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Ex-jóquei Luiz Rigoni morre aos 80 anos, em São Paulo

04/08/2006

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O ex-jóquei Luiz Rigoni, considerado um dos mais completos que já apareceram no País, e ex-colaborador de O Estado de S.Paulo, morreu ontem (03/08) no Hospital Iguatemi, em São Paulo, aos 80 anos. O hospital não informou a causa da morte, mas familiares que moram em Curitiba disseram que ele vinha sofrendo de pneumonia.
O corpo deveria ser transladado ainda ontem para a capital paranaense, onde  será realizado o sepultamento. Rigoni começou a carreira em Curitiba, onde nasceu, e conseguiu consagração nacional na década de 50, quando vivia no Rio de Janeiro.
Rigoni era apelidado de "O Homem do Violino", em razão do modo como conduzia o cavalo. Com o cavalo argentino El Aragonés, venceu o Grande Prêmio Brasil de 1954. O feito foi repetido em 1970 e 1971. Depois de se aposentar, mudou-se para São Paulo, onde manteve por vários anos uma coluna no jornal, com análises de turfe.
Recentemente, Rigoni deveria ser homenageado pelo Jockey Club de Curitiba, mas não pôde comparecer em função de uma cirurgia de catarata. "Tinha uma admiração pessoal muito grande, por isso lamento muito", afirmou o presidente da entidade, Newton Grein. O Jockey estuda homenagens póstumas a Rigoni. (Agencia Estado)
Turfe perde o Homem do Violino
Três vezes campeão do GP Brasil — venceu com o argentino El Aragonez, em 1954; com Viziane, em 1970; e com o argentino Terminal, em 1971 — Luiz Rigoni é uma das poucas unanimidades do turfe. Por sua elegância ao montar e a forma curiosa de passar o chicote entre as orelhas dos cavalos que conduzia, ganhou do pianista e compositor Luis Reis, um apaixonado por turfe, o apelido de Homem do Violino. Campeão das estatísticas na Gávea durante sete anos consecutivos, de 1948 a 1954, ano em que alcançou o recorde de 182 vitórias, Rigoni parou de montar em 1972, aos 46 anos, com 1.367 vitórias. Em 2004, recebeu homenagem do JCB Em 2004, cinquenta anos depois de sua primeira vitória no GP Brasil, Rigoni foi homenageado pelo Jockey Club Brasileiro. Ele dividiu a honra com Juvenal Machado da Silva, recordista de vitórias na prova, e que, no mesmo ano, comemorava um quarto de século de seu primeiro triunfo. Na oportunidade, foi acolhido com carinho pelo público da Gávea, principalmente pelos turfistas mais antigos, que o viram em ação. Na pista de grama, ladeado por Juvenal Machado da Silva e Jorge Ricardo, foi aplaudido de pé pelas pessoas presentes ao hipódromo. O locutor oficial do Jockey Club Brasileiro, Ernani Pires Ferreira, grande amigo de Rigoni, mostrou-se emocionado ao saber da morte do jóquei: — Tive o prazer de vê-lo montar. Transmiti corridas na França, Inglaterra, Uruguai, Argentina e não vi nada igual a Luiz Rigoni. Ele foi, na minha opinião, o melhor jóquei do mundo. Era um sujeito bonito, elegante e charmoso, que fazia sucesso com os cavalos e com as mulheres. Até um tango (“Dá-lhe, Rigoni”) foi composto para ele e cantado por Nuno Roland. Rigoni tentou, sem sucesso, a carreira de treinador e quando esteve no Rio, em 2004, declarou-se um saudosista. Ele, que viveu seu período de ouro entre as décadas de 50 e 70 na Gávea e em Cidade Jardim (SP), chegou a dizer que o turfe de sua época era bem melhor. Última vitória no GP Brasil foi em 1971 Segundo Rigoni, havia glamour, disputas empolgantes entre jóqueis, criadores e proprietários naqueles anos. Durante a carreira, lembrava dos bons amigos da crônica e jamais esqueceu do médico Mário Jorge de Carvalho, responsável por seu retorno às pistas após um grave acidente, que o manteve quase dois anos afastado da profissão. O último GP Brasil vencido por Rigoni, em 1971, com o cavalo argentino Terminal, teve um sabor especial para o grande piloto, magoado por ter sido barrado na direção do cavalo Viziane, com quem vencera a prova no ano anterior. Lembrava que perdeu a montaria para Dendico Garcia, sem maiores explicações por parte do treinador. Então, ofereceram-lhe a montaria de um cavalo argentino, não muito famoso, mas especialista em pista pesada. Rigoni sempre dizia que fez até promessa para que chovesse e não deu outra. Segundo Rigoni, Terminal vinha “sobrando” na curva e, na reta final, passou fácil pelos concorrentes. Após a vitória, quando perguntaram-lhe sobre Viziani, ele respondia: “Que Viziane?” O Jockey Club Brasileiro vai homenageá-lo durante o GP Brasil, no próximo domingo. Todos os jóqueis correrão com uma tarja negra na manga da farda. Morando em São Paulo há muitos anos, Rigoni ultimamente ia pouco ao Hipódromo de Cidade Jardim e não acompanhava mais o turfe com muita atenção. Gostava de ligar para amigos antigos e relembrar os tempos de glória, quando conquistou os páreos mais importantes do turfe, além de mulheres belíssimas. Reclamava que os jóqueis de hoje não tinham a mesma classe de antigamente e que os melhores cavalos iam embora do país muito cedo. Em razão de uma pneumonia, o grande Luiz Rigoni morreu ontem, pela manhã, no Hospital Iguatemi, em São Paulo. Seu corpo foi levado para Curitiba, sua terra natal,e será sepultado hoje, às 11h, no Cemitério da Água Branca. (O Globo – Marco Aurélio Ribeiro)