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“Fezinha” autorizada.

30/03/2004

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Em Alagoas, uma lei contestada pelo Ministério Público tornou tranqüila a vida de quem banca o jogo. As bancas de aposta funcionam no meio da rua, sem nenhum tipo de repressão. Um convite pra quem passa.Gilvaldo Arcanjo da Silva, camelô, diz: "Quando tenho dinheiro passo aqui e faço uma fezinha". São mais de 500 bancas, só em Maceió. Alguns cambistas ainda correm quando vêem a equipe de reportagem, mas eles não precisam se esconder. O Jogo do Bicho deixou de ser clandestino em Alagoas desde 2001, quando foi criada a Loteria Social do Estado – LOTEAL. O órgão do governo fica com 7% do lucro, 30 mil reais por mês, pra investir em programas sociais. Segundo o Coronel Ronaldo dos Santos, presidente da Loteal: "Diariamente nós patrocinamos 1.200 litros de sopa, quase 8 mil litros de leite e 250 famílias do lar São Domingos". As apostas passaram a ser informatizadas. São controladas por máquinas interligadas a uma central de apuração. Segundo o Estado, o resultado deixou de depender apenas da sorte. Agora há probabilidade matemática de acerto e erro. Mas o argumento não convenceu o Ministério Público.Já para Sérgio Jucá, procurador de justiça, "A exploração do jogo de azar fomenta a corrupção policial, a ofensa a direitos de crianças e adolescentes, permite a lavagem de dinheiro, a infiltração do narcotráfico nas fronteiras do estado e outras mazelas".“Toda e quaisquer leis que não "tiver" de acordo com a constituição deve o Ministério Público cumprir o seu papel e nós iremos cumprir. Isso é uma coisa. Hipocrisia é outra que nós não aceitamos. O estado tem uma lei e cumpre essa lei, tá fazendo lei. Se alguém acha que essa lei é inconstituicional, primeiro derrube essa lei. Por enquanto estou dentro da lei.”, debate e se defende o governador Ronaldo Lessa.A LOTEAL também gerenciava dois bingos em Maceió e mais de 8 mil caça-níqueis em  todo o Estado, proibidos pelo governo federal. O estado diz que a Medida Provisória não se refere a Jogo do Bicho, mas para o Ministério Público, essa modalidade ficou de fora porque já é considerada contravenção desde 1941."Eu tenho quase certeza que tamos na legalidade porque tudo quanto foi exigido, tanto de certidão negativa do governo federal, estadual e municipal. Nós tamos com documentação legal", diz Plínio Batista, presidente Associação da Zooloteria.Jornal da Globo – Amorim Neto, Maceió