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Jogadores perdem carros, apartamentos e dinheiro com o vício.

26/02/2004

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Enquanto o Governo Federal discute qual medida definitiva irá adotar em relação aos bingos e caça-níqueis de todo o Brasil, um grupo de jogadores anônimos do Espírito Santa vive o drama diário de vencer o vício, reconquistar a relação familiar, esquecer as conseqüências provocadas pela jogatina e combater o que eles reconhecem como ‘doença’. A vontade descontrolada em apostar fez com que ex-viciados capixabas, em busca de prazer, perdessem apartamentos, carros e aplicações. Ao invés do dinheiro, levavam para casa dívidas incalculáveis, desentendimentos com os filhos e problemas no emprego.Aos 35 anos, casado e pai de três filhos, o técnico em mecânica Jorge* perdeu com o jogo um apartamento, dois carros e aplicações financeiras. Além do prejuízo, atualmente ele enfrenta um pesadelo: tentar esquecer os valores perdidos durante os mais de três anos dedicados praticamente ao jogo. “Envolvido com o jogo eu perdi um apartamento, precisei vender dois carros além do dinheiro que desembolsava todos os dias. Eu nem penso no valor perdido, pois o grande problema do jogador compulsivo é pensar nessa perda”, ressaltou.
Jorge conta que freqüentando o grupo de jogadores anônimos ele pôde voltar a viver e está reconquistando o caráter perdido. “Essa doença não tem cura. Eu estou há um ano e meio distante do jogo e recuperando alguns defeitos de caráter. Mas o risco é iminente. A última aposta pode ter muito tempo, mas a primeira está sempre ao alcance da mão. Tenho que ficar atento sempre”, avaliou.
Na última semana, o Governo Federal editou uma Medida Provisória proibindo o funcionamento de bingos e caça-níqueis em todo o Brasil. A iniciativa foi vista de forma positiva pelo jogador de baralho Antônio8, que perdeu aproximadamente R$ 100 mil com o jogo. Depois que passou a freqüentar o grupo de jogadores anônimos do Espírito Santo ele confessa que deixou o vício de lado. “Eu perdi com o baralho quase R$ 100 mil, mas hoje eu consegui me recuperar graças ao grupo”, afirmou.
Um outro integrante do grupo de jogadores anônimos afirma que além de perder os bens materiais com o jogo, acabou tendo que enfrentar vários problemas familiares. Depois de participar das reuniões do grupo Márcio* garante que conseguiu deixar o vício. “Todos os meus rendimentos eram destinados a apostas. Com isso, quem mais fiz sofrer foram os meus familiares. O importante é você ver a causa e resolver não jogar mais”, enfatizou.
O grupo de jogadores anônimos funciona às terças e quintas-feiras, as 19h30, nos fundos da 4º Companhia de Polícia, localizada na Praça São José, em Maruípe, Vitória.
* Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos entrevistadosRedação Gazeta Rádios e Internet (ES) – Bruno Dalvi