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Igrejas criticam postura a favor da regularização de jogos no RS

07/11/2001

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– Todo jogo cria hábitos de irresponsabilidade. Não cria uma cultura pró-família, pró-trabalho – advertiu ontem o porta-voz da Arquidiocese de Porto Alegre, padre Roberto Paz.
O governo gaúcho tentou regulamentar os jogos eletrônicos em janeiro deste ano, ao baixar o Decreto 40.593, que permitia a exploração de caça-níqueis pela Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs). Em 18 de maio, recuou do projeto ao ser avisado pelo Ministério Público de que estava invadindo competência da União. Desde então, o plano está arquivado.
Hierarquia máxima da Igreja Católica no Estado, a Arquidiocese entende que os jogos eletrônicos prejudicam principalmente os pobres. Como são os mais seduzidos pela tentação da sorte grande, segundo o padre Roberto Paz, acabam dissipando os salários em apostas.
– Recebemos com apreensão. O Brasil está se transformando em uma grande jogatina – disse o padre, falando em nome do arcebispo metropolitano, dom Dadeus Grings.
O plano de liberar jogos eletrônicos também desagrada os luteranos. O primeiro vice-presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), Vilson Regina, alertou que a juventude pode ser induzida a tentar “conquistar a vida por um lance de sorte” em vez de procurar a realização pelo trabalho.
– A igreja não vê com bons olhos. Nem entra na questão de mérito, se é pecado ou não. É muito mais que uma questão ética, é filosófica – observou Vilson.
O pastor-presidente da Assembléia de Deus em Porto Alegre, João Ferreira Filho, preferiu não se manifestar sobre o assunto. Também presidente da Convenção dos Pastores e das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Estado, Ferreira Filho disse que prefere rezar pelo êxito das autoridades em favor da população.
– Por precaução, não opinamos sobre essas coisas. Nós, evangélicos, já somos muitos perseguidos – escusou-se.
Zero Hora – Rio Grande do Sul