a condução de operações de jogo em cassinos depois da Covid-19 vão ser as mesmas que têm sido até hoje. Em primeiro lugar há uma verdadeira pressão para se avançar sem dinheiro. As pessoas não querem lidar com dinheiro devido a preocupações de saúde pública. Em segundo lugar, o distanciamento social nos cassinos vai funcionar muito contra toda a dinâmica do jogo chinês, que é de amontoar os jogadores em torno das mesas de jogo onde decorre toda a excitação. Façam-nos voltar a apostar e aumentem realmente o volume de jogo. Não subscrevo a opinião de que isto pode simplesmente continuar como se nada tivesse acontecido”, afirmou David Green, durante a conferência “Macau Gaming – A Reality Check”, coorganizada pela Fundação Rui Cunha e pela MBtv Debates. (vídeo)

Já o antigo Comissário para os Assuntos Jurídicos da Comissão de Jogos de Macau, Jorge Oliveira, acredita que o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, irá estender as concessões de jogo para além de 2022. Na sua opinião, é necessário o mercado estabilizar para que o Governo possa tomar uma decisão. “Hoje em dia há demasiadas incertezas” disse, referindo-se à crise econômica causada pela pandemia do novo tipo de coronavírus, que a partir de fevereiro atingiu a Macau, devido às restrições fronteiriças e à ausência de turistas.

Nos primeiros oito meses do ano, as perdas dos cassinos em relação ao ano anterior foram de 81,6%. Três concessionárias (Sociedade de Jogos de Macau, Galaxy e Wynn) e três subconcessionárias (Venetian, MGM e Melco) exploram cassinos no território, que há muito ultrapassou as receitas dos cassinos registradas em Las Vegas. “Não seria sensato para já uma decisão”, até porque é necessário esperar por menos incertezas e ver como tudo vai evoluir, e existir um “nível de normalidade antes de uma decisão ser tomado pelo Executivo”.

O analista português recordou ainda o regime jurídico da exploração de jogos de fortuna ou azar em cassino em que “a duração da concessão pode, a título excepcional, ser prorrogada, mediante despacho fundamentado do Chefe do Executivo, por uma ou mais vezes”, num período de até cinco anos. “A prorrogação do prazo de uma concessão pode dar lugar a uma revisão do contrato de concessão, assim como à celebração entre as partes de adendas ao mesmo”, lê-se no regime jurídico.

Já Ben Lee, analista da consultora de jogo IGamix, não acredita que vá haver uma extensão dos contratos de concessão: “O plano de jogo está pronto a ser executado”. Segundo o especialista, a decisão será tomada por Pequim e a guerra comercial com os Estados Unidos poderá ter influência no xadrez dos operadores no território. “Esta é uma oportunidade para reajustar os lugares na mesa”, frisou Ben Lee, recordando o impacto que a guerra comercial entre EUA e China pode ter nas negociações.

Segundo o especialista, as tensões comerciais estão numa fase em que várias empresas têm entrado no palco das disputas como a TikTok, Huawei e que a Sands (cujo presidente executivo é Sheldon Adelson, amigo de Donald Trump e um dos maiores doadores de fundos para a sua campanha presidencial) pode seguir o mesmo caminho. (Ponto Final – Macau)