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Lotérica inova e trabalha como minibanco.

20/01/2003

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Até a década passada, as casas lotéricas eram utilizadas somente para fazer apostas em jogos. Com o tempo, pagamentos de contas de consumo, impostos e benefícios sociais, além de recarregamento de aparelhos celulares, foram incluídos nos serviços desses estabelecimentos.

Com um faturamento aproximado de R$ 3 bilhões em 2002, as cerca de 9 mil casas lotéricas no País tiveram um crescimento de 15% em relação a 2001. Tal aumento deve-se à quantidade de agências abertas – cerca de três mil novas casas lotéricas inauguradas entre 2001 e 2002.

Segundo Paulo Leonel, presidente da Federação Brasileira de Empresas Lotéricas (Febralot), o faturamento poderia ter sido melhor se houvesse mais publicidade sobre os serviços oferecidos pelas lotéricas.

“Esperamos que o setor tenha uma divulgação mais abrangente, assim o faturamento poderá ser melhorado este ano”, diz. No fluxo do aumento, a Loteria Fratelli, de Jundiaí, cresceu no ano passado 20% e faturou R$ 1 milhão.

Para Walmor Pappi, proprietário da agência, o crescimento se deu justamente porque as pessoas foram incentivadas a utilizar as lotéricas ao invés de uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF). “As próprias agências da CEF sugerem aos clientes que busquem as casas lotéricas como alternativas complementares aos serviços bancários”, constata.

A licença para abrir uma lotérica é concedida pela CEF por meio de licitação. Os interessados devem encaminhar ao banco seu pedido que será avaliado. “A Caixa concede a permissão após aprovação do candidato”, diz Luiz Carlos Azevedo, superintendente nacional de estratégia de canais da CEF. De acordo com o superintendente, ao mês, são feitos 82 milhões de movimentações entre pagamentos de contas e apostas. “Ainda este ano, pretendemos aumentar o número de estabelecimentos comerciais que estarão ligados ao sistema bancário”, diz. O fato é que esse sistema permite que estabelecimentos como padarias e mercearias também realizem serviços similares a esses.

A Lotérica Ametista, por exemplo, movimenta, em média, R$ 1,5 milhão, ao ano, entre apostas e pagamentos de contas. Para seu proprietário, Osmar Niccolini, nos últimos anos o movimento aumentou, justamente porque as pessoas aprenderam a utilizar a lotérica, como espécies de miniagências bancárias.

A Ametista faturou, em 2002, R$ 1,2 milhão e segundo Niccolini houve um decréscimo de 10% em relação a 2001. “A queda registrada é devido ao movimento da lotérica, que caiu.”

Simples

Vetada no último dia 31 de dezembro pelo Congresso Nacional, a Medida Provisória 66, que enquadrava pequenas lotéricas no Simples, poderia ser uma forma de impulsionar ainda mais esse segmento, segundo consultores da área. O Simples é um sistema simplificado de tributação, que é cobrado de empresas que faturam entre R$ 120 mil e R$ 1,2 milhão ao ano. “Se estivessem enquadradas no Simples, as lotéricas poderiam, por exemplo, regularizar a situação de seus funcionários”, diz Welinton Ribeiro Mota, consultor tributário da Confirp Assessoria Contábil.

Estima-se que no Brasil haja cerca de 130 mil pessoas trabalhando direta e indiretamente nesses estabelecimentos. “Este número poderia ser ainda maior se as lotéricas tivessem sido incluídas no Simples”, diz o presidente do Febralot, Paulo Leonel. Somente as agências de viagem e turismo foram contempladas na MP 66. Assim como as lotéricas, as empresas de contabilidade, escolas de idioma e educação também não foram beneficiadas.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 96,5% das empresas do setor de serviços são micros e pequenas. Entre 1999 e 2000, as pequenas do setor de serviços criaram 532 mil postos de trabalho e movimentaram cerca de R$ 216 bilhões.

Com o Simples, as lotéricas reduziriam em até 65% os encargos pagos ao governo. “O que não significa perda de receita aos cofres públicos, pois teriam condições legais para registrarem seu efetivo”, diz Leonel. “Essas lojas também poderiam investir na segurança, já que os serviços tendem a crescer”, observa.

Em declaração ao DCI, no último dia 6, o novo ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, disse esperar que ainda este ano 40 setores sejam incluídos no sistema simplificado.

Na ocasião, o ministro não antecipou quais seriam os setores que terão o benefício, mas que a nova equipe econômica está analisando.

De acordo com Pedro Coelho Neto, presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), a entidade irá pressionar alguns deputados no congresso para derrubar o veto da MP 66.
Site Panorama Brasil