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Lotéricos aderem ao protesto nacional ‘Sábado sem conta’ organizado pela Febralot

30/07/2012

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O sucesso do movimento União Nacional dos Lotéricos e o protesto ‘Sábado sem Conta’, comprovou a verdadeira força da Rede Lotérica e a importância dela para Caixa, governo e sociedade. Mais de 80% das lotéricas de todo o país aderiram ao protesto programado para o último sábado.

Simples ações, como não receber boletos bancários aos sábados e não abrir contas bancárias durante um semana, repercutiram na mídia, tiveram o apoio da população, obrigando os executivos da Caixa Econômica Federal a repensar a relação com os empresários.

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Lotéricas só fazem apostas no sábado

Para pressionar o diálogo com a instituição, os lotéricos optaram por suspender os serviços bancários neste e no próximo sábado

Na semana entre os dias 28 de julho e 4 de agosto, abertura de contas corrente e poupança também será suspensa 

As casas lotéricas abrem hoje apenas para recebimento de apostas. Serviços bancários como saques e pagamento de boletos não serão executados neste sábado e também em 4 de agosto. O movimento de suspensão temporária da função de correspondente bancário foi organizado pela Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot) e terá adesão nacional. A intenção dos lotéricos é de pressionar a Caixa Econômica Federal (CEF) por melhorias no sistema de captação e transmissão de dados, além de reajustes na tabela de remunerações dos serviços. Segundo levantamento do setor, dos 21 produtos oferecidos hoje nas casas lotéricas,16 dão prejuízo ao empresário.

“No caso da venda do título de capitalização SuperXcap, temos um custo de R$ 0,94 por operação, contra remuneração de R$ 0,44 da Caixa. Saques de convênios como Bolsa-Família custam R$ 0,85 ao lotérico contra receita de R$ 0,36”, calcula Roger Benac, presidente da Febralot e do Sindiloterias do Distrito Federal. Marcelo Gomes de Araújo, presidente do Sindicato dos Lotéricos de Minas Gerais (Sincoemg), reclama que os valores estão defasados há 10 anos. “As receitas não conseguem fazer frente às despesas. Com isso, os lotéricos devem mais de R$ 300 milhões à Caixa”, afirma.

Estudo produzido pelo Sindicato dos Lotéricos do Rio Grande do Sul (Sincoergs) revela que, em 11 anos, as tarifas pagas aos empresários lotéricos sofreram reajuste de 59% ao passar de R$ 0,22 para R$ 0,35, enquanto a variação do IGP-M no período chegou a 135%. Para acompanhar o avanço inflacionário, o valor de R$ 0,22 deveria ser de, pelo menos, R$ 0,51.

Os prejuízos se somam aos constantes contratempos enfrentados como sistema de captação e transmissão de dados da instituição financeira. “Esse sistema nunca funcionou adequadamente, ficando fora do ar com frequência. Ultimamente este problema tem se agravado, especialmente nos primeiros dias do mês, quando o volume de transações é maio diante do pagamento de contas e recebimento do salário”, alerta Benac. Enquanto o sistema não é recobrado, as lotéricas amargam perda de receita.

Para pressionar o diálogo com a instituição, os lotéricos optaram por suspender os serviços bancários neste e no próximo sábado. Na semana entre os dias 28 de julho e 4 de agosto, abertura de contas corrente e poupança também será suspensa. A Caixa já informou que tem uma reunião agendada com representantes dos lotéricos na próxima sexta-feira em Brasília. Segundo informações da assessoria de imprensa da instituição, na ocasião será apresentado um plano para atualização do Canal Parceiro Lotérico, que inclui o modelo de remuneração, tecnologia e um conjunto de outras ações.

Marcelo porém se mostra cético quanto aos desdobramentos do encontro. “Já ouvi essa história inúmeras vezes. O modelo só mudará com uma ação mais contundente por parte dos lotéricos”, afirma. Izaías de Oliveira (foto a direita), sócio-proprietário da Fonte dos Milhões, no Bairro Renascença, Região Nordeste da capital, aderiu ao movimento na expectativa de impulsionar o diálogo com a Caixa. “É uma iniciativa da Febralot e um direito constitucional dos sindicatos”, afirma.

A escolha do sábado para a manifestação tem como objetivo evitar prejuízos à população. Isso porque, quem não conseguir pagar as contas hoje tem até segunda-feira para quitar os débitos, dia em que as lotéricas voltam a funcionar normalmente. Caso as negociações não avancem, os lotéricos têm intenção de engrossar a conversa. Inclusive cogita-se uma paralisação completa juntamente com a dos funcionários da própria Caixa, que devem entrar em greve no mês em setembro.

Confira mais em Estado de Minas – Paula Takahashi – Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press.