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Jockey Club São Paulo além das corridas

26/04/2018

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Parceria: Benjamin Steinbruch, do Jockey Club, e o ex-prefeito João Doria Jr., na apresentação do projeto

Impostos milionários em atraso, funcionários em greve e o cancelamento de alguns dos tradicionais páreos realizados aos sábados e domingos. Em março de 2017, o Jockey Club de São Paulo vivia mais um crítico episódio de sua crise financeira, iniciada na década de 1990. Foi quando Benjamin Steinbruch, sócio e amante dos turfes, decidiu que era a hora de contrariar os prognósticos e apostar em uma reviravolta. Encabeçada pelo empresário, a chapa de oposição venceu as eleições e assumiu as rédeas do empreendimento. Passado pouco mais de um ano, a estratégia para que o empreendimento recupere sua relevância já está traçada.

Uma das primeiras etapas dessa jornada é o Parque do Jockey. A iniciativa envolve a construção de um parque privado de uso público, que ocupará 150 mil metros quadrados da área total de 540 mil metros quadrados do Jockey. Além de uma extensa área verde, o plano é abrigar, no local, restaurantes, bares, teatros, museus, cinemas e outras opções de entretenimento. A derrubada de parte dos muros que cercam a instalação também está prevista, juntamente com a revitalização das edificações do Jockey. No longo prazo, o projeto contempla ainda hotéis e torres residenciais e comerciais. “Queremos atrair mais público”, diz Steinbruch. “Estamos em uma localização privilegiada e temos um patrimônio fantástico. Não faz sentido manter o Jockey fechado para a população.

Multiuso: novo projeto prevê restaurantes, teatros e cinemas, entre outras opções de entretenimento

A iniciativa está sendo viabilizada graças a uma negociação com a Prefeitura de São Paulo envolvendo dívidas mútuas de cerca de R$ 200 milhões. O acordo foi um dos últimos atos de João Doria Jr. antes de deixar o cargo de prefeito para concorrer ao governo do Estado de São Paulo. Agora, Steinbruch busca recursos. “O investimento será privado e, basicamente, de fora”, afirma. Ele conta que já negocia com grupos ligados à indústria de resorts. Professor de arquitetura da FAAP, Fábio Zeppelini vê boas perspectivas no projeto. “O Jockey é um patrimônio histórico e urbanístico da cidade”, diz ele. “Mas é preciso ter cuidado para não descaracterizá-lo.”

Embora não revele números, Steinbruch afirma que o Jockey ainda opera com prejuízo. Em contrapartida, boa parte das pendências fiscais, tributárias e trabalhistas já está sanada. Entre outras medidas, o novo comando da instituição passou a investir na profissionalização da gestão, com a nomeação de Luis Blecher como CEO e de um corpo de diretores remunerados, não sócios e 100% dedicados à instituição. “Temos uma maratona com obstáculos pela frente. Mas vamos passar por todos eles.” (Isto É Dinheiro – Moacir Drska)