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Fipe diz que aumento das loterias vão elevar a inflação.

13/10/2003

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A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou ontem novos dados sobre a inflação na cidade de São Paulo. A taxa passada não mostrou novidades, e continua com tendência declinante. Já à inflação futura foi acrescentado um novo item de preocupação: o forte reajuste dos preços de alguns jogos de loterias promovidas pela Caixa Econômica Federal.

A partir de 1º de novembro, a aposta básica da megasena sobe de R$ 1 para R$ 1,50, e a da quina, de R$ 0,25 para R$ 0,50. Os aumentos são de 50% e de 100%, respectivamente, e vão gerar inflação de 0,10%, diz a Fipe.

Parece pouco, mas é um quarto de toda a inflação que deverá ser gerada pelos demais 525 itens do índice em novembro, segundo Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor.

A previsão de inflação do próximo mês, que era de 0,40%, poderá ficar em 0,50% por causa das loterias. Heron explica que a participação dos jogos nas despesas dos paulistanos é grande em relação aos gastos mensais das famílias.

De cada R$ 100 gastos, R$ 0,41 é destinado a jogos. Por isso, esses aumentos de até 100%, como os que deverão ocorrer a partir de novembro, geram tanta inflação, explica Heron.

Mais atenção

O coordenador do IPC diz que o governo deveria ficar mais atento a reajustes desse tipo em um período de tentativa de redução da inflação, principalmente porque esses aumentos passam pelo Ministério da Fazenda.

Essa pressão dos jogos pode acabar afetando até a continuidade da queda dos juros. É provável que, no próximo mês, alguém diga que a inflação resiste a cair e que o Banco Central deveria manter a taxa básica de juros (Selic) estável.

Já a Caixa diz que não reajusta os preços dos jogos desde 1994, e que esse aumento eleva o volume de dinheiro para os repasses sociais, que atingem 49,11% do total arrecadado.

Dentro da previsão
A taxa de inflação dos últimos 30 dias até 7 deste mês caiu para 0,73% em São Paulo. Em setembro, tinha ficado em 0,84%. O peso menor das tarifas públicas foi um dos principais motivos dessa redução.
Energia elétrica e telefone já têm pouca participação no índice. As pressões agora vêm de água e esgoto e de táxi, mas desaparecem a partir de novembro. As tarifas públicas devem gerar inflação de 0,27% neste mês, estima a Fipe.
Já os alimentos continuam pressionando a inflação. Na primeira quadrissemana deste mês, a alta foi de 1,05% a maior desde o final de abril.
Esse aumento se deve a uma antecipação da entressafra da carne bovina, mas o índice ainda não está isento de maiores aumentos nesse setor, principalmente nos casos das carnes suína e de frango.
Pesquisa ponta a ponta da Fipe comparação dos preços praticados na primeira semana deste mês em relação aos da primeira de setembro– indica que a carne bovina já sobe em ritmo menor, mas o preço do frango teve reajuste de 14,7%.
Os paulistanos sentem no bolso também os reajustes dos serviços pessoais (cabeleireira, costureira, tintureiro etc.). Eles estão repassando os recentes aumentos das tarifas públicas, principalmente os de energia elétrica e água, para os preços dos serviços prestados, afirma Heron.
Já o setor de vestuário anda na contramão neste mês. Tradicional período de altas, outubro começa com ritmo menor de reajustes. Nos últimos 30 dias, a alta foi de 0,51%, contra 0,81% em setembro. Os calçados e acessórios de vestuário subiram 1,36%.
Folha de São Paulo – Mauro Zafalon