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Horóscopo quebra a banca do bicho no Paraná

03/10/2001

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Revoltados, os ganhadores reclamam que não receberam todo o prêmio. Calcula-se que mais de R$ 240 mil deixaram de ser pagos. Motivo: o número foi sorteado no signo de Capricórnio do horóscopo de Dirce Alves, publicado na Tribuna daquele dia. Isso provocou uma avalanche de apostas, quebrando a banca.
O caso está previsto numa espécie de Código de Conduta do jogo do bicho, que estabelece restrições de premiação para números retirados de horóscopo e placas de carros acidentados, por exemplo. “Nós sempre mandamos um informativo pelos cambistas, explicando que números divulgados na mídia e alguns números específicos são pagos a critério da banca, que normalmente oferece 50% do prêmio”, explicou à Tribuna o porta-voz da Cooperativa do jogo do bicho em Curitiba. “O Jogo do Bicho só existe porque cada um tem um palpite; quando mais de duzentas pessoas jogam na mesma milhar, a banca quebra, e não temos como fazer o pagamento integral. É impraticável”.
O banqueiro conta que os apostadores curitibanos ainda têm algumas vantagens em relação aos de outras praças: “Quando não tem muito jogo, a gente até paga integral”, revela. “Já no Rio não adianta chiar, eles não pagam nada para esses números”. Segundo ele, mais de 60% da arrecadação são revertidos na premiação. “O bicho é o jogo que mais dá prêmio”.
Problemas com números “manjados” não são novidade. “Acontece direto, as pessoas gostam de apostar no que é proibido”, reconhece o porta-voz. Alguns desses números chegam a ser curiosos: na sexta-feira seguinte aos atentados terroristas nos Estados Unidos, dia 14, a Tribuna divulgou que o número de mortos até momento era de 4.763. “Centenas de apostadores jogaram nessa milhar; graças a Deus, não foi o número que saiu”, relembra. O bicheiro diz que dessa vez a polêmica foi maior porque os bicheiros estão operando unificados numa cooperativa. “Antes cada um trabalhava separado, e o volume não era tão grande”. Mas ele reitera que o jogo do bicho é sério, e sempre honrou seus compromissos. “Estamos há 50 anos no mercado e sempre pagamos todos os prêmios. Pagamos apostas feitas em papel de pão, em guardanapo de bar, por telefone… mas não podemos quebrar a banca para satisfazer o público”.
Reunião
O bafafá acabou provocando uma decisão inédita. Em reunião realizada esta semana, os banqueiros da cooperativa decidiram pagar o valor integral para as milhares retiradas de horóscopos para os próximos sorteios. “Não vamos mais cotar para horóscopo, vamos dar um jeito”. Mas os outros números “manjados” (veja quadro) continuam com restrições, e o pagamento depende da banca.
Para evitar contratempos, o banqueiro orienta os apostadores a pedir detalhes aos cambistas sobre os números cotados, e a informar com antecedência “apostas pesadas”. “Se você for apostar R$ 50 ou mais na milhar seca, recomendamos que avise a banca no mínimo dez minutos antes da extração”. (Luigi Poniwass)
Os números “manjados” do Bicho
(milhares que normalmente pagam 50% do valor)
O ano (2001 ou 2002 no sorteio de 31 de dezembro);
Placas de carros acidentados;
As milhares de 1933 a 1936 (anos de nascimento muito procuradas);
Anos de fatos históricos e datas comemorativas (1500, 1822, 1888…)
Números divulgados na mídia (número de mortos no World Trade Center, por exemplo)
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