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Jogadores Anônimos aferece assistência para quem deseja abandonar a compulsão pelo jogo

23/08/2002

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Sete anos depois, o estudante teve que ser internado em uma clínica para dependentes químicos.
Uma mania que começou na adolescência, apostar dinheiro em loterias instantâneas ou raspadinhas, acabou gerando uma série de conflitos na vida de C.L.M, 24 anos, empresário e estudante. O problema, conta ele, é que a atitude rotineira, acabou se transformando em compulsão pelo jogo. “Aos 18 anos descobri os bingos, e comecei a apostar mais e mais. Mas sempre acabava perdendo tudo e me endividando”, relata.
C.L.M. só procurou ajuda sete anos depois do início da doença, quando foi obrigado a fugir do Paraná por causa de dívidas. “Peguei R$ 5 mil da minha mãe e fui para o Rio de Janeiro. Duas semanas depois tinha torrado tudo no jogo”, lembra. Angustiado e em crise depressiva, o estudante pediu ajuda aos pais e voltou para Curitiba. “Fiquei internado quatro meses em uma clínica para dependentes químicos. Lá encontrei apoio para o meu problema”, fala. Também foi na clínica que C.L.M. descobriu a existência do grupo de Jogadores Anônimos de Curitiba, uma entidade de auto-ajuda que comemora cinco anos de existência no próximo mês. O grupo, que já orientou mais de 500 pessoas na capital, segue os mesmos princípios dos Alcoólicos Anônimos, com frases como “Só por hoje eu não apostei” e “Evite a primeira aposta”. Outra iniciativa da entidade, através do grupo Jog-Anon, é dar assistência aos familiares e amigos de jogadores compulsivos.
Mudança
No dia em que deixou a clínica, o estudante participou de uma reunião do JA e hoje é um dos coordenadores do grupo. Há dois anos afastado de qualquer tipo de jogo, ele confessa que às vezes sente vontade de jogar. “Mas mudo de idéia quando vejo novos colegas, em crise, chegando ao grupo.” Feliz com a recuperação, ele resolveu voltar a estudar Medicina Veterinária e passou a administrar a papelaria da família.
Para o psiquiatra Dagoberto Hungria Requião, especialista em dependência química e diretor do Hospital Nossa Senhora da Luz, em Curitiba, o apoio dos grupos de auto-ajuda está sendo considerado o método mais eficaz de controlar o impulso de jogar, diagnosticado como um
transtorno psíquico, com causas também orgânicas.
Ele explica que a existência de muitas opções para efetivar esta compulsão, com o crescimento das casas de bingo, fez surgir uma nova classe de pacientes. “São jovens que freqüentam os bingos e descobriram também na internet a possibilidade de apostar”, revela. O médico compara a primeira jogada ao consumo de bebidas alcoólicas ou uso de drogas. “É a disponibilidade que vai induzir a pessoa a começar a experimentar a novidade. Se gostar, volta e repete a atitude.” Ele completa: “jogar é um hábito antigo. A questão é mais preocupante agora porque a procura e intensidade do envolvimento são maiores”. O médico argumenta que a família e o próprio jogador têm dificuldade em aceitar a doença. O caso sai do controle, alerta ele, quando o paciente começa a fantasiar que sabe macetes para ganhar, apostando quantias cada vez mais altas em busca de emoção e prazer.
Serviço
As reuniões dos Jogadores Anônimos acontecem na Rua Trajano Reis, 457, todas as terças e sextas-feiras (19h30) e aos sábados, às 16h30.
Gazeta do Povo – PR – Raquel Bacarin