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Licitações movimentam mercado lotérico.

22/10/2004

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Algumas licitações de operações de modalidades de loterias vão movimentar e agitar o mercado lotérico brasileiro nos próximos meses. O mercado trabalha com a expectativa de pelo menos três grandes licitações nos próximos doze meses.

A primeira licitação em pauta será a Concorrência Pública nº 1/2004, da Loterj para "Contratação de empresa para, com exclusividade, prestar os serviços de Criação de produtos (jogos), Impressão, Estocagem, Distribuição e Comercialização dos jogos de Loteria Instantânea e Loteria Mista no Estado do Rio de Janeiro e elaboração, propositura, orientação e execução de campanhas publicitárias".

Caso o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro conclua a análise do referido edital, a concorrência poderá ser realizada no próximo dia 3 de novembro.   

Existem várias empresas interessadas nessa concorrência e por esse motivo esxite uma grande expectativa de disputa pelo contrato. A Hebara, empresa detentora do atual contrato de distribuição de raspadinhas deverá apresentar propostas. Além da Hebara, comenta-se no mercado que pelo menos mais duas empresas (uma nacional e outra multinacional) também poderão apresentar propostas.
GráficasSabe-se também que a empresa vencedora do certame terá que contratar uma das duas gráficas, que operam no país com impressão desse tipo de bilhete. Apenas a Oberthur e Tecnoformas são portadoras da certificação da Casa da Moeda, exigida no edital da Loterj. Atualmente, as "Raspadinhas" da Loterj são impressas pela Oberthur. A Tecnoformas atualmente imprime os bilhetes da loteria tradicional e instantânea da Caixa. Os executivos das duas gráficas estão se movimentando.

A questão do nome "Raspadinha" terá que ser debatida depois da licitação, pois o nome é de propriedade da Hebara e os cariocas já se acostumaram com esse nome. Portanto, caso a Hebara não vença, essa modalidade lotérica terá que receber um novo nome.

Rentabilidade

O grande problema do contrato da "Raspadinha" é que a margem de lucro é pequena para empresa operadora e a operação só fica rentável com o aumento do volume de vendas, algo em torno de seis milhões de bilhetes mensais.

O valor total estimado de venda de bilhetes, correspondente ao objeto, será de R$ 267.897.600,00, sendo que pelo contrato o operador terá que comercializar no primeiro ano 36.000.000 bilhetes (média mensal de 3 milhões), no segundo ano 43.200.000 bilhetes (média mensal de 3,6 milhões), no terceiro ano 51.840.000 (média mensal de 4,320 milhões), no quarto ano 62.208.000 (média mensal de 5,184 milhões), no quinto e último ano 74.649.600 (média mensal de 6.220.800).  Sendo que a meta de cada ano contratual poderá ser compensada com o superávit obtido nos anos anteriores, desde que, no ano contratual em questão, seja atingida a meta mínima de R$36.000.000,00.

Os percentuais estimados da operação serão distribuídos da seguinte maneira: 50% prêmios, 10% publicidade, 14% ponto de venda, 4,5% tributos (Pis, Cofins e ISS), 4% custo do bilhete, 8% (mínimo) Loterj e a lucratividade da operação algo em torno de 9,5%. 

Telefonia e Internet
Essa licitação também vai permitir a operação da Loteria Mista pela Internet, por Telefonia fixa ou móvel e pela televisão Interativa em canais abertos ou fechados. Essas modalidades poderão melhorar a remuneração do contrato, desde que se encontrem jogos criativos para serem utilizados nessas mídias. Principalmente, num momento em que Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anuncia que de cada 100 brasileiros, 32 têm celular, sendo que o Rio de Janeiro é o segundo estado do país em números de aparelhos, com 7.430.000 celulares, o que representa uma densidade de 49,43% da população.

Essa licitação passa a ser importante para o mercado lotérico, principalmente sob o ponto de vista estratégico, pois representa uma operação no segundo estado brasileiro com maior número de vendas de apostas, perdendo apenas para São Paulo.

Licitação da Caixa.
Apesar da  prorrogação do contrato da Caixa só terminar em 14 de maio de 2005, desde o último dia 8 de outubro a Caixa pode  romper de forma unilateral o contrato com a empresa americana Gtech, que controla todo o sistema de loteria e de processamento de dados do banco estatal.

A meta da Caixa é iniciar a concorrência no próximo mês. Segundo técnicos do banco, a instituição está sendo cuidadosa na preparação do edital para que a empresa americana não encontre mais brechas para emperrar o processo na Justiça. Mas os mesmos técnicos reconhecem que, caso finalmente consiga pôr fim à dependência da Gtech, será necessário um processo de transição um pouco mais longo que o desejado para a independência, porque a Caixa ainda não está totalmente preparada para fazer funcionar a ‘‘central de inteligência’’ que controlará todas as informações que hoje estão nas mãos da Gtech. São mais de 30 mil máquinas sob o controle da empresa.

Fontes do mercado comentam que a Caixa está estudando, para evitar o monopólio,  a possibilidade dividir a sua operação em quatro regiões, sendo a primeira São Paulo que representa aproximadamente 35% do mercado. A segunda região seria Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, que juntos somariam algo em torno de 15%. A quarta região seria formada pelos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, que representam 24% do mercado e uma quarta região formada pelos outros estados restantes, que juntos somariam 26% do mercado. 

Para isso, várias empresas estão se movimentando para disputar a operação das loterias e também os serviços financeiros.

A Gtech com certeza tentará buscar uma fórmula para participar nas quatro regiões, mas caso não seja possível,  escolherá a melhor fatia desse mercado para operar. Outras empresas já se movimentam para participar desse grande concorrência, que envolve milhões de dólares.

A espanhola Cirsa se associou a paulista  Dilote – Distribuídora de Loterias, contratou executivos experientes e já se instalou em São Paulo, de olho na licitação da Caixa. A outra norte-americana Scientifc Games,  também já está conversando com várias profissionais e empresas brasileira com vistas na licitação do banco estatal. As surpresas poderão ser a americana IGT e os koreanos, que mesmo com os problemas enfrentados na operação do on-line da Loterj, já avisaram que vão voltar.

Mas só a partir de definição do modelo de operação e do edital pela Caixa é que poderemos saber quais as empresas que se habilitarão para participar dessa concorrida licitação.

Apenas uma coisa é certa. Como faltam apenas sete meses para terminar a prorrogação do contrato da Caixa com a Gtech, não haverá tempo hábil de formatar, publicar, licitar e operar uma concorrência desse porte, antes de maio do próximo ano.
Portanto, a Caixa terá que prorrogar o contrato com a Gtech mais uma vez.

Acreditamos que em função dos fatos negativos enfrentados pelas duas instituições a partir das denúncias do caso Waldomiro Diniz, essa hipótese já deveria ser divulgada, evitando as análises equivocadas da imprensa e dos “opositores” de plantão.

E a terceira licitação?

Essa é a pergunta que os leitores devem estar fazendo. A terceira licitação de uma modalidade lotérica deverá ser para operação da Loteria On-line da Loterj.
Façam suas apostas, pois a sorte está lançada.