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Donos de lotéricas da Bahia reagem contra a Caixa

17/09/2002

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As contas de energia deixarão de ser pagas em casas lotéricas a partir de 1º de outubro próximo, quando completará três meses desde que o contrato entre a Coelba e a Caixa Econômica Federal foi desfeito. Além do consumidor, que deixará de contar com os 622 pontos de pagamento de contas espalhados por todo o Estado, outro grande perdedor será a própria rede de casas lotéricas, que terá que se adequar à diminuição de 43% do faturamento atual, resultante desta prestação de serviço. Já a Coelba está credenciando outros pontos de cobrança.
Ontem, em assembléia, foi determinado que o Sindicato dos Lotéricos do Estado da Bahia (Sinloba) representará a categoria judicial, extrajudicial e administrativamente. O movimento quer rediscutir o contrato com a Caixa, especialmente, a cláusula que dá exclusividade de contratação de serviços à entidade financeira.
O interesse é poder negociar diretamente com os contratantes de serviços, como fazem os bancos, por exemplo. E, para isso, o sindicato entrará na Justiça, como fizeram os lotéricos de Pernambuco, que passam por uma situação semelhante. Lá, como conseqüência, houve mil demissões e o fechamento de seis casas lotéricas, até o momento.
“A rede quer autonomia e a ampliação do leque de parceiros. Outros Estados já conseguiram esses direitos. Queremos a livre concorrência”, disse o presidente do Sinloba, Rino Leônidas Ferreira, que já assinou uma carta de intenção dirigida ao gerente-geral da Coelba, Mauro Magalhães, garantindo que os serviços seriam mantidos com qualidade, principalmente pelo fato de que os lotéricos já conhecem os procedimentos técnicos e de segurança da operação. A idéia é continuar aceitando o pagamento das contas de energia, independentemente da intermediação da Caixa.
Com a extinção do serviço prestado à Coelba, tendo a Caixa como intermediária, o setor teme o esfacelamento da rede que disponibiliza três mil empregos diretos em todo o Estado. “Certamente, lojas serão fechadas e funcionários serão demitidos. Outro ponto relevante é que faltarão fundos para o pagamento dos benefícios sociais que são feitos, como bolsa-escola e vale-gás, dentre outros”, disse Sônia Nunes, diretora de comunicação e eventos do Sinloba.
“Nós queremos estabelecer o vínculo com o mercado. Prevemos o auto-atendimento servindo às loterias. A intenção não é romper com a Caixa e sim acrescentar novas fontes de receita”, disse Deusival Santos, vice-presidente do Sinloba.
“A Caixa mistura um pouco as coisas. O nosso trabalho não foi feito por ela. Nós é que construímos as nossas lojas, conquistamos os nossos clientes. Precisamos da oportunidade de enfrentar o mercado”, disse Luís Carlos Peralta, presidente do Sindicato dos Lotéricos de São Paulo, que compareceu ontem à assembléia, ao lado de representantes de sindicatos de Pernambuco e Mato Grosso e da Federação Nacional de Lotéricos.
A Tarde – BA – Mary Weinstein