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Macau, antítese de Hong Kong, celebra 20º aniversário de devolução à China

20/12/2019

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Uma vista geral do Banco da China (esquerda), Grand Lisboa e Casino Lisboa (Centro) e Wynn Macau (direita), em Macau.  (Foto: Eduardo Leal – AFP)

A ex-colônia portuguesa de Macau comemora nesta semana o 20º aniversário de sua devolução para a China, ocasião que Pequim usará para ressaltar a prosperidade e a harmonia deste território, localizado a apenas 30 km de Hong Kong, onde manifestações contra as autoridades chinesas há meses é constante.
Ambos os territórios, devolvidos a Pequim com dois anos de diferença entre um e outro, são dirigidos sob o lema “um país, dois sistemas”, o que lhes confere liberdades desconhecidas na China continental.
O contraste, no entanto, não pode ser maior entre os dois territórios.
A oeste, Macau é um aluno-modelo que cumpre sem questionar as ordens de Pequim. A leste, Hong Kong tem sido palco de manifestações sem precedentes pela democracia há meses.
O presidente chinês, Xi Jinping, estará presente nas comemorações na próxima sexta-feira (20), com as quais celebrarão o 20º aniversário do fim, em 1999, da presença portuguesa – que começou no século XVI – no território.
“Macau é o aluno-modelo da turma. Os alunos-modelo sempre recebem boas notas e têm uma existência confortável”, observa Larry So, professor de Ciências Sociais nascido em Hong Kong e que trabalhou como professor em Macau antes de se aposentar.
Em 20 anos, Macau sofreu uma transformação extraordinária graças aos enormes cassinos construídos em Cotai, uma extensão de terra levada ao mar entre as ilhas de Coloane e Taipa, hoje unidas.
Auge do PIB
Único território chinês onde o jogo é autorizado, Macau viu seu PIB explodir: de US$ 6,4 bilhões em 1999 para os atuais 55 bilhões. Seus cassinos faturam em uma semana o mesmo que Las Vegas em um mês.
Para Pequim, é um sucesso em que as pessoas de Hong Kong devem se inspirar. Li Zhanshu, presidente da Assembleia Popular Nacional (Parlamento), afirmou recentemente que “a identidade nacional fortemente arraigada” dos cidadãos de Macau deve servir de modelo.
Segundo Zhang Xiaoming, chefe do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau, o fracasso, há 15 anos, da implementação na excolonia britânica de uma lei para reprimir a “subversão” contra Pequim é “a principal razão para o aumento das atividades separatistas”.
Em Macau, essa lei sobre a segurança nacional foi adotada há tempo e o território é um oásis de calma, diferente dos violentos protestos em Hong Kong.

Crime organizado e prostituição
A prosperidade, no entanto, não é isenta de vulnerabilidades em Macau, onde 80% da receita do governo local vem dos cassinos.
Nesse sentido, Macau tem o terceiro maior PIB per capita do mundo, apenas atrás de Luxemburgo e da Suíça, mas sua riqueza é muito concentrada.
O território, de fato, é considerado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como um paraíso para lavagem de dinheiro, crime organizado e prostituição.
Além disso, uma pequena parte dos 700 mil habitantes deste território, principalmente da China continental, está preocupada com a dissolução da identidade de Macau, nascida do encontro único entre a cultura cantonesa e portuguesa.
“As pessoas querem preservar a herança macaense. Duvido que um dia Macau se torne uma cidade chinesa como as outras”, diz Sulu Sou, um dos quatro representantes da prodemocracia do parlamento local. (G1 Mundo – Fonte: France Presse)