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Do Bicho ao Cassino, proibição do jogo esconde hipocrisia

28/10/2008

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Desde 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu os jogos de azar no país, os brasileiros assistem a discussões intermináveis sobre a legalização dos cassinos. Na verdade o país vive uma hipocrisia sem limites já que o próprio estado mantém seus jogos de azar em variadas formas de loterias como a mega-sena e similares.
Em Mato Grosso do Sul a tradição do jogo faz com que cassinos clandestinos se proliferem. Nesta semana um deles foi fechado pela polícia militar. Localizado na rua Panará, bairro Jardim dos Estados, na área nobre de Campo Grande, o cassino é de propriedade de Andrey Galileu Cunha, 27 anos. Ele é um dos citados pela Operação Xeque-Mate, desencadeada em julho do ano passado pela Polícia federal. Cunha era apontado como ex-braço direito de Nilton César Servo, também processado na Justiça Federal
O fato é que os dons de cassino não se importam com a ação policial. Fechado um cassino, em breve outro é reaberto em outro endereço. Basta observar a constância com que a polícia “estoura” locais dedicados ao jogo. No dia 3 de abril deste ano, por exemplo, outro cassino, localizado em um sobrado de luxo localizado na Rua da Paz, foi fechado O proprietário? Andrey Galileu Cunha.
Mas o fenômeno não é exclusivo de Mato Grosso do Sul. No último dia 4, por exemplo, a Polícia Civil do Distrito Federal fechou um cassino que funcionava a mais de dois meses na mesma quadra em que mora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e próximo às residências oficiais dos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). A região é conhecida como Península dos Ministros e fica no Lago Sul, área nobre que tem o metro quadrado mais caro da capital federal.
Hipocrisia – Nos sete países mais ricos do mundo – Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Canadá – o jogo é totalmente liberado. Nos mais de 100 países onde o jogo é legalizado, os cassinos representam parcela importante na indústria do turismo, pelas atividades que agrega em toda a escala da economia.
A proibição dos cassinos no Brasil, em 30 de abril de 1946, pelo presidente Marechal Eurico Gaspar Dutra, a pedido de Dona Santinha, retirou o entretenimento de milhares de freqüentadores e o emprego de mais de 40 mil trabalhadores dos cerca de 70 cassinos que existiam no Brasil naquela época.
Mas um jogo brasileiríssimo, o jogo do bicho, se alastrou pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro e atingiu toda a população (sendo fortíssimo hoje em MS). O centenário jogo do bicho, apresentado ao Barão de Drummond pelo mexicano Manuel Ismael Zevada, com o objetivo de obter recursos financeiros para o Jardim Zoológico, ganhou aprovação popular, dando-lhe legitimidade social, em operação até os dias de hoje.
No Brasil, a primeira loteria oficial foi extraída ainda nos tempos coloniais, em 1784, quando a Capitania de Minas Gerais promoveu um sorteio com o objetivo de arrecadar recursos para o término das obras da Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, atual Ouro Preto. A Loteria do Estado do Rio Grande do Sul é a mais antiga Loteria em operação no país. Criada em 28 de fevereiro de 1843, por Decreto do Presidente Constitucional da República Rio-Grandense, General Bento Gonçalves da Silva, teve como primeira finalidade angariar recursos para os hospitais do Exército Farroupilha.
Hoje, o mercado de jogos no Brasil é vítima da hipocrisia do poder público que contamina parte da imprensa e da sociedade. Os atores políticos ao invés de ficarem onerando o trabalhador e o empresário brasileiros com impostos exorbitantes, beneficiando policiais, juízes, delegados, com propinas originárias dos jogos clandestinos, deveriam discutir com a sociedade a possibilidade de regulamentação através de dezenas de projetos de lei que tramitam atualmente no Congresso Nacional.
Legitimamente, Associação Brasileira de Loterias Estaduais (Able), Movimento Pró-Bingo (MPB), Associação Brasileira de Bingos (Abrabin) e Federação Brasileira de Bingos (Febrabingo) defendem junto ao Congresso Nacional a regulamentação imediata dos bingos pelos Estados, pois apenas esta atividade geraria, de imediato, cerca de 120 mil empregos diretos nos cerca de mil estabelecimentos comerciais espalhados por todo país, rendendo aos cofres públicos, somente em impostos, cerca de R$ 2,5 bilhões anuais.
Em pesquisa realizada pelo site da revista eletrônica Boletim Novidades Lotéricas (BNLData), apurou-se que o Brasil movimenta anualmente R$ 16 bilhões em apostas e, deste total, R$ 10 bilhões estão com regulamentação precária ou sem regulamentação. Além disso, temos a questão da evasão de divisas para outros mercados operadores de jogos. O Conrad Punta del Este Resort & Casino, localizado no Uruguai, faturou US$ 12 milhões em 2005, sendo que 50% do público do cassino é formado por brasileiros, ou seja, o país ficou US$ 6 milhões mais pobre para apenas um cassino da América do Sul. Fica a pergunta: Quem é o mais prejudicado com isso? Lógico que o povo, que joga por que quer, e porque gosta. Enquanto pairar essa hipocrisia que tem que proibir o jogo, seja ele qual for, a coisa irá descambar, pois o governo tem condição de fazer o serviço social que os proprietários fazem? Esses saõ chamados de contraventores, mas é o lado bom? O lado da sopa no inverno que castiga, do cobertor, do agasalho, do brinquedo, do ôvo de páscoa, do remédio, e do assistencialismo que é feito e que o governo prega mais não faz? Você que agora está lendo tudo isso, já parou para pensar que muitas crianças só sabem que existem muitas dessas festas, por consequência da benevolência das ‘madrinhas’ sociais que são as esposas dos chamados ‘banqueiros’, lembram desses desasistidos, esposas de homens que honram o que falam, cumprem o que prometem. Para esses ‘banqueiros’ sempre vale o que está escrito. Lógico que no meio, tem gente que acha que tudo pode, e tudo deve fazer em nome do poder adquirido, mas esses que assim agem, são uma minoria advinda da ‘nova geração’ são os descentes de homens, que sempre prezaram pelo conceito de cumprir aquilo que prometeram, coisa escassa hoje em dia. Se levarmos em conta, que ninguém nunca foi assaltado quando foi jogar, ou ainda, receber a sua aposta ganha, nunca foi maltratado, ao contrário, são chamados de ‘parceiros’ e até tratados com salamaleques e rapapés pelos mais antigos, há de se ver, que no jogo, seja ele do bicho, caça níquel, ou ainda um simples carteado, as gerações sobrevivem as custas dessa modalidade empregatícia. Querer acabar com isso, por causa de uma lei retrógada, é querer inventar a roda, ou ainda tentar andar para trás, o que o governo deveria fazer, é lagalizar logo tudo isso, gerar empregos e impostos e deixar que a alegria volte a reinar em milhões de lares. Certa feita um homem ao qual tenho respeito e admiração inconteste disse: se alguém assim faz(joga ou abre casas de jogos) é porque tem o beneplácito de alguém. Então senhores que são autoridades, e ainda os que ‘fabricam’ leis inócuas, deixem todos se divertir em paz! Se isso fosse ouvido e seguido arrisca, com certeza as coisas em termos de empregos aqui no MS estariam bem melhor, pois não há crise que sobreponha ao trabalho e remuneração digna. Conteste alguém, e que tenha argumentos convincentes, e diga no final, que aqui não vale o que está escrito! (Última Hora News – MS – Eduardo Carvalho – http://www.ultimahoranews.com/)