Crime Organizado X Crime Desorganizado

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O Jornal Nacional da Rede Globo noticiou no último dia 21 de fevereiro as relações do crime organizado internacional com o jogo no Brasil, justo no mesmo dia em que passou a valer a Medida Provisória nº 168/2004 que proíbe os bingos e os caça-níqueis em todo o território nacional. Conforme as evidências noticiadas, a grande maioria das máquinas caça-níqueis do país são trazidas pela máfia italiana, que lava seu dinheiro do narcotráfico comprando na Espanha os componentes necessários para a montagem das máquinas.
Seja sensacionalismo da mídia, ou seja fato consumado, a verdade é que no mundo inteiro os oponentes do jogo, normalmente, apontam o aumento da quantidade de jogos como causa do incremento no número de crimes organizados ou não na região em que estão inseridos.
Classifica-se as infrações relacionadas ao jogo de duas maneiras, aquele que se chama crime de rua, que se divide em violento ou não violento, e a outra é do crime interno, aquele que se comete dentro do estabelecimento, sejam eles cometidos por empregados da empresa, pelo operador por si próprio ou pela infiltração do crime organizado.
Com relação ao crime de rua (drogas, prostituição, violência etc), este normalmente está ligado a fatores socioeconômicos e não à atividade do jogo. Porém, os indicadores destas infrações podem aumentar em destinos turísticos que agregam cassinos, pois o aumento da população local somada a dos visitantes é notória. As divisas geradas nestes destinos geralmente reforçam a segurança e as investigações criminais, procurando minimizar os possíveis efeitos destas atividades.
Já com relação ao crime interno, o mais comum é a infiltração do crime organizado. Na Venezuela, por exemplo, o governo já fechou temporariamente os estabelecimentos chamados cassinos na Isla Margarita, afirmando que estes manejavam ou mantinham relações com o narcotráfico e com narcotraficantes e a lavagem de dinheiro.Mesmo nos países desenvolvidos, esta preocupação é grande. Nos Estados Unidos, verificou-se que os empresários das casas de jogos procuram não se envolver diretamente com corrupção ou lavagem de dinheiro, porém a tendência do crime organizado tem se voltado para a atividade dos fornecedores e às distintas empresas que prestam serviços de apoio para os estabelecimentos de jogo.
Las Vegas levou quase 20 anos (a partir do final dos anos 1950’s) para eliminar o crime organizado das casas de jogos. Normas e regulamentos rígidos, além de um controle eficaz da ação do jogo começaram a limpar a atividade de atos ilícitos e de organizações criminais. Um exemplo para evitar a lavagem de dinheiro é que se alguém em Las Vegas compra mais de 10 mil dólares em fichas, o cassino ou o centro de jogo está obrigado a registrar e revelar o nome da pessoa que está adquirindo essas fichas.Atualmente são as grandes empresas americanas acionistas dos cassinos, como a Shell Oil, MGM e Disney, além das cinco maiores corporações operadoras de cassinos, a Caesars World, Circus Circus Enterprises, Hilton International, Mirage e Harrah’s Entertainment que possuem uma boa reputação e ações na Bolsa de Wall Street em Nova Iorque.
Ainda assim, aqueles que se opõem ao jogo afirmam que a legalização da atividade produz mais corrupção. Porém, mesmo que existam casos isolados por todos os lados, nestas localidades em que a atividade do jogo é levada a sério, atrai-se menos corrupção que em outros setores por seu rígido controle regulamentar e intensa cobertura dos meios de comunicação.
No Brasil, mesmo que o crime organizado seja combatido em várias frentes, a legislação dos jogos ainda é confusa, e por isso, o crime organizado de outros países migram para cá. Baseado na experiência de outros países e nos últimos episódios envolvendo o governo e o jogo, fica claro que é importante fiscalizar também os fornecedores desta indústria.
A primeira impressão é de que o crime desorganizado (como refere-se Elio Gaspari em sua coluna) operado por Waldomiro Diniz levou uma surra do crime organizado, levando o PT repetir a história de muitos governos e cortar o “problema” (na sua concepção foi o jogo e não a corrupção) que causou sua própria desmoralização pela raiz. Os maiores prejudicados desta atitude: os empresários sérios do setor e os mais novos desempregados do país. Mas o problema não é nada simples já que a geração de empregos e divisas para minimizar os problemas sociais é prioridade de Lula. O certo é que este impasse está longe de terminar. O carnaval de liminares já começou, e a regulamentação séria parece ser a melhor saída.   (*) Dario Paixão é Doutorando em Turismo e Desenvolvimento Sustentável, Bacharel e Mestre em Turismo, Coordenador dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Turismo do Centro Universitário Positivo e Presidente do Fórum de Coordenadores de Turismo e Hotelaria do Paraná. 

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