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Jogo patológico: compulsão por jogos de azar.

05/06/2002

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O vício e as compulsões são muito comuns na sociedade moderna e parecem que são tentativas de lidar com os distresses do dia-a-dia de nossas vidas ocupadas e complicadas. A compulsão pode ser por uma substância como comida, cigarro, álcool, drogas, medicamentos ou outras coisas. Pode ser por jogos, compras ou sexo para aliviar as nossas tensões e quem sabe a ansiedade. Quando nada consola a nossa dor “emocional”, como a ânsia de jogar, de beber ou gastar, a compulsão torna-se irresistível e passa a ser considerada um vício.
O vício de jogar apostando dinheiro atinge entre 1 a 4% da população mundial; segundo os especialistas, é um índice alto e preocupante. No Brasil, a legalização e a abertura dos bingos facilitaram a jogatina e a tendência é aumentar o número de pessoas com a compulsão de jogar.
O jogador não planeja nada, não pensa nas conseqüências futuras e, apesar de saber que a banca ganha sempre, mesmo assim prossegue. Quanto mais perde, mais procura recuperar do prejuízo: no final, o prejuízo é cada vez maior. Muitos jogadores patológicos só descobrem que precisam de ajuda quando estão quebrados. O dinheiro acabou, e a família foi para o brejo.
O jogo é tão grave quanto o abuso de drogas e cria dependência sem uma substância química específica. Curioso, no entanto, é o fato de que, nesse caso, não existe nenhuma substância que justifique a dependência do organismo a tal prática. (NOVA NEWS, ano V, edição I, fevereiro 2002)

COMEÇO, MEIO E FIM.
A história de um jogador inicia-se quando aceita convite de amigos e começa a freqüentar locais de apostas e jogos. Então ele “sapeia” o ambiente e os jogos e aposta esporadicamente: é a fase do jogador ocasional.
Como o passar do tempo, aumenta a freqüência às casas de jogos e cassinos e o seu divertimento preferido passa a ser os jogos de azar. O jogador nesta fase comenta que é sempre um ganhador e jamais fala quantas vezes perdeu. É o jogador em sua fase social.
A fase terminal se instala quando o jogador percebe que esgotou todos os recursos financeiros e vendeu o que tinha e o que não tinha para sustentar a jogatina. A família sofre todas as conseqüências negativas de ter o chefe como jogador compulsivo.

HOMENS E MULHERES
Dos jogadores considerados patológicos ¾ são homens e ¼ são mulheres. As mulheres se viciam mais rapidamente do que os homens. As mulheres preferem o bingo, enquanto os homens preferem corridas de cavalos e carteado (jogos de baralhos).
Em alguns casos, o problema pode começar na adolescência ou mesmo na velhice. A grande maioria das pessoas que iniciam a compulsão têm a média de idade entre 38 e 46 anos. O aumento do jogo patológico ocorre quando as pessoas têm acesso aos jogos de azar. O jogador patológico está sempre envolvido em apostas em dinheiro e não em simples divertimentos como videogame, xadrez ou damas.
O viciado joga de tudo: loterias (mega-sena, lotomania, federal…), vídeo-pôquer, bingo, raspadinha, corrida de cavalos, 21, pôquer…

O DIAGNÓSTICO FICA EVIDENTE QUANDO OS PROBLEMAS SE AVOLUMAM
O diagnóstico do jogo compulsivo é muito fácil e ocorre em estágio avançado da compulsão. A identificação do problema é feita pelos familiares ou amigos que orientam o jogador a procurar ajuda médica. O que chama atenção das pessoas próximas são o aumento da freqüência e das horas gastas com o jogo e negligência com os compromissos em favor do jogo.
O prejuízo em dinheiro é outra grande indicação do problema.Ou então quando ocorre sua falência, que é quando o jogo se transforma na coisa mais importante do mundo para o viciado.
No contexto das casas de jogos, os amigos do jogador patológico são outros jogadores que freqüentam esses cassinos. A partir daí a família é esquecida e a vida profissional perde importância. Se é funcionário de uma empresa, passa a faltar ao trabalho; se é patrão, entrega a administração da empresa para outras pessoas.
Todo jogador patológico se transforma em mentiroso: mente para a família e para os amigos quando está envolvido com jogos de azar. Começa também cometer atos ilegais, como falsificar assinaturas em cheques da esposa ou de parentes, emite cheques sem fundos, vende o que pode para manter a jogatina. Estes delitos são praticados quando os viciados estão envolvidos com o jogo e se devem à falta de controle sobre a situação e não à falta de honestidade.
Outro fator diagnóstico muito importante é quando o jogador, por qualquer motivo, não pode jogar e aparecem as reações diante da abstinência, como irritabilidade, batedeiras do coração, nervosismo… sintomas também presentes na abstinência de álcool ou drogas. E, como você já sabe, não existe nenhuma substância para justificar tais sintomas.
Os locais de jogos e o jogador formam uma dupla explosiva porque aumentam o consumo de álcool, de cigarros e muitas vezes de drogas. Chega um momento em que o jogador compulsivo reconhece que precisa de socorro.

TRATAMENTO
Não existe tratamento medicamentoso específico para resolver a compulsão. O grande trunfo está nas mãos do jogador: reconhecer que tem o problema é o primeiro e mais importante passo para solução. O desejo de querer parar de jogar é fundamental.
Outro fator muito importante é o envolvimento da família no tratamento, pois auxilia e muito na recuperação do jogador.
Há também compulsões que não colocam as pessoas sob risco de vida, mas podem se tornar inoportunas, inconvenientes, embaraçosas, custosas e não saudáveis, tais com urgências por comida, gastos excessivos, comer unhas, tiques nervosos, jogos de azar e outros hábitos que podem ser controlados ou eliminados.
Atualmente dispomos de técnicas de Programação Neurolingüística e de Técnica de Pensamento Ativo que ajudam a romper ou diminuir muito uma compulsão. Podem ser utilizadas quando você quiser. A decisão está em suas mãos. Trabalhe a seu favor. SEMPRE.
Dr Luiz Carlos Bertoni