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Jogadores compulsivos aprimoram capacidade de percepção visual.

10/06/2003

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A recente pesquisa americana de especialistas da Universidade de Rochester, Nova York, sobre os efeitos dos videogames nos jogadores compulsivos tem sido motivo de polêmica entre médicos brasileiros. Na balança das vantagens e desvantagens dos joguinhos de ação, há quem aposte mais na cautela do uso dos games, especialmente por crianças e adolescentes. Segundo o estudo novaiorquino, as pessoas que costumam brincar regularmente com videogames desenvolvem a habilidade de perceber mais objetos em seu campo visual, processando informações visuais mais rapidamente.
Para o presidente da Sociedade Latinoamericana de Neurocirurgia Pediátrica e professor do Departamento de Neuropsiquiatria da UFPE, Artur da Cunha, porém, os efeito que os games provocam não têm nada de extraordinário e também podem ser conseguidos com outras atividades (mais saudáveis) que estimulam a rapidez da percepção visual e dos reflexos, como o tênis e o tênis de mesa. "Esses esportes exigem esforço físico, exercitam o corpo, o que é bom paracrianças, jovens e adultos", adianta o especialista. As lesões por esforço repetitivo, por passar horas segurando um joystick, também estão na lista dos males causados pelo uso exagerado dos joguinhos.
Artur da Cunha diz que já foi provado que o videogame pode desencadear crises convulsivas em pessoas que têm predisposição à epilepsia. "Existe uma parcela da população que tem potencial epilético e não sabe, porque nunca recebeu estímulos que desencadeassem a crise", explica. A socialização é outro fator bastante afetado nas pessoas viciadas em games, pois elas se isolam e, às vezes, chegam à anorexia porque se esquecem até de comer e de executar outras tarefas importantes do cotidiano, como estudar", explica.
Era o que acontecia com o estudante Bruno Leopoldino de Oliveira, de 18 anos, que chegava a jogar quatro horas por dia e não queria saber dos livros. "Ele só queria estar na casa dos amigos para jogar e enchia o próprio quarto com os colegas apenas para disputar campeonatos", lembra a professora Maria Betânia Oliveira, mãe do rapaz. Betânia, entretanto, agiu rápido: arrumou um emprego de meio período para o filho, o obrigou a estudar para o vestibular e já marcou uma visita ao oftalmologista para saber se as várias horas em frente ao monitor não lhe renderam seqüelas na visão. "Agora só jogo aos domingos", diz Bruno, que tem a companhia constante do amigo Cleber Leite, 17, nas partidas de fubebol virtual.
Com relação à visão, na opinião do presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-oculares, Marcelo Ventura, não há por que se preocupar. "Não existe qualquer pesquisa que prove cientificamente que passar horas em frente a um monitor de TV ou de um computador possa fazer mal à vista", garante o oftalmologista. O que pode acontecer, segundo Ventura, é um cansaço ou fadiga visual, comum em outras atividades que exijem um esforço visual maior, como a leitura. "Quem precisa de óculos, mas está sem eles e passa muito tempo em frente ao computador, pode sentir dor de cabeça, sonolência e lacrimejamento por estar forçando a vista", avisa.
Diário de Pernambuco – Cleide Galdino, da equipe do Diário