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Diretor da Apae Bauru de São Paulo ganha automóvel e entidade garante lisura no sorteio

11/03/2020

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Roberto Franceschetti Filho e Gisele Aparecida de Camargo Tavares, da Apae, falam sobre o sorteio (Foto: Tainá Vétere)

O coordenador financeiro da Apae Bauru, Renato Golino, foi o ganhador do prêmio principal do mais tradicional sorteio da entidade. Nesta última edição do Festival de Prêmios, encerrada em fevereiro de 2020, o maior vencedor ganhou um automóvel Onix Joy.
Esta não é a primeira vez que um funcionário da associação fica com o item mais importante do sorteio, o que tem levado alguns moradores da cidade a contestarem a lisura do processo. A Apae, contudo, garante que todos os trâmites ocorrem dentro da legalidade, de acordo com regulamentação da Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria (Secap), órgão vinculado ao Ministério da Economia.
A presidente da Apae Bauru, Gisele Aparecida de Camargo Tavares, e o coordenador geral da instituição, Roberto Franceschetti Filho, explicam que o sorteio, que tem caráter filantrópico, é realizado há 22 anos, sempre com a possibilidade de participação dos funcionários.
“As regras são diferentes de um sorteio comercial, como os realizados por empresas. O regulamento não veda a participação de funcionários e o sorteio não pode ser eletrônico. Precisa ser manual, a partir de uma combinação de números dos prêmios da Loteria Federal”, detalha Franceschetti Filho.
Gisele afirma que, todos os anos, envia uma prestação de contas ao órgão regulamentador e que o balanço nunca foi questionado. “Agora, se a Secap decidir que os funcionários não podem participar, iremos repensar a continuidade do Festival de Prêmios, porque são estes 300 funcionários que vendem o maior número de cupons do sorteio”, observa.
Ela explica que os trabalhadores são estimulados a comercializar ao menos 40 números. Se atingirem esta meta, passam a ter direito a um dia extra de folga e, se chegarem a 80, concorrem a prêmios distribuídos internamente entre os empregados da Apae.
PROBABILIDADE
Por conta disso, boa parte acaba comprando cupons remanescentes, que eventualmente não tenham conseguido vender até o final do prazo. “Então, é natural que eles tenham mais chances de ganhar do que quem compra apenas um número”, pondera.
Além de Renato Golino, já ganhou o carro do Festival de Prêmios, em 2015, o primo da secretária executiva da Apae, Cláudia Lobo, em bilhete comprado por ela. Em 2011, outro funcionário também levou um automóvel. A diretoria da associação não soube precisar a quantidade de trabalhadores que já receberam prêmios menores, como TVs, celulares e notebooks.
MINISTÉRIO PÚBLICO
Em 2015, após receber denúncia, o Ministério Público chegou a convocar Cláudia Lobo e outros membros da diretoria da Apae para prestar esclarecimentos sobre o sorteio do Festival. Segundo Cláudia, nenhuma irregularidade foi constatada pela Promotoria, na ocasião.
“Na Apae, só existe boa-fé e não vamos nos deixar levar pela má-fé de quem faz uma denúncia anônima deste tipo, sem provas”, afirma. Já Renato Golino conta que cogitou recusar o automóvel que ganhou por receio de queixas desta natureza, mas que foi convencido pela diretoria a ficar com o prêmio. “Mesmo assim, achei melhor vender o veículo”, diz.
Nesta edição, a Apae arrecadou R$ 140 mil, que serão destinados à manutenção das atividades da entidade. Todos os prêmios sorteados foram doados por parceiros da instituição.
Apuração
Nesta edição mais recente, as vendas dos bilhetes foram encerradas no dia 11 de fevereiro, o sorteio foi realizado com base nos números da Loteria Federal do dia 12 e os nomes dos ganhadores só poderiam ser apurados pela diretoria da Apae no dia 14. Segundo a associação, é o que prevê o regulamento do Secap: que a apuração ocorra somente dois dias após o sorteio.
E é nesta cronologia que reside a dúvida da maioria das pessoas que questionam a lisura do processo. Isso porque os cupons não vendidos são recolhidos no escritório da Apae no dia do sorteio, porém, no intervalo até a apuração, alguns funcionários da entidade poderiam, em tese, ter acesso a estes cupons em branco, mesmo depois de os números da Loteria Federal serem divulgados. A Apae, contudo, afirma que estes bilhetes, mesmo sendo vencedores do sorteio, sempre foram descartados. O contemplado, neste caso, é a pessoa que comprou o número imediatamente superior ou, na falta deste, o imediatamente inferior ao cupom originalmente premiado. (JCNET-Jornal da Cidade de Bauru – Tisa Moraes – SP)