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Diretor da Intralot Brasil critica a falta de legislação no país

18/05/2012

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O diretor de Relações Institucionais da Intralot Brasil, Sérgio Alvarenga conversou com a Coluna sobre o atual momento do mercado e a questão do jogo ilegal no país. Alvarenga criticou a falta de legislação e a omissão do poder público em não legalizar e regulamentar este setor.

BNL – O setor de jogos e loterias no Brasil vive um momento complicado devido a crise provocada pelo escândalo Cachoeira. Como você analisa este cenário?

Alvarenga – São mais de 70 anos de ilegalidade. O Estado brasileiro sempre foi omisso com relação à questão dos jogos clandestinos. Acredito que já passou da hora do poder público discutir, sem demagogia, este tema com a sociedade para retirar esta atividade da zona cinzenta. Se o jogo estivesse legalizado e regulamentado no país, personagens como o ‘Cachoeira’ e outros contraventores do país não existiriam e não estaríamos presenciando esta crise institucional.

BNL – O jogo clandestino compromete as vendas das loterias estaduais?

Alvarenga – Este cenário de ilegalidade atrapalha muito os operadores legais, como a Intralot que opera duas modalidades para a Loteria Mineira. Vale registrar que o apostador tem um orçamento para suas apostas e entretenimento e ao dar preferência ao jogo do bicho ou a máquina de caça-níquel, por exemplo, deixa de apostar nas loterias oficiais. Ou seja, perde o Estado e os projetos sociais vinculados a arrecadação destas modalidades. Além disso, este cenário afasta as grandes multinacionais que poderiam investir no setor no Brasil.

BNL – O Senhor acredita que a CPI do Cachoeira vai prejudicar o setor de jogos?

Alvarenga – Já prejudicou. Primeiro porque o tema está sendo abordado de uma forma negativa pela mídia e pela sociedade. A grande mídia e a maioria dos blogs abordam o tema sob a ótica da ‘jogatina’, que é uma das formas pejorativas de nominar a nossa atividade. Além disso, esta mesma mídia não apresenta para seus leitores os exemplos positivos de outros países e da própria CEF e algumas loterias estaduais. Uma das consequências negativas foi que vários estados estavam estudando a reativação de suas loterias estaduais e recuaram devido ao escândalo Cachoeira.  Ou seja, mais um passo a favor da ilegalidade no país, pois se os Estados e a União não controlarem o jogo, estarão contribuindo de forma efetiva com o jogo ilegal.

BNL – Como o Senhor vê a importância das loterias legalizadas para o Estado?

Alvarenga – Precisamos ter em mente que as loterias legalizadas são mais do que uma forma de entretenimento em todo o mundo. Podemos ser uma excelente fonte de receita para os governos atuando como uma nova fonte de renda. Nos Estados Unidos, por exemplo, o estado de New York com 19,4 milhões de habitantes vendeu em 2010/11 US$ 8,4 bilhões, a Florida com 18.8 milhões de habitantes vendeu US$ 4 bilhões no mesmo período. Nesses estados, os recursos provenientes do faturamento das loterias, são investidos e suportam a área de educação. Na America Latina, no ano de 2011 ouve um crescimento no setor de 15,7%. Os jogos legalizados pagam impostos, geram empregos e movimentam a economia do país, além de combater qualquer atividade ilegal na indústria.

Acrescenta-se ainda, um grande fomento a indústria do turismo. O Brasil é considerado um dos maiores exportadores de turista para o Uruguai, Argentina, Estados Unidos, entre outros, por não oferecer esse entretenimento no mercado interno.

BNL – O que o senhor acredita que irá acontecer com o setor lotérico após a CPI do Cachoeira ?

Alvarenga – Eu espero que o Governo resolva de uma vez por todas regulamentar da forma mais profissional e transparente possível às modalidades lotéricas que já estão comprovadamente testadas e aprovadas em outros países.  Que o Governo controle, fiscalize e arrecade todo este montante, que indústria de jogos pode gerar e, que hoje, grande parte sai do Brasil para alimentar a indústria do jogo em outros paises ou ficam no Brasil, mas de forma ilegal e fomentando a corrupção e outras atividades ilegais. Espero também que a Policia Federal e os demais órgãos competentes continuem coibindo e contribuindo no combate a todo e qualquer tipo de jogo clandesino.

Sobre a INTRALOT
A INTRALOT é uma empresa de capital aberto, é a principal fornecedora de jogos e sistemas integrados de processamento de transações, com conteúdo inovador jogo, gerenciamento de serviços de apostas desportivas e jogos interativos para as organizações do Estado-licenciados de jogos em todo o mundo. Seu amplo portfólio de produtos e serviços, o seu know-how de operações de Loteria, Apostas Racing (corridas de cavalos, etc), e Video Loteria e sua tecnologia de ponta, dá à INTRALOT uma vantagem competitiva que contribui diretamente para a eficiência dos clientes, rentabilidade e crescimento. Com presença em mais de 53 países, com cerca de 5.500 colaboradores e faturamento de 1,2 bilhões de euros em 2011, a INTRALOT estabeleceu sua presença em todos os 5 continentes.