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Lotéricas: CEF acusa bancos de agir pela quebra do monopólio.

27/02/2004

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BRASÍLIA. A CEF decidiu reagir às denúncias de tráfico de influência na prorrogação do contrato de gestão das loterias com a empresa Gtech do Brasil. Ontem, diretores da instituição partiram para o ataque e sustentaram que por trás das denúncias que vêm sendo feitas contra a instituição existe um movimento de bancos privados, de lotéricas e de grupos ligados ao jogo para retirar da Caixa o monopólio no controle de loteria no Brasil, um negócio que movimenta R$ 3,5 bilhões por ano. As lotéricas também ganham porcentagens no pagamento de aposentadorias e recolhimento de contas de água e luz que movimentam outros R$ 54 bilhões por ano.
Em novembro, o Unibanco promoveu um encontro com os lotéricos do Rio, intermediado pelo Sindicato dos Comissários e Consignatários Lotéricos (Sincorj), na qual propunha que as lotéricas passassem a operar os chamados correspondentes bancários com os bancos privados e não mais com a Caixa. Hoje os locais de funcionamento dos correspondentes — pequenos estabelecimentos comerciais que pagam aposentadorias e recebem contas — são indicados pela CEF, por determinação do Banco Central.
Evento prometia sorteio de aparelhos de televisão e de DVDs.
No convite enviado aos lotéricos constava a frase: “Você será apresentado a uma nova e excelente proposta de parceria com o Unibanco no negócio de correspondente bancário”. O evento, realizado na casa de shows Ribalta, na Barra da Tijuca, prometia sorteios de televisores de 29 polegadas e de aparelhos de DVD. Ao tomar conhecimento da iniciativa, a Caixa apresentou uma representação ao comitê de ética da Federação Brasileira da Associação de Bancos (Febraban) e interpelou o Unibanco judicialmente por estar ameaçando entrar numa área constitucionalmente reservada à Caixa. Diante da reação, o Unibanco acabou desistindo do negócio e a Febraban não chegou a reunir o conselho de ética para analisar o caso.
— Foi uma tentativa de quebrar o monopólio da Caixa, mas, felizmente, a Justiça tem dado ganho de causa à instituição. Neste caso, em particular, houve o recuo do Unibanco. Por trás da legalização dos jogos está embutida a quebra de monopólio. Existe muito dinheiro envolvido nisso. A gente espera que a Justiça seja feita e que a questão dos jogos seja regulamentada, evitando que a Caixa tenha que passar por tantos constrangimentos — disse o vice-presidente da Caixa, Paulo Bretas.
Idéia seria entrar em mais um nicho de negócios.
Procurado, o Unibanco disse que o diretor encarregado pela área estava de folga. Uma fonte do mercado ligada à instituição, no entanto, confirmou o encontro, mas disse que ele ocorreu num contexto muito diferente de hoje, quando se discute o envolvimento de Waldomiro Diniz com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Para essa fonte, a idéia de que as lotéricas operassem como correspondentes bancários representava, na ocasião, apenas a tentativa de entrar em mais um nicho de negócios para a instituição.
Dirigentes da Caixa suspeitam que o ex-presidente da instituição Valdery Albuquerque tenha sido um dos articuladores do encontro para promover a quebra do monopólio da CEF. Depois de sair da CEF, Valdery assumiu a presidência da Nossa Caixa, Nosso Banco, cargo que ocupou até novembro do ano passado. Em seguida, transferiu-se para o Unibanco.
— Eu entrei no banco depois do encontro das lotéricas no Rio de Janeiro. Meu negócio no banco é financiamento de carros e não loterias. E volto a repetir que a decisão sobre o contrato com a Gtech do Brasil é da atual diretoria da Caixa — rebateu Albuquerque. O Globo – Valderez Caetano e Sergio Fadul