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Las Vegas: cidade da fantasia

04/10/2002

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Las Vegas – Transgressões sempre fascinaram a humanidade. Desde a simbólica história bíblica da maçã, irresistível para Adão e Eva. O sabor do proibido. Sexo, drogas e dinheiro são fantasias comuns. Podem até terminar em ira, avareza, luxúria, orgulho ou inveja, cinco dos sete pecados capitais, mas sem dúvida passeiam pelo imaginário da nossa civilização. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou, ainda que secretamente, com algum deles.
De olho nisso, o mafioso Benjamin Siegel inventou um monumento ao jogo: construiu o Flamingo, primeiro dos gigantescos hotéis-cassino de Las Vegas. A história é contada no filme Bugsy (como o gângster era conhecido), com Warren Beatty no papel principal. Nasceu aí essa cidade do Estado de Nevada, freqüentemente comparada a um oásis no deserto.
Cercada por montanhas na cor tijolo e de clima muito seco – na semana passada, a umidade bateu 20% -, Las Vegas brilha à noite. Se colocadas lado a lado, todas as luzes chegariam a uma extensão de 24 mil quilômetros. É isso mesmo! Ali tudo é grandioso. O MGM Grand, um dos mais de 100 hotéis locais, tem nada menos que 5 mil quartos. É um dos maiores do mundo. A hotelaria da cidade oferece 126 mil apartamentos. A meca do jogo hoje é uma espécie de Itu com néon.
Sobrou pouco do antigo ar “pecaminoso” ou do glamour dos tempos em que Frank Sinatra e Dean Martin se apresentavam no finado Sands. Entretanto, não falta diversão (quem disse que bons moços não têm vez?). O colorido da Strip, trecho sul do Las Vegas Boulevard, concentra as principais atrações e revela uma “Disney” de gente grande. Enormes hotéis-cassino enfileirados recriam lugares como Paris, Veneza e Nova York. No térreo de todos eles, um cassino.
Milhares de dólares vão pelo ralo na roleta, no blackjack, no pôquer, nos caça-níqueis – a receita bruta da jogatina na cidade atingiu US$ 53,4 bilhões na última década. Pertinho dali, as apostas são feitas em outro tipo de sonho. As capelas recebem 100 mil casais por ano. É só escolher a fantasia. E se arriscar sem culpa. Em Las Vegas, tudo é permitido.
Agência Estado (SP) – Nathalia Molina