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Em reunião, Guedes encontra resistência entre aliados e opositores do governo

06/08/2020

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Entre os assuntos debatidos na audiência pública da Comissão Mista da Reforma Tributária, esteve a proposta de criação de um novo imposto sobre pagamentos, inclusive a legalização dos jogos de azar como alternativa a novos impostos

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não teve vida fácil nesta quarta-feira, 5, na audiência da comissão mista da reforma tributária, na qual travou debates mais acalorados inclusive com aliados do governo.

Entre os assuntos debatidos na videoconferência, esteve a proposta de criação de um novo imposto sobre pagamentos, que tem sido comparado à antiga CPMF. Guedes chegou a dizer que chamar o tributo de nova CPMF era maldade ou ignorância. Também rebateu uma fala do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), relator da reforma tributária, que afirmou que a tentação de aumento de carga tributária remetia a um “ambiente medieval”.

“Até o deputado Aguinaldo cometeu um certo excesso, porque ele sugeriu que a Netflix e o Google já existiam na Idade Média, porque ele falou que imposto sobre [transação] digital é um imposto medieval”, ironizou o ministro.

O deputado João Roma (Republicanos-BA) saiu em defesa do colega. “O que havia no período medieval não era Google nem Netflix, mas havia o absolutismo. E nem esse parlamento, muito menos o governo que o senhor representa, ambos eleitos democraticamente, querem uma postura absolutista perante um assunto que precisa, antes de tudo, da anuência do pagador de imposto, como o senhor bem falou”, disse Roma ao ministro.

Ao comentar a audiência, o parlamentar afirmou que houve “uma voz quase uníssona” contra o referido imposto. “Esse foi um encontro de amadurecimento, de decantação de vertentes. Acho que deu para o ministro perceber o tom, do que o parlamento pode anuir ou não”, declarou Roma.

Opositor ao governo Bolsonaro, o deputado Afonso Florence (PT-BA), também integrante do colegiado, disse que Guedes foi “muito criticado, até pela base do governo, e “deu respostas ríspidas” durante a audiência.

O petista afirmou ainda perceber um crescimento do apoio à tributação dos muito ricos, bandeira defendida por parlamentares de esquerda. “Tenho expectativa em torno disso. Já vejo parlamentares de centro falando em defesa da tributação dos super ricos. Essa tese está crescendo”, apontou.

Em sua fala, o senador baiano Ângelo Coronel (PSD) defendeu para Guedes o combate ao contrabando e a legalização do jogo como fontes de novos recursos e um auxílio à desoneração do setor produtivo. “Ele até me elogiou, disse que era uma proposta ousada. Vou mandar tudo para ele, é a solução para o Brasil”, disse o senador.

Segundo Coronel, o Brasil é um dos três países do G20 que não legalizaram os jogos de azar, junto com Indonésia e Arábia Saudita. No G-8, todos os países legalizaram os jogos e, no Mercosul, apenas o Brasil não regulamentou a atividade, acrescenta o senador. (A Tarde – Rodrigo Aguiar)