Lotéricas da CEF fazem jogo do bicho

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Lotéricas credenciadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) em Porto Alegre oferecem abertamente apostas no jogo do bicho entre seus produtos.
A prática do jogo ilícito é passível de descredenciamento pela CEF. Zero Hora visitou ontem 10 lotéricas na Capital. Nenhuma recusou as apostas.
Apostar no jogo do bicho nas lotéricas da Capital parece ser algo tão corriqueiro quanto comprar um bilhete da Loteria Federal ou fazer uma fezinha na Megasena. Ninguém estranha, os talões não são escondidos e alguns estabelecimentos chegam a pendurar os resultados dos bolões na parede.
Em alguns estabelecimentos, a loteria ilegal chega a ser controlada por computadores, e a tradicional anotação que comprova o jogo é feita por impressoras. Em outras, vale o tradicional papelzinho – que pode até ser o verso de um formulário cortado ou um talãozinho timbrado – com os número apostados, o valor do jogo, a data e o horário do sorteio.
As lotéricas foram visitadas por ZH de forma aleatória, procurando abranger o maior número de regiões da Capital. Entre 15h30min e 18h30min, a reportagem percorreu 10 estabelecimentos, nos bairros Azenha, Centro, Cristo Redentor, Cidade Baixa, Floresta, Partenon (2), Tristeza, Vila Safira e Volta do Guerino. Todos os estabelecimentos tinham o logotipo da CEF em suas fachadas e em todos, o jogo foi anotado com presteza e rapidez.
Segundo a assessoria de imprensa da CEF em Brasília, as casas que fazem o jogo do bicho, exploram máquinas caça-níquel ou vendem loterias não-autorizadas estão descumprindo o contrato selado com a instituição e podem ser descredenciadas. O serviço oferecido pelas lotéricas deveria ser fiscalizado pelos consultores de campo – em Porto Alegre existem cerca de oito, segundo estimativa da CEF –, que devem agir mediante denúncia. Existem 132 lotéricas na Capital e 457 no Estado.
A assessoria informou também que não foi expedida circular com abrangência para todo Rio Grande do Sul ameaçando descredenciar as lotéricas que fazem o jogo do bicho. Em Caxias do Sul, porém, o superintendente regional de negócios da CEF, Augusto Bandeira Vargas, informou que a partir de hoje todos os estabelecimentos da região receberão um ofício relembrando os lotéricos de que a realização da loteria zoológica é proibida. O documento alerta para o fato do flagrante implicar em multas e na perda da concessão – emitida através de concorrência pública – para funcionamento.
SAIBA MAIS
O que diz Paulo Michielon, presidente do Sindicato das Empresas Lotéricas do Rio Grande do Sul:
Acredito que não haja jogo do bicho em todas as lotéricas, apesar de ser grande o número de estabelecimentos que o ofereçam. É problemático. Se a CEF quiser descrenciar, o que a gente vai fazer? O problema é que se você não oferece o produto, a pessoa vai procurar no estabelecimento ao lado e a gente perde o cliente. O jogo do bicho é um produto condenado, só vai durar mais uns dois anos no mercado. Hoje, só jogam pessoas com 50 anos ou mais.”
Zero Hora – Clarisse Esperança

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