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Hackeou a máquina de bingo e se matou.

14/03/2003

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LAS VEGAS – Costuma ser o som da roleta e o tilintar das máquinas caça-níqueis que chamam mais a atenção em Las Vegas, mas em setembro do ano passado todos os olhos se voltaram para o lado mais pacato do cassino: o bingo.
É isso mesmo: o escândalo envolveu um programador de computadores de Reno que teria manipulado as máquinas de bingo eletrônico para poder jogar com muito mais cartelas do que pagara. O programador em questão, Brett Keeton, 38 anos, aparentemente se matou pulando da ponte Golden Gate em San Francisco, depois que descobriu ser o alvo de uma investigação policial, informou a polícia.
Keeton trabalhava para a GameTech International, que fabrica um “supervisor” com o qual é possível manter um controle dos números chamados no bingo, para que o apostador possa jogar com mais cartelas de uma só vez. Os jogadores que usam esse sistema não jogam com cartelas reais, e sim com cartelas digitais atualizadas pelo computador.
Uma versão do dispositivo é um handheld no qual o jogador deve digitar os números à medida em que são chamados. A outra é uma máquina fixa, à qual os números são informados eletronicamente.
Os jogadores podem também usar cartelas de papel, marcando os números com tinta, mas este é um processo mais lento e torna o jogo mais difícil de acompanhar.
Os investigadores do Comitê de Controle do Jogo em Nevada ainda tentam saber o que Keeton pode ter feito para que as máquinas fixas lhe dessem mais cartelas depois de ele ter pago apenas os US$ 5 ou US$ 20 por uma única sessão.
Um programador especulou que Keeton pode ter enviado o software alterado em um dos upgrades de rotina feitos remotamente da empresa de Reno a cada unidade de Nevada.
Não se sabe ao certo como Keeton acionou a máquina para que ela desse as cartelas extras quando foi a Las Vegas jogar. Fontes do cassino dizem que ele não reclamou prêmios grandes o bastante para que fosse forçado a fazer uma declaração de renda, a fim de não ser notado. Os maiores prêmios do bingo raramente excedem US$ 2 mil.
Apesar disso, Keeton, que estava em Las Vegas para uma feira de tecnologia de jogo, chamou a atenção de um oficial de segurança de um dos seis cassinos Station que usam a máquina da GameTech.
Keeton voltou de carro para Reno na mesma noite, foi trabalhar na manhã do dia 20 de setembro e, ao que tudo indica, cometeu suicídio em San Francisco por volta das 20h25, de acordo com o detetive Ken Holmes, da polícia do Condado de Marin.
Dennis Neilander, do Comitê de Controle do Jogo, ordenou que todas as 3 475 máquinas da GameTech fossem desativadas, mas quase todas voltaram a funcionar na noite seguinte. Apenas 282 permaneceram desativadas. Nesse meio tempo, porém, apenas cartelas de papel foram permitidas nos 16 cassinos que usavam a tecnologia da GameTech, o que irritou os jogadores e reduziu o volume de negócios dos bingos em até 30% em alguns locais.
Os programadores da companhia já isolaram a falha supostamente introduzida por Keeton, e agora trabalham para provar ao grupo de Neilander que ela foi corrigida.
O incidente, que ganhou a primeira página dos jornais em Las Vegas na época, foi uma surpresa para os veteranos da segurança, segundo os quais os cassinos gastam milhões para proteger seus jogos mais badalados. “Você espera que eles tentem trapacear no blackjack ou nas máquinas de vídeo-pôquer, mas fraudar um jogo de bingo?” surpreende-se Frank Ciletti, expert em segurança aposentado que trabalhou em vários cassinos de Vegas. “Os prêmios não são muito altos. Chega a ser um desperdício de talento criminal”.
Wired News