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Lotérica da zona leste de São Paulo vê Mega-Sena sair pela 2ª vez

17/07/2020

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Lotérica, na região do Sapopemba, na zona leste de São Paulo, que teve o ganhador da última Mega-Sena e já tinha registrado um outro vencedor do prêmio em 2013 (Rivaldo Gomes – Folhapress)

A sorte encontrou pela segunda vez uma lotérica localizada em um mercado de Sapopemba (zona leste). Foi de lá que saiu o bilhete com as seis dezenas da Mega-Sena de terça-feira (14), uma aposta simples que rendeu R$ 43,2 milhões ao mais novo ricaço de São Paulo. Até agora, ninguém descobriu quem anda cheio da grana por lá.
A lotérica Davos da Sorte se mostrou pé quente de novo. Em oito anos de funcionamento, já são dois prêmios principais da Mega. “Em 2013, foi um prêmio de R$ 22 milhões”, diz a proprietária Marina de Carvalho Marques Lombardi, 38 anos.
A fama faz bem aos negócios. “O que se diz entre lotéricos é que as vendas aumentam na semana em que o prêmio sai. A gente tem uma visibilidade maior”, afirma Marina. A proprietária brinca e diz que espera que o dono dos R$ 43 milhões dê uma passada para deixar uma caixinha à atendentes. “O pessoal que aposta sempre fala que, se ganhar, vai deixar um pouquinho do prêmio com quem atendeu”, diz.
Enquanto a gratidão do milionário não dá as caras, a proprietária anima o pessoal como pode. “Mandei fazer faixa. Teve também champanhe na lotérica. A gente passa tanto tempo vendendo sonhos para os outros… Quando sai, a gente fica muito contente”, conta.
A esperança é de que a sorte continue por lá. “O pessoal falava que o raio não cairia no mesmo lugar, depois de 2013. Vai cair mais vezes ainda”, fala Marina.
Pobreza
Entre os 96 distritos da capital, Sapopemba é o 12º com o maior número de domicílios em favelas, proporcionalmente, segundo levantamento realizado pela Rede Nossa São Paulo.
Apesar do indicador social desfavorável, a região onde está a casa de apostas tem um perfil de classe média. “Tomara que seja uma pessoa pobre que conseguiu ficar rica agora. Se for rica, se já tem dinheiro, não faz sentido”, afirma o corretor de imóveis Lelo Rosa, 74 anos, que vai à lotérica pé quente.
Rosa aposta os mesmos números com frequência e diz que, se fosse o sortudo, investiria a bolada em imóveis comerciais. O corretor conta que já chegou a fazer a quadra duas vezes, o mais próximo que ficou do prêmio principal, que lhe tiraria o sono. “Se ganhasse, não dormiria mais”, afirma.
Mais gente acredita que tanta grana assim é capaz de provocar insônia. “Preferiria até ganhar menos, só para dar uma ajeitada na vida. Muito dinheiro te afasta dos amigos, dos familiares. Tem que pensar bem no que vai fazer”, conta o acupunturista Eduardo Jofre, 55.
A Mega não é a preferida dele. “Jogo na Lotomania. Ganham três, quatro pessoas, cada uma com R$ 800 mil, R$ 1 milhão”, afirma. (Folha de S.Paulo – Agora São Paulo – William Cardoso)